Nenhum bem de Emerson desapareceu do apartamento em Praia Grande e, segundo a família, não houve movimentação nas contas bancárias (Arquivo pessoal) O desaparecimento de um policial militar aposentado continua cercado de dúvidas e sem qualquer explicação quase um ano após o registro do caso. Morador do bairro Canto do Forte, em Praia Grande, no litoral de São Paulo, o ex-terceiro sargento da Polícia Militar (PM), Emerson Lorençato Lopes, de 51 anos, sumiu sem deixar rastros em julho de 2025 e, desde então, familiares vivem à espera de respostas sobre o que realmente aconteceu. Um bilhete encontrado aumenta o mistério sobre o caso. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O boletim de ocorrência foi registrado em agosto de 2025, mas até hoje o caso permanece sem solução. Nenhuma movimentação bancária foi registrada desde o desaparecimento e a família afirma nunca mais ter recebido qualquer sinal do paradeiro do militar aposentado. Segundo a irmã dele, Leide Lorençato Lopes, de 50 anos, a falta de informações alimenta inúmeras dúvidas. A família também reclama que não há andamento nas investigações. “Não temos nenhuma resposta das autoridades”, relata. A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), por sua vez, informou, em nota, que "o caso é investigado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Praia Grande, que realiza diligências visando localizar o homem, bem como esclarecer os fatos. Demais detalhes serão preservados para garantir a autonomia do trabalho policial". O que se sabe até agora Emerson ingressou na Polícia Militar em 1995 e se aposentou em 2021 como terceiro sargento. Durante a carreira, atuou na área do 21º Batalhão, em Guarujá. No mesmo ano da aposentadoria, ele deixou a Baixada Santista e foi morar no Paraná com uma das irmãs. Permaneceu no estado até janeiro de 2025, quando decidiu retornar ao litoral de São Paulo. De acordo com a família, um dos principais motivos para a volta era a dificuldade de permanecer longe da filha, atualmente com 15 anos. Além disso, Emerson ainda alimentava a esperança de retomar o casamento de 27 anos, encerrado após um divórcio que os familiares descrevem como "traumático" para ele. A reconciliação, porém, não aconteceu. Após retornar, Emerson alugou apartamento em Praia Grande, onde passou a morar sozinho. Segundo a irmã, ele aparentava estar depressivo naquele período. Alerta pelo aluguel atrasado A família só percebeu que algo estava errado após um contato inesperado da imobiliária responsável pelo imóvel. O aluguel não havia sido pago, situação considerada incomum pelos parentes. “A imobiliária ligou para minha irmã mais velha, que mora no Paraná, avisando que o aluguel não tinha sido pago. Ela estranhou muito porque ele sempre foi muito certinho com as contas”, conta Leide. Emerson também era considerado "generoso" pela família, pois fazia ainda o pagamento mensal de contribuição do INSS para que um parente pudesse se aposentar. Juntamente com o aluguel não pago, chamou a atenção que ele também não fez esse pagamento. Apartamento aberto e carro na garagem Quando familiares tiveram acesso ao apartamento, encontraram uma cena que até hoje aumenta o mistério. A porta estava destrancada, e a chave do lado de dentro da porta. Dentro do imóvel permaneciam os pertences pessoais intactos. Nada foi remexido ou retirado do local. O carro também continuava estacionado na garagem do prédio. Não havia indícios claros que explicassem o desaparecimento. Mistério do bilhete Entre os objetos encontrados estava um bilhete sobre a cama com dois números de telefone anotados. Um deles pertencia à irmã que mora no Paraná. O outro, de acordo com a família, era de uma empresa que trabalha com renegociação de dívidas e limpeza de nome. Também havia um caderno com anotações. Segundo os parentes, o material continha apenas contatos telefônicos, sem informações que ajudassem a esclarecer o paradeiro do ex-militar. Dentro do imóvel em Praia Grande todos os pertences pessoais de Emerson foram encontrados intactos e o carro estava na garagem (Arquivo pessoal) Hipóteses sem resposta Sem notícias desde julho de 2025, os familiares convivem diariamente com incertezas. “Não sabemos se ele surtou e virou andarilho, se caiu em alguma emboscada ou mesmo se atentou contra a própria vida. Tudo é possível”, afirma a irmã. A ausência de movimentação financeira ao longo de todo esse período é outro fator que intriga a família. Mesmo após o registro do desaparecimento, as investigações não avançaram a ponto de apresentar uma explicação para o sumiço de Emerson. Enquanto aguardam respostas, parentes mantêm a esperança de descobrir o que aconteceu com o ex-policial militar aposentado que saiu de cena sem deixar vestígios. A família vive esse quase um ano de agonia sem respostas e diz que a polícia não avança nas investigações. "Está apenas registrado como 'desaparecimento', por favor nos ajudem", finaliza Leide.