[[legacy_image_308989]] A mãe do menino de dois anos que foi agredido na Creche Gota de Leite, no Bairro Encruzilhada, em Santos, se mostra indignada. “Ele está agressivo e não quer ir para a escola. Percebi que ele está com o dente com um pedacinho quebrado, e acredito que isso foi no momento em que a professora o puxou, e ele bateu o rosto”, relata a manicure Carla da Matta, de 44 anos. Um vídeo enviado para A Tribuna na última quinta-feira (2) mostra uma funcionária do Berçário II da Gota de Leite, tradicional entidade de assistência à infância de Santos, puxando várias vezes, com agressividade, a criança. Segundo a mãe, o vídeo foi gravado no dia 19 de outubro por um pai que estava fazendo uma adaptação com o filho na escola e recebeu a gravação um dia depois. “Fomos até a secretaria da escola pedir uma posição e quando nós chegamos lá, a professora já estava sendo retirada da sala. Eles me pediram três dias para eles verem o que fariam porém, de imediato, ela não trabalharia mais lá”, explica Carla. De acordo com ela, o diretor da instituição “pediu para que eu tivesse um pouco de clemência, mesmo sabendo que se trata de uma instituição centenária que atende a várias crianças com vários problemas”. Após os três dias solicitados pela instituição, os pais da criança tiveram uma reunião com o diretor e “foi quando ele disse que estava afastando a professora, e não podiam demiti-la por justa causa porque o filho dela tinha um laudo médico”, afirma Carla. Grupo de apoioA mãe conversou com outras mães de crianças da creche, e juntas criaram um grupo nas redes sociais para compartilharem os relatos. “Meu filho graças a Deus teve um 'anjo' que filmou, mas outras mães relataram que o filho delas também estava agressivo, não queriam entrar na escola e outra mãe disse que o filho não queria mais ir para escola porque ‘a tia bate nas perninhas’”, conta a mãe. Ao reunirem todos os relatos, Carla diz que as mães pediram uma reunião com a direção da escola para pedir que uma câmera de segurança fosse instalada, e que fosse adotada uma agenda para as professoras relatarem como teria sido o dia das crianças na escola. “De pronto, a diretora foi bem enfática dizendo que não ia adotar a agenda porque ela não achava necessário, e o diretor disse que não achava viável colocar câmera porque disse que não teriam condições para isso”. Carla relata que o filho acabou ficando por mais 15 dias na Gota de Leite, e depois eu conseguiu uma vaga em outra escola. “Na nova escola ele está agressivo, já foi pedido até uma avaliação psicológica para ele. Faz coisas que ela [a professora que agrediu a criança] fazia e eu vi, faz gestos iguais aos que ela faz”. “Só quero que o Ministério Público dê uma posição para nós, e que a justiça seja feita, não só para o meu filho, mas para todas as outras mães que estão lutando paga ganhar o pão de cada dia delas”, enfatiza Carla. PosicionamentoEm nota, a Secretaria de Educação informa que a unidade é uma entidade subvencionada. Destaca ainda que a Supervisão de Ensino foi acionada, deu as orientações necessárias e segue acompanhando as decisões tomadas por parte da entidade responsável pelo atendimento ofertado no local. Ressalta também que a instituição será convocada para reunião, a fim de expor os encaminhamentos realizados e apontar as providências para a equipe que faz a gestão do Termo de Fomento e para a Comissão de Monitoramento. A Gota de Leite também enviou nota, informando que, "assim que tomou conhecimento do caso pelos pais, fez escuta com todos os envolvidos, e que, de imediato, a educadora foi afastada da sala de aula". A entidade disse ainda que, em seguida, acionou o Conselho Tutelar e a Secretaria de Educação, "no intuito de agir em conformidade com todas as diretrizes estabelecidas pelos órgãos competentes". Por fim, a Gota de Leite lembrou no texto que há 109 anos tem o compromisso com a Primeira Infância, atualmente "com a missão de atender 225 crianças na Creche e Pré-Escola, além de 160 crianças e adolescentes nos projetos de cultura e esporte. Nesse sentido, toda a equipe pedagógica passa por uma ampla avaliação e treinamento interno sempre em busca de aprimorar o atendimento à comunidade".