[[legacy_image_261366]] Uma enfermeira, de 43 anos, de uma casa de repouso na Ponta da Praia, em Santos, foi agredida por um socorrista e motorista de 62 anos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O motivo da discórdia foi a remoção de uma idosa de 85 anos, residente do local (ver vídeo mais abaixo). A Polícia Militar foi chamada e o caso foi registrado na Central de Polícia Judiciária de Santos (CPJ). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O problema aconteceu por volta das 21h20 de sexta-feira (14), sob os olhares da família da idosa - a filha e o genro - e de um casal de clientes que estava no local. "Todos ficaram inconformados com a negativa da remoção", conta a enfermeira da casa de repouso. Maria Aparecida da Silva Ferreira acionou o Samu porque a residente estava com pressão baixa, dificuldades respiratórias e estado de confusão mental, além de ser acamada e portadora da Doença de Parkinson. A enfermeira do Samu aferiu a pressão e concluiu que a idosa estaria estável, sem a necessidade de remoção. "Eles disseram que a idosa não precisava de um atendimento de emergência e que os socorristas não poderiam pegar peso, em virtude de um deles ter problema na coluna", conta Maria Aparecida. No Boletim de Ocorrência, a enfermeira do Samu explicou que, precisaria de mais duas pessoas para que evitar a queda da idosa durante a remoção, alegando questão de segurança da própria paciente. A profissional da casa de repouso, inclusive, alega que se ofereceu para ajudar. "Com toda a certeza. Amo o que faço. Sou muito dedicada a minha profissão e faço tudo o que estiver ao meu alcance pelos meus idosos. Trato-os como meus filhos". Diante da negativa do Samu, Maria Aparecida passou a filmar a ação, pedindo para que fosse explicado o porquê dessa conduta. Minutos depois, veio a agressão. "Então, o homem, brutalmente, me dá um tapa com muita força na minha mão para atingir o celular, porém acaba atingindo o meu rosto, ferindo assim o meu supercílio", conta. Após 40 minutos de debates e confusão, segundo a enfermeira da casa de repouso, chegaram mais duas ambulâncias, sendo uma de suporte básico e a outra de suporte avançado - esta última levou a idosa para o hospital. Ela segue internada e fazendo exames, pois também foi diagnosticada com infecção urinária e alterações de sódio. "Quero deixar claro que não tenho nada contra o Samu, porém esta equipe encontra-se totalmente despreparada para a profissão que ocupa. Não tiveram empatia e nem compaixão, pois a filha implorava para que eles socorressem a mãe dela e se negavam durante todo o tempo", desabafa Maria Aparecida. Já a enfermeira, depois do registro da queixa, esteve na Santa Casa de Santos, foi medicada com calmante e analgésico, além de ter se submetido a um exame de tomografia. "E, agora, agendei para passar pelo psicólogo. Ainda estou muito abalada. Ficou o trauma, mas creio que vou me recuperar e lutar para que a justiça seja feita. Que ninguém tenha que passar pelo que eu passei ao solicitar socorro para uma pessoa que necessitava de ajuda", afirma. Outro lado Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que o chamado realizado pela instituição de longa permanência foi atendido pelo Samu, inicialmente com uma ambulância de suporte básico de vida, e a conclusão (remoção da idosa) foi realizada com uma ambulância de suporte avançado de vida, ou seja Unidade de Terapia Intensiva (UTI), 'seguindo todos os protocolos necessários para o bem-estar da paciente'. "A equipe do Samu foi alvo de ameaças e agressão verbal no local, conforme registrado em boletim de ocorrência. Todos os profissionais envolvidos no referido atendimento estão sendo ouvidos pela SMS (Secretaria Municipal de Saúde), inclusive o funcionário que aparece no vídeo, para apuração dos fatos e aplicação de eventuais penalidades pela administração municipal", afirmou.