Os cinco acusados de envolvimento no racha de charretes que resultou na morte de Thalita tiveram as prisões preventivas mantidas pela Justiça (Arquivo Pessoal) A Justiça manteve a prisão preventiva dos cinco acusados de envolvimento no racha de charretes que resultou na morte da ciclista Thalita Danielle Hoshino, de 38 anos, em Itanhaém, no litoral de São Paulo. A decisão foi tomada durante a audiência de instrução realizada no Fórum de Peruíbe nesta segunda-feira (23). Dois dos acusados seguem foragidos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Foram negados os pedidos de liberdade provisória apresentados pelas defesas de Rudney Gomes Rodrigues, Fabiano Helarico Ribeiro, Salvador Marcelo Gozza, Karina Santos Ribeiro e Eder Manoel Bimbati da Silva. A juíza Danielle Camara Takahashi entendeu que permanecem válidos os fundamentos que justificaram as prisões preventivas. Segundo a denúncia do Ministério Público (MP), Rudney teria atropelado a vítima com sua charrete, enquanto Fabiano e Salvador conduziam os outros veículos envolvidos no racha. Já Eder e Karina atuavam como ‘batedores’, dirigindo os carros que acompanhavam os charreteiros em comboio. O órgão atribui ao grupo dois crimes de homicídio qualificado – um consumado e outro tentado – mediante dolo eventual, quando se assume o risco de matar. Decisão Na decisão, a magistrada destacou a “gravidade concreta” das condutas atribuídas aos réus. A juíza apontou que a prática ocorreu em área destinada ao lazer público, o que demonstra indiferença à vida humana por parte dos acusados, que estariam transformando o local em uma “pista de corrida mortal”. “A realização coordenada de corridas clandestinas de cavalos em alta velocidade, utilizando equipamentos que propositadamente reduzem a visibilidade do condutor (Surke) e veículos batedores em comboio, em uma faixa de areia destinada ao lazer público, constitui comportamento de altíssima periculosidade. Tal cenário revela que os agentes não apenas previram a possibilidade do resultado letal, como atuaram com absoluta indiferença ao bem jurídico vida, transformando um local de convivência familiar em pista de corrida mortal”, fundamentou Danielle. A juiza ainda mencionou áudios atribuídos aos denunciados com orientações para exclusão de perfis em redes sociais, alteração de nomes e saída de grupos de mensagens após o fato, o que, segundo a magistrada, indicaria tentativa de dificultar a produção de provas. Pedidos de prisão domiciliar por questões de saúde e alegações de condições pessoais favoráveis, como primariedade e residência fixa, também foram rejeitados. A magistrada considerou insuficientes medidas cautelares alternativas, como monitoramento eletrônico, diante da gravidade dos fatos e da suposta coesão do grupo. Foragidos Salvador e Eder são considerados foragidos desde abril de 2025. A fuga, conforme a decisão, é fundamento autônomo para manutenção da custódia. Foi determinada a reiteração das investigações para localização e captura dos dois, com atuação de órgãos de inteligência policial. Relembre o caso O atropelamento ocorreu em 23 de março de 2025, na faixa de areia da praia, na altura da Avenida Santa Cruz, em Itanhaém. Thalita pedalava com uma amiga quando foi atingida por uma charrete. Ela sofreu traumatismo cranioencefálico, foi socorrida e levada ao Hospital Irmã Dulce, em Praia Grande, mas morreu dois dias depois. O charreteiro Rudney Gomes Rodrigues, de 31 anos, foi preso em 29 de março de 2025, em Praia Grande, e encaminhado à Cadeia Pública de Peruíbe, onde permanece detido preventivamente.