Marcelo de Oliveira Rocha era mestrando na Unifesp em Santos (Reprodução / Redes sociais) O sonho de se tornar professor e ampliar os conhecimentos sobre a vida marinha levou o engenheiro ambiental Marcelo de Oliveira Rocha, de 28 anos, a ingressar no mestrado da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em Santos, no litoral de São Paulo, neste ano. Aos poucos, ele também começava a conquistar oportunidades fora do País, com planos de realizar estágios científicos na Alemanha e na França. O jovem, porém, teve a trajetória interrompida na madrugada do último dia 24, após ser agredido ao se afastar de um ato político na cidade da Baixada Santista. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A orientadora de Marcelo, Fabiane Gallucci, docente e pesquisadora do Instituto do Mar da Unifesp, contou em entrevista ao g1 Santos e Região que o engenheiro já havia sido pré-selecionado em um edital de apoio financeiro para realizar um estágio na França. A pesquisa desenvolvida pelo estudante também contava com colaboração internacional de um instituto científico da Alemanha. Marcelo ingressou na Unifesp em 2017, no Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia do Mar (BICT-Mar). Formou-se em 2021 e, no mesmo ano, começou a graduação em Engenharia Ambiental, concluída em 2023. Após trabalhar na capital paulista, retornou à universidade em 2026 para cursar o mestrado no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Ecologia Marinha e Costeira. Na época da graduação, o engenheiro se mudou para a Baixada Santista para estudar, enquanto o restante da família permaneceu na Capital. Depois, voltou a São Paulo, mas dividia a rotina entre as duas cidades. Marcelo focou no sonho de ser professor, afirmou o pai, Marcelo Rodrigues da Rocha, ao g1 Santos e Região. Segundo ele, Marcelo era conhecido pela bondade, alegria e personalidade extrovertida. Paixão pela Ciência Segundo a orientadora, Marcelo se destacava desde o início da graduação pela dedicação à vida acadêmica. Além das atividades de pesquisa, participou de projetos de monitoria e extensão universitária, conquistando a admiração de professores e colegas. No mestrado, estudava a biodiversidade de animais microscópicos associados a fontes hidrotermais no mar profundo. A pesquisa, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), buscava ampliar o conhecimento sobre esses ecossistemas e contribuir para sua conservação. Em homenagem ao estudante, o Campus Baixada Santista da Unifesp suspendeu as aulas e atividades na terça-feira (27). Relembre o caso Marcelo participou de uma apresentação da Banda Esquerdantina, em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na madrugada do último dia 24. Ao se afastar do evento para ir ao banheiro, foi espancado e roubado por um grupo que transmitiu o crime ao vivo. A ação criminosa ocorreu por volta das 3h, na Rua Henrique Ablas. Imagens de câmeras de segurança mostram Marcelo, sozinho e usando camiseta branca, sendo abordado por dois homens. Em seguida, outros integrantes do grupo se aproximam e o cercam. Durante a transmissão ao vivo, um dos ladrões exige o celular e ameaça matar o engenheiro caso não entregue o aparelho. Na sequência, a vítima é atingida por um soco e cai. Após a agressão, os criminosos pegam os pertences de Marcelo. Ao perceber que ele está desacordado, um deles comenta: “Vish, nossa. Dormiu, louco”. Pessoas que acompanhavam a transmissão também aparecem interagindo com quem filmava. O TikTok, no entanto, não informou se esses usuários também tiveram as contas banidas, como a responsável pela live. Preocupados com a demora, amigos procuraram Marcelo e o encontraram inconsciente. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) o levou à Santa Casa de Santos. Depois, o engenheiro foi transferido para o Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na Capital, mas não resistiu. Grupo cobra justiça Após a confirmação da morte, a Banda Esquerdantina divulgou uma nota lamentando a perda. “Marcelo era um de nossos inúmeros amigos, razão de existirmos como grupo. Sua perda nos indigna ao mesmo tempo em que denuncia a vulnerabilização dos que se reúnem no campo democrático para expressar sua opinião e o direito de ser quem somos”, diz trecho da publicação. Ainda na nota, o grupo criticou a falta de proteção oferecida para o evento e cobrou a punição dos responsáveis. “Marcelo morreu na defesa de uma sociedade justa e fraterna representada na causa que apoiou e que venceu. Toda solidariedade e apoio aos familiares e amigos. Justiça Para Marcelo”, declarou a banda. A Polícia Civil descartou qualquer motivação de cunho político ou homofóbico. Segundo o NOAD, o bando agia de forma oportunista para realizar roubos e furtos de celulares e correntinhas, gravando e transmitindo as abordagens em tempo real na internet.