Rodrigo de Paula Morgado, de Santos, apontado pela Polícia Federal (PF) como operador financeiro de um esquema ligado a uma organização criminosa suspeita de lavar mais de R\$ 1,6 bilhão, teve a liberdade concedida nesta segunda-feira (17), no âmbito da Operação Narco Bet. Conforme apurado por A Tribuna, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) concedeu habeas corpus favorável ao empresário em relação a essa ação. No entanto, ele pode continuar preso por um processo que ainda responde no Rio de Janeiro. Morgado está preso há 10 meses, desde a deflagração da Operação Narco Bet. Em abril deste ano, mesmo detido, ele também passou a ser incluído em uma nova investigação, com a deflagração da Operação Narco Fluxo. O influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, de 28 anos, conhecido como Buzeira, detido na Narco Bet, também teve a liberdade concedida. Segundo a PF, Morgado exercia papel central na engrenagem financeira do grupo criminoso e já havia sido apontado como contador do Primeiro Comando da Capital (PCC). As investigações indicam que ele seria responsável por articular transferências bancárias, viabilizar repasses em nome de terceiros e atuar em estratégias de ocultação de patrimônio. A corporação também aponta que Morgado prestava serviços de gerenciamento financeiro para atender às demandas de outros investigados. Defesa O advogado Felipe Pires de Campos, que representa Morgado, disse que o TRF-3 concedeu habeas corpus em favor do empresário, determinando sua colocação em liberdade mediante o cumprimento de medidas cautelares, no processo relacionado à Operação Narco Bet. Para A Tribuna, o defensor contou que Morgado está preso na Penitenciária de Caiuá, na região de Presidente Prudente. Segundo Campos, sua soltura deve depender de um processo que corre no Rio de Janeiro. O advogado afirmou que o julgamento que teve resultado favorável ao cliente ocorreu nesta segunda-feira (17). "Basicamente eles reconheceram o excesso de prazo na instrução, que as audiências foram todas canceladas agora recentemente, por falta de acesso. Nós não tivemos acesso a uma parte da prova, e aí o tribunal reconheceu que havia excesso de prazo, uma demora injustificada”. Segundo Campos, a decisão representa um importante reconhecimento das teses apresentadas pela defesa, especialmente quanto à desnecessidade da manutenção da prisão preventiva. Rodrigo seguirá respondendo ao processo normalmente e deverá cumprir rigorosamente todas as determinações impostas pelo Tribunal. Histórico Antes das operações policiais, o nome do empresário ganhou repercussão na Baixada Santista após o episódio envolvendo o sorteio de um Jeep Compass em uma confraternização da Quadri Contabilidade, do qual é proprietário. A funcionária contemplada foi posteriormente demitida e teve o veículo retomado pela empresa. O caso terminou em acordo entre as partes. O empresário Rodrigo Morgado já havia sido preso em flagrante, no fim de abril de 2025, por porte ilegal de arma. A prisão ocorreu no âmbito da Operação Narco Vela, deflagrada pela PF contra uma organização criminosa envolvida com o tráfico internacional de drogas. Segundo a PF, o armamento foi encontrado dentro de uma Lamborghini Urus roxa, veículo associado a Morgado, avaliado entre R\$ 3 milhões e R\$ 4 milhões, em São Paulo, onde o empresário foi preso. Outro carro de luxo ligado a ele, uma Ferrari 296 GTB, avaliada em R\$ 4,2 milhões, foi apreendido na Riviera de São Lourenço, em Bertioga. A Operação Narco Vela investiga uma organização criminosa que utilizava barcos e veleiros para transportar drogas do Brasil para a Europa e a África. Conforme noticiado por A Tribuna, a investigação apura o envio de pelo menos oito toneladas de cocaína ao exterior, carga estimada em R\$ 1,3 bilhão. Em outubro de 2025, Morgado voltou a ser preso, desta vez na Operação Narco Bet, apontada pela PF como um desdobramento da Narco Vela. A nova investigação passou a apurar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional de drogas. Segundo a PF, Morgado era responsável por movimentações financeiras do grupo por meio de apostas esportivas. Já em abril de 2026, mesmo preso, o empresário foi incluído entre os alvos da Operação Narco Fluxo. Segundo a PF, ele atuava como operador financeiro de uma organização criminosa suspeita de lavar mais de R\$ 1,6 bilhão. A investigação também apontou que Morgado teria participado da articulação de transferências bancárias, repasses em nome de terceiros e estratégias de ocultação patrimonial.