Thiago Avanci, advogado e ex-secretário da Prefeitura de Guarujá, foi encontrado morto junto à mãe na casa onde viviam, no bairro Balneário Praia de Pernambuco (Reprodução/Redes Sociais e Matheus Croce/TV Tribuna) Uma semana antes de matar a mãe, o cachorro e tirar a própria vida, o ex-secretário de Guarujá Thiago Felipe de Souza Avanci, de 39 anos, foi denunciado pelos pais de um adolescente com Transtorno do Espectro Autista (TEA) de 17 anos, por estupro de vulnerável. Um boletim de ocorrência foi feito após Thiago entregar um envelope com conteúdo no qual ele confessava os abusos e se despedia. Avanci, que era advogado e ex-secretário de Modernização e Transformação Digital de Guarujá, foi encontrado morto junto com a mãe, Sueli Nastri de Souza Avanci, de 72 anos,na noite de terça-feira (17) na casa onde os dois moravam, no bairro Balneário Praia de Pernambuco, em Guarujá. Ambos foram baleados na cabeça. O cachorro, por sua vez, não tinha ferimentos aparentes. Segundo esse boletim de ocorrência, registrado na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos no último dia 9, Avanci foi ao apartamento do irmão e deixou um envelope direcionado a ele. A entrega do foi feita no último dia 7. Dentro do envelope, havia uma carta de despedida, na qual o ex-secretário de Guarujá afirmava que tiraria a própria vida e confessava ter uma relações sexuais com o adolescente. Junto à carta, havia um pen-drive contendo cenas de sexo explícito entre ele e o menor em vídeos e imagens. Conforme apurado pela TV Tribuna, a descoberta dos estupros foi feita pela mãe do menor, que resolveu investigar o conteúdo do pen-drive após Thiago pedir o envelope de volta. Abusos aconteciam há pelo menos um ano À Polícia Civil, a mãe do menor abusado disse que, pelo que se soube, o adolescente vinha sofrendo abusos desde que foi morar na casa de Sueli. Thiago também vivia no local, em uma edícula, onde o adolescente passava a maior parte do tempo. A mudança para casa de Sueli aconteceu em setembro do ano passado e foi motivada pelo fato de o adolescente, que além de TEA é diagnosticado com Transtorno de Ansiedade, se sentir melhor vivendo ali. Isso porque a residência possui um quintal grande, com animais, e fica próxima da praia, coisas que o tranquilizavam. Conforme o boletim de ocorrência, recentemente a vítima revelou a uma psicóloga no Centro de Atendimento Psicossocial (Caps) onde faz acompanhamento que estava sentindo dores e que tinha sangramentos no ânus. A partir disso, ele passou a ficar na casa dos pais, em Santos. Ainda de acordo com o documento policial, antes de terem ciência do conteúdo do pen-drive, os pais do adolescente já suspeitavam da conduta de Thiago e já haviam registrado um boletim de ocorrência na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos. O boletim revela, também, que o ex-secretário de Guarujá havia feito depósitos bancários em nome de seu irmão e de seu filho mais velho, os quais foram devolvidos imediatamente. O depoimento da cunhada de Thiago Avanci indica que o ex-secretário tinha uma autorização para viagens com a vítima, a qual foi fornecida pelos próprios pais. Segundo ela, os dois chegaram a viajar juntos, o que faz com que os familiares acreditem que, nessas viagens, o menor era abusado. Além disso, a mulher disse que a família não sabia que o cunhado era homossexual e que já tinha até mesmo se relacionado com outro homem. Relembre o caso O advogado e ex-secretário de Modernização e Transformação Digital de Guarujá, Thiago Felipe de Souza Avanci, foi encontrado morto na casa onde mora com a mãe, Sueli Nastri de Souza Avanci, de 72 anos, na Rua das Samambaias, no Bairro Balneário Praia Pernambuco. Ele matou a mãe e seu cachorro, e posteriormente tirou a própria vida usando um revólver calibre 38. Thiago atirou contra a mãe, Sueli Nastri de Souza Avanci, de 72 anos, e tirou a própria vida em seguida. (Reprodução/Redes Sociais) Busca e apreensão Na manhã do dia do crime, policiais civis foram à casa de Thiago para cumprir um mandado de busca e apreensão. O ex-secretário não estava no local nesse momento.Conforme outro boletim de ocorrência obtido por A Tribuna, foram apreendidos um revólver, carregadores, munições e um simulacro. As armas, esclarece o documento policial, eram de uso permitido. Horas depois, Thiago compareceu à DDM de Guarujá e entregou uma pistola, que também foi apreendida. Ex-secretário gravou vídeo antes do crime Quando voltou para casa, o ex-secretário gravou um vídeo de 14 minutos, no qual ele dava mais de 15 medicamentos para a mãe. No registro, ele dizia estar cansado da vida. Em seguida, ele disparou contra a cabeça da idosa e, na sequência, contra a própria cabeça. O cachorro da mulher também morreu, mas não apresentava ferimentos. O vídeo foi recebido pelo irmão de Thiago, que ligou para uma investigadora de polícia relatando o conteúdo da gravação. Diante disso, policiais voltaram à casa, onde encontraram Sueli morta na cama do quarto e o ex-secretário ao lado, caído no chão. Os disparos foram feitos por um revólver calibre 38, encontrado entre as pernas do autor. Das cinco balas, três haviam sido deflagradas. Em nota, a Prefeitura de Guarujá informou que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado às 20h54 e chegou ao local do crime às 21h10, onde constatou as mortes. Foram apreendidos no local do crime três telefones celulares, um notebook, uma caixa de munição e a arma do crime. Foi requisitado o exame pericial para a cena do crime, bem como o exame necroscópico, realizado pelo Instituto Médico Legal (IML) para as vítimas. A arma apreendida também será periciada pelo Instituto de Criminalística (IC). Professor Thiago trabalhava há cerca de cinco anos na Prefeitura de Guarujá, e há quatro, como secretário de Modernização e Transformação Digital. Ele também era professor universitário, pesquisador e Ph.D em Direito. Segundo a Administração Municipal, na data do crime, ele havia sido exonerado do cargo a pedido.