Igor Peretto (à esquerda) foi encontrado morto. O cunhado Mário Vitorino (segundo da esquerda para direita) está foragido. Irmã da vítima, Marcelly (terceira da esquerda para a direita) e a viúva de Igor, Rafaela (à direita) seguem presas (Reprodução e redes sociais) A irmã de Igor Peretto, Marcelly Marlene Delfino Peretto, e a viúva dele, Rafaela Costa da Silva, estão presas desde sexta-feira (6). O cunhado Mário Vitorino da Silva também é acusado pelo crime e segue foragido. Pouco mais de 10 dias depois do assassinato do comerciante em um apartamento de Praia Grande, A Tribuna relembra o que se sabe sobre o crime até aqui. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O que a polícia diz Igor Peretto, de 27 anos, foi assassinado a facadas dentro do apartamento da irmã (Marcelly), que fica na Avenida Paris, no Bairro Canto do Forte, em Praia Grande, no dia 31 de agosto. A Polícia Civil ainda não confirma quem matou Igor. Dentro do imóvel onde aconteceu o crime, estiveram Igor, Rafaela, Marcelly e Mario. As duas mulheres foram presas na última sexta-feira (6), mas o cunhado da vítima segue foragido, após a prisão dele ser decretada no dia 2. Igor e Marcelly eram irmãos somente por parte de pai. O que os advogados dizem Segundo o advogado criminalista Marcelo Cruz, responsável pela defesa de Rafaela, ela relatou à Polícia Civil que mantinha um relacionamento amoroso com o cunhado de Igor, Mário Vitorino da Silva. Mário é o marido da irmã da vítima, Marcelly Marlene Delfino Peretto, com quem Rafaela também se envolveu amorosamente antes do crime. Cruz disse que Igor teria descoberto a traição da esposa quando Rafaela ligou para Mário, quando os dois estavam juntos. “A vítima estava ao lado do Mário na hora da ligação. Ele ficou nervoso, tirou satisfação com ela e com a irmã, mas, a Rafaela ficou assustada e saiu do apartamento. Quando ela saiu, eles subiram”, conta. De acordo com o advogado, Rafaela, ao se apresentar na delegacia, relatou que não fez nenhuma transferência bancária da conta de Igor e entregou o seu celular à Polícia. “A prova pericial do telefone confirmará tudo que ela está alegando e, a partir da juntada desses laudos periciais, é que eu vou solicitar a revogação da prisão ao delegado”, explica. As provas, o celular de Rafaela e as imagens das câmeras de segurança do prédio de onde aconteceu o assassinato estão sendo periciados pelo Instituto de Criminalística da Polícia Científica do Estado de São Paulo, que não tem prazo para concluir os trabalhos e apresentar os laudos. Em relação a prisão temporária, Cruz explica que ela foi expedida temporariamente no prazo de 30 dias, renovável por mais 30, “por se tratar de um crime hediondo. Se o crime não fosse hediondo seria de cinco dias”. Mesmo assim, a defesa espera pela soltura de Rafaela. “Otimista para que as provas que acabam sendo carreadas confirmem toda a versão apresentada pela Rafaela para daí eu ir solicitar a revogação da prisão dela”, afirma o advogado. Sobre a relação que as duas tinham, o atual advogado de Marcelly, Leandro Weissman, também confirmou que as duas se beijaram antes do assassinato. “Ambas estavam bêbadas e a Rafaela, aproveitando-se da embriaguez de Marcelly, a beijou. Marcelly, por sua vez, diz que não correspondeu ao beijo e que foi a primeira vez que isso aconteceu’, explica o advogado. Segundo Weissmann, Marcelly alegou que a cunhada Rafaela demonstrava interesse amoroso nela. No dia em que o assassinato aconteceu, elas chegaram a se abraçar e beijar. “Ambas tinham bebido muito, e ela (Marcelly) ainda estava zonza quando isso aconteceu”, afirmou o advogado. Para A Tribuna, o advogado de Marcelly ressaltou que ela indignou-se ao saber que seria presa. “(Marcelly) ficou totalmente indignada, porque morreu o irmão dela. Ela viu o irmão ser morto, e não teve qualquer participação. Por isso, está sofrendo”, revelou Weissmann. O advogado de Marcelly afirmou que as movimentações começariam a ser estudadas a partir desta segunda-feira (9), quando teria acesso ao processo que culminou na prisão de Marcelly. Após isso, a acusada deve prestar novo depoimento à polícia. “Ela se colocou à disposição para prestar um novo depoimento tão logo a defesa tenha acesso às provas do que constou no processo”, esclareceu Weissman. Marcelly, quando foi se apresentar pela primeira vez na delegacia, em 2 de setembro, era representada pelo advogado Felipe Pires de Campos, que agora é assistente de acusação da família. Na ocasião, a acusada prestou depoimento na condição de testemunha declarante à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Praia Grande. Segundo Campos, ela alegou que Igor foi morto por Mário devido a uma relação extraconjugal. "O Mário acabou esfaqueando o Igor, que, em tese, teria (...) coagido ou pressionado para que a Marcelly descesse junto e saísse do apartamento para não ficar lá como testemunha", explicou Campos. O advogado também disse que Marcelly estava no imóvel na hora do crime, mas não viu o que houve porque ficou em um quarto lateral. Víuva e irmã da vítima tinham relação próxima Conforme apurado por A Tribuna, a viúva de Igor Peretto, Rafaela Costa da Silva, tinha uma relação próxima com a irmã dele, Marcelly Marlene Delfino Peretto, de acordo com vídeos publicados na rede social TikTok. Além do advogado de Marcelly, Leandro Weissman, confirmar que elas se beijaram antes do assassinato, no TikTok, Rafaela postou vários vídeos que mostram a relação próxima com Marcelly. Nas publicações, que datam de cerca de três anos atrás até março deste ano, é possível ver as duas mulheres dançando juntas em festas e na praia, sendo que uma deles mostra as duas encostando os rostos. As legendas das postagens ainda destacam essa relação próxima. Em um dos vídeos publicados por Rafaela, ela escreve: “Além de ser linda por fora, você é maravilhosa por dentro! Você é minha princesa, Te amo”. Já em outro vídeo, publicado em março deste ano, ela presenteia Marcelly com um bolo de aniversário escrito “Te amo minha pessoa”. Na legenda do vídeo, escreveu "Feliz vida, meu amor". Carro abandonado em motel O carro de Mário foi encontrado na última quinta-feira (5) em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo. O veículo tinha marcas de sangue, foi periciado e levado pela polícia até a DIG de Praia Grande. O carro usado na fuga foi encontrado em Pindamonhangaba; Rafaela e Mario ficaram horas em um motel (Reprodução) De acordo com informações da Polícia Civil, o casal ficou cerca de 3 horas hospedado em um motel no Bairro Jardim Morumbi. O carro foi encontrado abandonado nas proximidades do local. Síndica e boletim de ocorrência De acordo com o boletim de ocorrência, após serem chamados e chegarem ao prédio, policiais militares foram atendidos pela síndica. Ela relatou aos PMs que, durante a madrugada, ouviu barulho e gritaria vindos do apartamento, no quarto andar. Os vizinhos foram até a porta do apartamento, tocaram a campainha e bateram à porta, mas não foram atendidos. A síndica contou aos agentes que viu, por câmeras de monitoramento do prédio, que Marcelly e Rafaela chegaram ao edifício e entraram no apartamento. Era por volta de 4h35. Quase uma hora depois, Mário e Igor apareceram e pediram ao porteiro para entrar. A irmã de Igor só permitiu que subissem caso os dois fossem juntos ao apartamento. Ainda com base nas câmeras, por volta de 6h, Mário e Marcelly deixaram o apartamento, desceram pela escadaria e foram para a rua pelo estacionamento. Conforme os PMs, havia a impressão de que Igor e Rafaela poderiam estar no imóvel, cujo corredor de acesso havia sangue. Rafaela, porém, não estava lá. O apartamento foi aberto com ajuda de um chaveiro. Policiais acharam o corpo de Igor caído no quarto, perto da janela. O boletim de ocorrência aponta luta corporal, porque o imóvel estava 'revirado' e com marcas de sangue. Uma faca ensanguentada foi encontrada perto da porta. Caso sejam condenados(as) O assassinato de Igor Peretto é classificado como homicídio qualificado. Em caso de condenação, conforme versa a Lei 8.072/1990, os culpados poderão ser condenados a uma pena que varia de 12 a 30 anos de prisão em regime fechado. Quem era Igor O comerciante Igor Peretto, de 27 anos, é irmão do vereador de São Vicente, Tiago Peretto (União Brasil), que não tem relação com o caso. A vítima era proprietária de uma loja de veículos e também trabalhava com uma agência de mídias digitais e campanhas publicitárias. Igor deixou um filho menor de idade e a esposa, que atualmente segue presa. Nas redes sociais, ele publicava fotos de shows e viagens feitas com Rafaela e o filho. Além disso, fazia postagens pessoais e também algumas que tinham relação com o trabalho. Recompensa por Mário A família de Igor Peretto, através de postagens nas redes sociais, oferece uma recompensa de R\$ 50 mil para quem encontrar Mario Vitorino da Silva Neto, cunhado de Igor e que está foragido. Atualizações Conforme apurado, a Polícia Civil está realizando diligências para encontrar Mário e descobrir mais detalhes do crime. O caso segue sendo investigado.