[[legacy_image_305920]] “Ficava muito desconfortável, mas todo mundo falava que era o jeito dele, de ficar falando e encostando”, disse uma ex-funcionária de uma clínica de saúde de Santos, neste domingo (22), sobre a relação dela com o médico neurocirurgião de Santos João Luís Cabral Junior, de 52 anos, enquanto trabalhavam juntos. Ele é acusado de estupro e armazenamento de pornografia infantil, mas a defesa nega. Em entrevista para A Tribuna, a mulher - que optou não ser identificada - diz que conviveu com o médico por mais de um ano, pois era secretária em uma clínica que ele atuava. Nesse período, a ela relembra que viveu momentos de desconforto com o hábito do neurocirurgião de alisá-la, como também fazia com as demais colegas na clínica, diz a profissional. Ele foi indiciado pela Polícia Civil por estupro de vulnerável e por adquirir, possuir e armazenar materiais com pornografia infantil. O caso está sendo investigado pela Delegacia Seccional de Taboão da Serra (SP) e está sob segredo de Justiça. O médico chegou a ser preso, mas passou por audiência de custódia e responde aos supostos crimes em liberdade. “Ele sempre foi muito simpático com as funcionárias, mas eu achava estranha essa simpatia dele, principalmente porque ele tinha mania de ficar alisando nosso braço, apertando nosso ombro, como se estivesse fazendo massagem. Em uma certa ocasião, ele chegou a pegar na minha mão, comentar ‘nossa, que mãozinha pequenininha’ e ficar alisando. Eu achei estranho e fiquei muito desconfortável”, comenta. Porém, mesmo com essas situações, a ex-secretária ressalta que recebeu a notícia com surpresa. “Eu fiquei chocada quando soube mas, de certa forma, algo que já era de se esperar em relação aos abusos. Porém, quando soube do material de pedofilia, fiquei desacreditada”. Sobre as acusações em relação a pacientes, a mulher reforça que nunca notou esse comportamento, porém também explica que não tinha acesso direto aos consultórios e, por isso, pode não ter visto alguma conduta inadequada. CasoDe acordo com o boletim de ocorrência, em 26 de setembro policiais civis de Taboão da Serra cumpriram um mandado de busca e apreensão no apartamento do médico, que fica na Ponta da Praia, em Santos. Foram apreendidos um computador, quatro notebooks, um HD externo e um celular. Conforme o documento, ao ser questionado pelos policiais sobre o armazenamento de pornografia infantil, Cabral negou as acusações e disse que seria um conceituado médico neurocirurgião, com consultório próprio e que coordena a clínica do Hospital Associação Policial de Assistência à Saúde da Baixada Santista (Apas), em Santos. No entanto, em uma breve inspeção dos conteúdos armazenados nos equipamentos apreendidos, localizaram-se arquivos de mídia com cenas de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade sexual, confirmando o crime, afirmam os investigadores. Em nota, o advogado do médico, Eugênio Malavasi, diz que o neurocirurgião “é inocente e que provará o alegado no momento processual oportuno”.