Promotor foi acusado de matar um jovem de 20 anos e ferir outro da mesma idade durante um luau em Bertioga (Carlos Nogueira/ AT/ Arquivo) Está sendo julgado nesta segunda-feira (3), no Fórum de Bertioga, Litoral de São Paulo, o ex-promotor Thales Ferri Shoedl. Ele é acusado de matar um jovem de 20 anos e ferir outro da mesma idade em 30 de dezembro de 2004, na Riviera de São Lourenço. O julgamento, que é no modelo de júri popular, está acontecendo depois de quase 20 anos do crime, após ele ter a absolvição anulada ao perder o direito ao foro especial quando foi exonerado. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! No total, serão ouvidas 15 testemunhas, segundo o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP). Dentre elas, cinco representam o Ministério Público, duas fazem parte da assistência de acusação, quatro são da defesa e outras quatro são comuns às partes. Para o corpo do júri, foram selecionadas sete pessoas. Ele teve a absolvição anulada após perder o direito ao foro especial. Isso aconteceu devido a exoneração dele do cargo de promotor em 2018, quando o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), acatou a decisão do Conselho Nacional do Ministério Público (MP), que determinava a demissão de Thales por ter cometido o homicídio. Por exercer o cargo de promotor de justiça, ele foi julgado pelo crime em 2008 por desembargadores do órgão especial do TJ-SP. No entanto, Thales foi absolvido por unanimidade e respondeu ao processo em liberdade. Porém, essa absolvição foi anulada neste ano. O caso O crime aconteceu em 30 de dezembro de 2004. Thales estava em um luau na Praia da Riviera de São Lourenço, em Bertioga, quando ao fim do evento se envolveu em uma discussão. Na época, ele alegou que um dos jovens teria ‘mexido’ com a namorada dele. Por isso, ele sacou uma pistola calibre 380 e disparou contra quatro pessoas. Diego Mendes Mondanez, morador da cidade de São Carlos, no interior do estado, foi atingido e morreu. Além dele, Felipe Siqueira Cunha de Souza também foi ferido, mas sobreviveu. Na época, Thales tinha 29 anos e chegou a ser preso no dia do crime. Ele ficou detido na Cavalaria Militar em São Paulo. Família Conforme apurado pela TV Tribuna, a família de Diego chegou ao Fórum de Bertioga por volta das 9h. Muitos estavam com camisetas que pediam justiça pela vida da vítima. Wilson Pereira de Souza, pai do sobrevivente Felipe, afirmou que, mesmo após 20 anos, ainda acredita na Justiça. “Isso é para servir de exemplo para sociedade como um todo, para nao desistir. O sentimento muitas vezes foi de exaustão, cansaço e desilusão, mas tinhamos a opinião pública ao nosso favor e com a ajuda dos meios de comunicação, mantivemos vivo esse fato e felizmente chegamos hoje aqui. Esperamos que essa decisão seja favorável”, afirma. A equipe de reportagem tentou contato com os advogados de defesa e acusação, mas até o fechamento da matéria não teve retorno.