[[legacy_image_343407]] “Ele sabia que isso iria me afetar mais do que qualquer outra coisa”. Esse é o relato de uma mulher de 41 anos, moradora de Praia Grande, que está em busca do cachorro chamado ‘Alvo’, que foi furtado pelo ex-marido dela, um policial militar (PM) aposentado que tem uma medida protetiva em seu desfavor. O ex-marido é acusado de violência doméstica. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Em entrevista para A Tribuna, a mulher relatou ter vivido um casamento de 13 anos com o policial e que, dentre esse tempo, foi vítima de constantes agressões físicas e psicológicas. “Mas nunca dei queixa. Guardei para mim mesmo. Nos últimos tempos, porque ele parou de trabalhar e estava dentro de casa se tornou muito pior. Começou a beber com mais frequência e se tornou mais agressivo”. Quando entrou com o pedido de divórcio, em novembro de 2023, a mulher disse que a convivência se tornou insuportável a ponto de ele aparecer ocasionalmente na casa do casal - que fica no bairro Tupi, em Praia Grande - para mostrar que tinha esse direito. Ela citou ter escutado coisas como: “Eu faço o que eu quero e ninguém me tira daqui. Eu sou o próprio Deus”. “Minha mãe passou por uma cirurgia muito complicada e precisava de ajuda. Nesse processo, fui ficar um pouco com ela e cuidar. Em um certo dia, ele chegou na casa da minha mãe muito alterado, cuspiu na minha cara e me deu muita porrada, machucou minha costela”, comentou. Esse episódio fez com que a mulher tomasse coragem para registrar um boletim de ocorrência e pedir pela medida protetiva. O pedido foi acatado no último dia 1º de março e, conforme orientado, ela afirmou ter colado uma cópia da decisão na porta de casa e trocado as fechaduras. Porém nada impediu que o PM retornasse para a casa do casal. “Ele esperou eu sair para trabalhar, foi até a minha casa, levou um chaveiro, abriu, rasgou a medida, levou uns pertences e, não satisfeito, levou o cachorro. Ele sabia que o cachorro era criado por mim como se fosse um filho. Ele sabia que aquilo iria me afetar mais do que qualquer outra coisa”. Segundo a vítima, uma televisão de 60 polegadas também foi levada durante a ação do ex-marido e, sem sucesso, o PM também tentou atrapalhar o trabalho dela. Quando a mulher retornou do trabalho, ela relembrou ter notado a ausência das vasilhas do cachorro e, em seguida, se deu conta do que havia acontecido. “Quando olhei para o chão e vi que os pratos do cachorro não estavam, que a comida não estava, eu caí no chão e tive um surto nervoso. Fiquei mais de uma hora paralisada e chamaram uma viatura. Quando eu saía para trabalhar, ele fazia vídeos para mostrar que o cachorro estava bem. Ele sabia a importância que tinha. Foi mais um abuso dele para me fazer mal”, alegou. Alvo estava há cinco anos com o casal e era criado como uma criança pela mulher. Agora, ela tenta descobrir o paradeiro do ex-marido para uma possível devolução do animal que tanto ama e continuar na batalha pela Justiça. “Passei por tanta coisa nesses quatorze anos que até choro. Parece até mentira. Já fui tantas vezes agredida e já entrei com muitos processos de divórcio. Ele já até me amarrou para colocar fogo em mim. Não dá nem para acreditar, parece até loucura. O que me fez ir atrás e ir fazer tudo isso foi o fato do cachorro”. A reportagem de A Tribuna tentou encontrar a defesa do policial militar aposentado em busca de um posicionamento, porém não obteve sucesso.