[[legacy_image_3356]] Ex-conselheiro do Santos Futebol Clube e ex-secretário-adjunto de Cultura de Santos, Adilson Durante Filho foi condenado por dano moral a pagar indenização de R\$ 10 mil, por dizer que todos os “pardos brasileiros” são de “mau caráter”. Divulgada por áudio em um grupo de WhatsApp, a ofensa com teor racista vazou para outros usuários do aplicativo e viralizou em abril de 2019. A decisão é de primeira instância e cabe recurso. A Defensoria Pública do Estado de São Paulo processou Adilson Durante Filho e requereu indenização de R\$ 100 mil. O juiz José Wilson Gonçalves, da 5ª Vara Cível de Santos, condenou o acusado, mas fixou a verba indenizatória em R\$ 10 mil em favor do Fundo de Reparação de Interesses Difusos Lesados. Esse valor deverá ser revertido para ações de combate ao racismo indicadas pela Fundação Palmares. Gonçalves refutou a alegação da defesa do acusado, conforme a qual não houve intenção de atingir os pardos brasileiros. Segundo ele, o réu “sabe perfeitamente o significativo e o alcance das expressões usadas”. O magistrado também considerou irrelevante o fato de o áudio ter sido enviado originariamente em ambiente fechado de rede social sob a crença, ainda que verdadeira, de que o conteúdo não seria compartilhado. “O compartilhamento apenas tornou conhecida publicamente a gravíssima ilicitude cometida por ele”, destacou Gonçalves. Durante não quis comentar a decisão na sexta-feira (28), sob o argumento de que ele e sua defesa técnica ainda não tomaram conhecimento da sentença. Na quinta-feira (27), o site do Tribunal de Justiça de São Paulo divulgou a condenação do ex-conselheiro do Santos e ex-secretário-adjunto de Cultura. Repercussão negativa De acordo com o processo, o áudio foi enviado ao grupo de WhatsApp em 2017, dois anos antes de ele vazar e viralizar. A repercussão negativa foi tanta que Durante pediu exoneração do cargo de confiança ocupado na Secretaria de Turismo. O pedido de desligamento foi aceito pelo prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) no dia 20 de abril. O diretório municipal do Partido Social Democrático (PSD), ao qual Durante era filiado, também repudiou a declaração de Durante. Por meio de nota oficial, a agremiação partidária informou que ele não integra mais a sigla. Até a sua permanência no Santos, como sócio e conselheiro, ficou comprometida. O clube emitiu comunicado para “reafirmar absoluto repúdio a qualquer forma de discriminação e racismo”. No dia 4 de outubro, o Santos oficializou a expulsão do então conselheiro do quadro de sócios. Na época da propagação do áudio, Durante divulgou nota e atribuiu o áudio a “um momento de infelicidade”. Ele pediu desculpas a todos que se sentiram ofendidos e afirmou sentir o “mais profundo arrependimento”.