Thiago Avanci escreveu livro sobre proteção e direitos de adolescentes (Reprodução/Redes sociais) O ex-secretário de Guarujá, Thiago Felipe de Souza Avanci, de 39 anos, que foi denunciado pelos pais de um adolescente com Transtorno do Espectro Autista (TEA) de 17 anos por estupro de vulnerável, já participou de um livro sobre direitos e proteção das crianças e adolescentes. Ele foi encontrado morto na casa onde morava com a mãe, Sueli Nastri de Souza Avanci, de 72 anos, na Rua das Samambaias, no Bairro Balneário Praia Pernambuco, na noite desta terça-feira (17). Ele matou a mãe e seu cachorro, e posteriormente tirou a própria vida usando um revólver calibre 38. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme o Currículo Lattes de Thiago, ele participou do ‘Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente e Rede Protetiva como Instrumento da Cidadania Plena e de Realização dos Direitos Fundamentais’. O ex-secretário também publicou um livro com outros escritores, que foi lançado em 2022, chamado ‘Estatuto da Criança e do Adolescente: Entre a Efetividade dos Direitos e o Impacto das Novas Tecnologias’. O advogado e ex-secretário integrou algumas comissões da Ordem de Advogados do Brasil (OAB) de Guarujá. Nesta ocasião, Thiago foi, inclusive, presidente e vice-presidente do Conselho de Direitos da Criança e Adolescente. Contraponto Numa universidade de Santos, em 2023, ele ainda ministrou um seminário sobre ‘Jovens na Internet e Crimes Online’. Em uma entrevista concedida em novembro de 2023, Thiago falou sobre cuidados que as crianças e adolescentes deviam ter na internet. “Tudo o que existe no mundo real, existe na internet em geral, e existe no metaverso. Assediadores sexuais, assediadores morais, estelionatários, chantagistas, corruptores. O metaverso é um microcosmo da sociedade. Portanto, cuidados básicos são bem-vindos: desconfiar sempre, não expor suas intimidades, não expor fotos íntimas, não abrir arquivos de fontes desconhecidas, cuidados ao realizar compras de preços duvidosos, respeito ao próximo... são todas medidas básicas e, como canja de galinha, não fazem mal em excesso”, falou Thiago. Abusos aconteciam há pelo menos um ano À Polícia Civil, a mãe do menor abusado disse que, pelo que se soube, o adolescente vinha sofrendo abusos desde que foi morar na casa de Sueli. Thiago vivia em uma edícula, onde o adolescente passava a maior parte do tempo. A mudança do adolescente aconteceu em setembro do ano passado. Ela foi motivada pelo fato de o menor, também diagnosticado com Transtorno de Ansiedade, se sentir melhor vivendo ali. Isso porque a residência possui um quintal grande, com animais, e fica próxima da praia, coisas que o tranquilizavam. Conforme o boletim de ocorrência, recentemente, a vítima revelou a uma psicóloga no Centro de Atendimento Psicossocial (Caps), onde faz acompanhamento, que estava sentindo dores e que tinha sangramentos no ânus. A partir disso, ele passou a ficar na casa dos pais, em Santos. Ainda de acordo com o documento policial, antes de terem ciência do conteúdo do pen-drive, os pais do adolescente já suspeitavam da conduta de Thiago e já haviam registrado um boletim de ocorrência na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos. O boletim revela, também, que o ex-secretário de Guarujá havia feito depósitos bancários em nome do irmão e do filho mais velho, os quais foram devolvidos imediatamente. O depoimento da cunhada de Thiago Avanci indica que o ex-secretário tinha uma autorização para viagens com a vítima, a qual foi fornecida pelos próprios pais. Segundo ela, os dois chegaram a viajar juntos, o que faz com que os familiares acreditem que, nessas viagens, o menor era abusado. Relembre o caso O advogado e ex-secretário de Modernização e Transformação Digital de Guarujá, Thiago Felipe de Souza Avanci, foi encontrado morto na casa onde mora com a mãe, Sueli Nastri de Souza Avanci, de 72 anos, na Rua das Samambaias, no Bairro Balneário Praia Pernambuco. Ele matou a mãe e seu cachorro, e posteriormente tirou a própria vida usando um revólver calibre 38. Busca e apreensão Na manhã do dia do crime, policiais civis foram à casa de Thiago para cumprir um mandado de busca e apreensão. O ex-secretário não estava no local nesse momento. Conforme outro boletim de ocorrência obtido por A Tribuna, foram apreendidos um revólver, carregadores, munições e um simulacro. As armas, esclarece o documento policial, eram de uso permitido. Horas depois, Thiago compareceu à DDM de Guarujá e entregou uma pistola, que também foi apreendida. Ex-secretário gravou vídeo antes do crime Quando voltou para casa, o ex-secretário gravou um vídeo de 14 minutos, no qual ele dava mais de 15 medicamentos para a mãe. No registro, ele dizia estar cansado da vida. Em seguida, ele disparou contra a cabeça da idosa e, na sequência, contra a própria cabeça. O cachorro da mulher também morreu, mas não apresentava ferimentos. O vídeo foi recebido pelo irmão de Thiago, que ligou para a polícia relatando o conteúdo da gravação. Diante disso, policiais voltaram à casa, onde encontraram Sueli morta na cama do quarto e o ex-secretário ao lado, caído no chão. Os disparos foram feitos por um revólver calibre 38, encontrado entre as pernas do autor. Das cinco balas, três haviam sido deflagradas. Em nota, a Prefeitura de Guarujá informou que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado às 20h54 e chegou ao local do crime às 21h10, onde constatou as mortes. No local do crime, foram apreendidos três telefones celulares, um notebook, uma caixa de munição e a arma do crime. Foi requisitado o exame pericial para a cena do crime, bem como o exame necroscópico, realizado pelo Instituto Médico Legal (IML) para as vítimas. A arma apreendida também será periciada pelo Instituto de Criminalística (IC). Professor Thiago trabalhava há cerca de cinco anos na Prefeitura de Guarujá, e há quatro, como secretário de Modernização e Transformação Digital. Ele também era professor universitário, pesquisador e Ph.D em Direito. Segundo a Administração Municipal, na data do crime, ele havia sido exonerado do cargo a pedido.