Capturas de tela mostram algumas das ofensas racistas feitas a aluna de 12 anos de Praia Grande, em um grupo do Instagram (Arquivo pessoal) Uma estudante de 12 anos foi chamada de "macaca" e alvo de outros comentários racistas feitos por um grupo de colegas da Escola Municipal (EM) João Gonçalves, no bairro Aviação, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Karen Migotto Cunha, de 30 anos, mãe da aluna, contou para A Tribuna que os estudantes também disseram que a filha tinha "cabelo de macaco" e "cabelo duro". A Secretaria de Educação (Seduc) do município da Baixada Santista informou que investiga o caso. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O episódio aconteceu no sábado (11). A mãe relatou que descobriu as ofensas após acordar durante a madrugada com ligações e mensagens da filha informando que havia sido adicionada a um grupo no qual diversos xingamentos eram direcionados a ela. Karen disse que tentou intervir, enviando mensagens aos estudantes envolvidos e avisando que registraria um boletim de ocorrência. Em seguida, segundo ela, os alunos passaram a publicar fotos suas e também começaram a ofendê-la. “Os xingamentos eram horríveis. Chamaram minha filha de cabelo de c* de macaco, me chamaram de macaca, de gorila. Falavam: a mãe é uma gorila, a mãe é uma macaca, a filha é uma macaca. Xingaram muito um amigo dela, falando que ele era gay e comentaram sobre as partes íntimas dele. Foi coisa horrível”, desabafa Karen. Segundo a mãe, os estudantes também tentaram humilhar a filha pelo fato de ela vender doces. “A minha filha vende pipoca e brownie, tem uma página no Instagram e vende as coisinhas dela. Quiseram humilhar referente a isso”. “Eu fiquei incrédula, porque é uma menina de 12 anos. Foi bem afrontoso. Aí postaram minhas fotos”. Indignação e falta de ajuda Karen estava em São Paulo quando recebeu as mensagens e entrou em contato com a escola, mas afirma não ter recebido acolhimento. “Eu tive que ficar o tempo todo ligando e perguntando se tinham visto tudo o que mandei pelo WhatsApp para a diretora. Depois responderam que, como não foi um ato ocorrido na escola, não tinham o que fazer e que, como eu já tinha feito um boletim de ocorrência, os órgãos responsáveis tomariam as providências cabíveis”. A mãe considera a situação ainda mais grave porque, embora os ataques não tenham ocorrido dentro da escola, envolveram alunos da unidade que convivem diariamente com sua filha. Segundo Karen, a menina está de férias, mas teme pelo retorno às aulas e afirma que nada garante a integridade da adolescente. Karen disse que esteve na escola nesta quarta-feira (15) e voltou a cobrar providências. “Eles continuaram alegando que não tinham o que fazer, não queriam chamar os pais. Não me senti nem um pouco acolhida. Parecia que a minha filha tinha feito algo, e não que era a vítima. Saí de lá e fui até o Conselho Tutelar. Lá foram maravilhosos, deram todo o apoio e, inclusive, ligaram para a diretora na hora”. A mãe afirmou ainda que foi orientada a buscar acompanhamento psicológico para a filha no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) de Praia Grande. Boletim de ocorrência A Tribuna teve acesso ao boletim de ocorrência. No documento, a mãe relata que a filha sofreu bullying no dia 11. Segundo ela, alunos da mesma escola criaram um grupo no Instagram para ofendê-la, chamando-a de "cabelo duro", "cabelo de macaco" e utilizando outras expressões ofensivas e humilhantes, causando intenso sofrimento emocional. A mãe informou que possui capturas de tela das mensagens e consegue identificar os alunos envolvidos. Ela solicitou que os fatos sejam apurados e que sejam adotadas as medidas cabíveis. O caso foi registrado como intimidação sistemática (bullying) na Delegacia Eletrônica. Posicionamento Em nota, a Prefeitura de Praia Grande, por meio da Seduc, afirmou que repudia qualquer tipo de violência ou bullying nas escolas municipais. A pasta destacou que, desde o ano passado, em cumprimento à Ordem de Serviço emitida pelo prefeito Alberto Mourão (MDB), desenvolve ações de conscientização dos estudantes para prevenir novos casos. “No que diz respeito ao ocorrido na EM João Gonçalves, a Seduc afirma que investiga o caso e, sendo necessário, medidas disciplinares serão adotadas”, destacou. A Prefeitura complementou que a rede municipal de ensino entrou em recesso escolar no dia 8 de julho, e as aulas retornam no próximo dia 27.