Thales, ao centro, na época do primeiro julgamento, anulado pela Justiça (Carlos Nogueira/AT/Arquivo) O ex-promotor de Justiça Thales Ferri Schoedl foi condenado a 9 anos de reclusão por homicídios consumado e tentado. O julgamento foi realizado no Fórum de Bertioga, nesta segunda-feira (3). Schoedl matou o jovem Diego Mendes Mondanez de 20 anos e deixou Felipe Cunha de Souza, também de 20, ferido, depois de atirar contra eles numa praia de Bertioga, em 2004. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O júri começou às 10 horas e só terminou 12 horas depois. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), 15 testemunhas seriam ouvidas, cinco do Ministério Público (MP), duas do assistente de acusação, quatro de defesa e mais quatro comuns às partes. O júri foi remarcado para segunda (3), quase 20 anos após o crime, pois o primeiro julgamento foi anulado. O caso aconteceu em luau na praia da Riviera de São Lourenço, no dia 30 de dezembro de 2004. Schoedl, que na época tinha 29 anos, foi preso em flagrante por atirar contra Felipe, que foi baleado no pulmão e no fígado, mesmo assim sobreviveu. Já Diego morreu após ser socorrido. Antes do julgamento, em entrevista à TV Tribuna, o pai de Felipe, Wilson Pereira de Souza, disse que a família lutou quase 20 anos para que esse dia chegasse. “Para servir de exemplo à sociedade, para não desistir”. Apesar de seu filho ter ficado ferido depois do crime e a família abalada com o caso, Souza disse que todos tentam seguir em frente, até porque a situação causou exaustão em todos. O que disse o réu Antes do júri, o ex-promotor alegou ter feito os disparos em legítima defesa. Thales afirma ter saído de uma festa na Riviera de São Lourenço junto com sua namorada, Mariana Ozores Bartoletti, quando passou por quatro jovens, entre eles Diego e Felipe. Schoedl alegou na época que um dos jovens teria mexido com a namorada dele, por isso, teria se iniciado uma discussão, que acabou culminando no crime. Durante a confusão, o ex-promotor sacou uma pistola calibre 38 e disparou na direção dos quatros jovens. Diego acabou morto e Felipe, ferido. A defesa do Schoedl diz que no grupo de pessoas que provocaram a namorada de Schoedl estavam mais de 10 pessoas, sendo elas altas, por serem integrantes de um time de basquete. Disse ainda que os disparos não foram direcionados à turma, mas que foram tiros de “advertência”. Ex-promotor Schoedl foi exonerado do cargo em 2018, quando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli acatou a decisão do Conselho Nacional do Ministério Público (MP), determinando pela demissão do então promotor. Já que ocupava esse cargo, Schoedl teve o direito de ser julgado em 2008 pelos desembargadores do Órgão Especial do TJ-SP. Na época, o réu foi absolvido por unanimidade, mas devido aos recursos movidos durante o processo, ele responde em liberdade. Schoedl perdeu o direito ao foro especial e, por isso, o primeiro julgamento foi anulado. A Tribuna tentou contato com os familiares da vítima, mas até o fechamento desta matéria não teve retorno.