Buzeira e o contador Rodrigo Morgado, de Santos, presos durante a Operação Narco Bet da Polícia Federal, já foram encaminhados ao sistema prisional de São Paulo (Reprodução/ Redes sociais) O Ministério Público Federal (MPF) denunciou à Justiça Federal de Santos cinco pessoas acusadas de integrar uma organização criminosa investigada na Operação Narco Bet, que apura suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo rifas ilegais, apostas esportivas, criptomoedas e movimentações financeiras internacionais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Entre os denunciados está o influenciador digital Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como Buzeira, além do empresário Rodrigo de Paula Morgado, nome que já apareceu em investigações policiais, relacionadas inclusive ao Primeiro Comando da Capital (PCC) - o executivo de Santos é apontado como "contador" da facção. Segundo o g1 Santos e Região, a denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPF em São Paulo, e atribui aos investigados os crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e falsidade ideológica. Além de Buzeira e Morgado, também foram denunciados Abelardo Dantas Alvares, Gustavo Afonso Ribeiro e Lacerda e Nickolas Tadeu Ribeiro de Campos. O processo foi inicialmente distribuído à 5ª Vara Federal de Santos, mas, em razão das regras do Juízo das Garantias, acabou redistribuído à 6ª Vara Federal, que analisará o recebimento da denúncia e os próximos passos da ação penal. Segunda denúncia da Operação Narco Bet Esta é a segunda denúncia apresentada pelo MPF no âmbito da Operação Narco Bet. A primeira, oferecida em novembro de 2025, teve como alvo 11 investigados suspeitos de integrar um esquema de lavagem de dinheiro associado a rifas ilegais, apostas irregulares e tráfico internacional de drogas. De acordo com os procuradores, as investigações apontam para uma estrutura organizada, com divisão de tarefas e uso de empresas do setor de apostas esportivas, operações financeiras internacionais, estruturas offshore e movimentações com criptomoedas para ocultar a origem dos recursos. Ainda segundo o MPF, os valores movimentados teriam ligação com crimes antecedentes, entre eles fatos investigados em procedimentos relacionados ao tráfico internacional de drogas, rifas não regulamentadas e exploração irregular de apostas. Buzeira seria controlador oculto de empresas de apostas Conforme a denúncia, Buzeira é apontado como financiador, controlador oculto e beneficiário econômico final das marcas BRXBET e RICOBET. Embora não aparecesse formalmente nos quadros societários das empresas, o influenciador teria participação direta nas decisões estratégicas e na condução das operações ligadas às plataformas de apostas. Para os procuradores, a ausência do nome de Buzeira nos registros empresariais fazia parte de uma estratégia destinada a ocultar o controle econômico dos negócios e reduzir a exposição perante órgãos fiscalizadores. O influenciador, de 28 anos, ganhou notoriedade nas redes sociais promovendo rifas e sorteios de veículos de luxo, joias, relógios e outras ações promocionais. Ele foi preso pela Polícia Federal em outubro de 2025, em uma mansão localizada em Igaratá, no interior de São Paulo, e atualmente está custodiado no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Caiuá. Criptomoedas, offshores e remessas ao exterior A denúncia também descreve a utilização de criptomoedas para movimentação dos recursos investigados. Segundo o MPF, valores oriundos de rifas não regulamentadas eram recebidos em carteiras digitais, convertidos em moeda tradicional e posteriormente repassados aos beneficiários finais das operações. Os procuradores citam ainda o uso de empresas offshore, contratos considerados simulados, emissão de documentos para justificar remessas internacionais e operações de câmbio informal, mecanismos que teriam sido empregados para dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos. As investigações também apontam a utilização de "testas de ferro" para ocultar os verdadeiros controladores das empresas envolvidas e conferir aparência de legalidade às movimentações financeiras. A denúncia ainda será analisada pela Justiça Federal, que decidirá se recebe ou não a acusação apresentada pelo Ministério Público Federal.