O professor presente tentou intervir e acionou a diretoria da escola, mas, antes que o problema fosse resolvido, a situação se agravou (Arquivo pessoal) Uma adolescente de 15 anos foi agredida dentro da Escola Estadual Silvia Jorge Polastrini, em Itanhaém, no litoral de São Paulo, após uma discussão com um colega de classe, de 16 anos. O caso ocorreu na última terça-feira (1º). Segundo o pai da vítima, Alex Pereira Costa, de 46 anos, que conversou com A Tribuna, a filha ficou gravemente ferida, com múltiplos hematomas no rosto e cortes profundos que exigiram pontos. Ele descreve que, após os golpes, o rosto da jovem "jorrava sangue" na escola. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com o responsável, a briga teria começado por causa de um ventilador. O agressor teria ajustado o equipamento apenas para si, impedindo que outros alunos recebessem o vento. Quando a adolescente questionou a atitude, o estudante reagiu com xingamentos e insultos. O professor presente tentou intervir e acionou a diretoria da escola, mas, antes que o problema fosse resolvido, a situação se agravou. Segundo o relato do pai, ao ouvir a jovem reclamando da insistência do aluno na discussão, o estudante partiu para cima dela. Assustada, a adolescente tentou se defender empurrando-o, mas foi atingida por uma série de socos no rosto. O agressor, que tem porte físico maior do que a vítima, teria desferido pelo menos quatro golpes, atingindo a boca, o queixo, o supercílio e a testa da estudante. “Ele xingou a minha filha de prostituta, vagabunda. Minha filha jamais iria para cima de um homem daquele tamanho para brigar com ele, ela sabe que ele iria espancar ela”, disse. Após a agressão, a menina foi encaminhada para atendimento médico e recebeu dois pontos no supercílio. Segundo Costa, a médica explicou que o ideal seria aplicar seis pontos, mas que, para evitar uma cicatriz que alterasse o formato da sobrancelha da jovem, optou por uma técnica que minimizasse as marcas. Ela também precisou ser medicada com antibióticos e anti-inflamatórios. “Nada justifica o que ele fez com a minha filha, porque ele é um cara mau”, desabafou. Insegurança Além da agressão física, a família da adolescente relata um clima de insegurança na escola. Segundo Costa, sua filha está com medo de retornar às aulas, teme novas agressões e até represálias por parte da família do agressor, que, segundo ele, não demonstrou arrependimento pelo ocorrido. O pai afirma que, enquanto aguardavam na delegacia para registrar o boletim de ocorrência, nenhum parente do adolescente perguntou sobre o estado de saúde da vítima. O pai também critica a falta de controle dentro da escola. Segundo ele, na sexta-feira anterior à agressão (28), a filha teve um fone de ouvido furtado dentro da instituição. Para ele, a direção não consegue impor respeito e disciplina entre os alunos. “É uma escola que têm três diretores, um diretor e dois vices, e os três não conseguem colocar disciplina na escola. Tem que ter o pulso firme, se não a molecada faz o que quer”, reclamou. Diante da situação, Costa decidiu tomar uma medida e pretende deixar a cidade com a filha. “Não quero mais minha filha estudando nesse lugar”, desabafa. A adolescente segue afastada da escola por atestado médico e deve retirar os pontos na próxima segunda-feira (7). Posicionamentos A Tribuna entrou em contato com a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), que, por meio de nota, informou que o caso foi registrado no 2º Distrito Policial (DP) da cidade como lesão corporal, injúria e vias de fato. Por fim, afirmaram que a Polícia Civil requisitou exame de corpo de delito para a vítima e segue com as investigações. A Secretaria de Educação do Estado, por sua vez, informou que, assim que soube do ocorrido, a equipe gestora da escola interveio. Segundo a pasta, os responsáveis foram convocados e informados sobre as medidas disciplinares. Os estudantes estão afastados das atividades presenciais. A Secretaria ainda informou que foi registrado o boletim de ocorrência e o caso foi inserido no aplicativo do Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva) para acompanhamento. Um profissional do programa Psicólogo na Escola foi colocado à disposição da estudante. Além disso, a unidade reforçará as ações de mediação entre os estudantes e a equipe escolar. A Diretoria de Ensino de São Vicente afirmou que repudia qualquer forma de violência e agressão física e segue à disposição para quaisquer esclarecimentos.