Antônio Vinícius Gritzbach delatou o esquema em Bertioga (Reprodução e Vanessa Rodrigues/ AT) O empresário Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, assassinado no Aeroporto de Guarulhos (SP) na sexta-feira (8), estava colaborando com as investigações sobre esquemas de lavagem de dinheiro com imóveis de luxo ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) em Bertioga, cidade do litoral de São Paulo. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme divulgado pela CNN, que teve acesso ao acordo de delação premiada com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo, Gritzbach atuava no mercado imobiliário e forneceu detalhes sobre imóveis ligados ao tráfico e a organizações criminosas. Ele revelou que ajudou a lavar dinheiro do PCC por meio da compra de dois imóveis de luxo em Bertioga, especificamente na Riviera de São Lourenço, um bairro planejado de alto padrão. De acordo com o acordo de delação, um dos imóveis envolvia um pagamento de R\$ 5 milhões, enquanto o outro totalizou R\$ 2,2 milhões. Ambos foram adquiridos e registrados nos nomes de "laranjas", para ocultar a verdadeira origem do dinheiro. Vinícius Gritzbach revelou ainda que a negociação dos imóveis foi intermediada por Cláudio Marcos de Almeida, conhecido como "Django", um membro de destaque do PCC, que foi morto em 2022. O empresário afirmou ter conhecido Django em 2019, quando ajudou a filha do criminoso a alugar uma casa de temporada em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo. Ainda conforme o empresário, os pagamentos desses imóveis foram feitos com uma parcela inicial de R\$ 4 milhões à vista e o saldo restante em diversas parcelas. O processo de lavagem de dinheiro seguiu o mesmo padrão em ambas as transações. A delação detalha que o pagamento pelo segundo imóvel na Riviera de São Lourenço incluiu uma parcela de R\$ 1,35 milhão no ato da compra, mais R\$ 600 mil e outras cinco parcelas de R\$ 50 mil. Além desses dois imóveis, Vinícius Gritzbach mencionou a existência de, pelo menos, outros dez que também foram comercializados por meio da organização criminosa. Entre eles, um imóvel de R\$ 15 milhões, localizado na zona leste de São Paulo, foi comprado através de contratos com incorporadoras e também teria sido adquirido com recursos ilícitos. Delação premiada Por meio de seu acordo de delação, Vinícius Gritzbach obteve benefícios como redução de pena e a possibilidade de cumprir regime aberto, desde que não fosse condenado por crimes mais graves. O empresário ainda se comprometeu a ressarcir R\$ 15 milhões aos cofres públicos, referentes aos lucros obtidos com as atividades ilegais. Além de detalhar esquemas de lavagem de dinheiro, Gritzbach também forneceu informações sobre policiais que estariam envolvidos com o crime organizado. Em sua colaboração, ele prometeu dar nomes de policiais pertencentes ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e 24º Distrito Policial da Capital, que teriam ligação com as atividades criminosas.