Diego Lameiro (à esquerda) é acusado de ser operador financeiro e responsável por dar suporte à lavagem de dinheiro do grupo liderado por Victor Shimada (à direita) (Reprodução) O microempresário de Santos, Diego Lameiro Diz, de 40 anos, é apontado pela Polícia Federal (PF) como operador financeiro e responsável por dar suporte à lavagem de dinheiro do grupo liderado por Victor Henrique de Oliveira Shimada, alvo de sanções impostas pelos Estados Unidos por suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Ambos têm mandados de prisão preventiva em aberto. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Na última sexta-feira (3), a Polícia Federal deflagrou a Operação Exchange para desarticular uma organização criminosa acusada de lavar dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. Diego, Shimada e outras nove pessoas estão entre os investigados. Segundo a corporação, as apurações apontam, de forma preliminar, que o esquema financeiro movimentou mais de R\$ 10 bilhões. Diego nasceu em Santos, no litoral de São Paulo, e tem endereço cadastrado em São Vicente, também na Baixada Santista. Conforme noticiado por A Tribuna, ele foi identificado por autoridades norte-americanas e passou a chamar a atenção da Polícia Federal após mensagens trocadas com Shimada sobre a produção de alho em Mendoza, na Argentina, onde trabalha. A Tribuna teve acesso à representação da Polícia Federal encaminhada à Justiça. No documento, a corporação aponta o microempresário de Santos como operador financeiro e responsável por dar suporte à lavagem de dinheiro por meio da abertura de empresas de fachada nos Estados Unidos e no Brasil. Segundo a representação, Diego possui mais de 15 empresas registradas, todas com atividade principal voltada ao comércio de alimentos e constituídas em curto espaço de tempo. O documento destaca que, pelo menos, oito delas foram abertas entre 2023 e 2024. O relatório também cita cinco comunicações de operações financeiras suspeitas em nome de Diego, que, somadas, alcançam R\$ 4,47 milhões. Perfil De acordo com informações publicadas em uma de suas redes sociais, Diego cursou Logística na Faculdade de Tecnologia (Fatec) Rubens Lara, em Santos, entre 2004 e 2008. Ele também afirma ter iniciado o curso de Engenharia de Produção em uma universidade da cidade, mas diz que interrompeu a graduação ao se mudar para o exterior, em 2014. Em outro perfil, Diego informa atuar no agronegócio brasileiro e no comércio internacional e utiliza emojis de frutas, verduras e legumes, entre eles o de um alho. Defesas O advogado Vítor Vitorio, que representa Diego, informou, por meio de nota, que recebeu com preocupação as últimas decisões judiciais e reafirmou que o seu cliente permanece à disposição para colaborar com as autoridades e contribuir para o esclarecimento dos fatos. "É importante destacar que a investigação ainda se encontra em fase preliminar, inexistindo qualquer juízo de culpa ou condenação. A Constituição Federal assegura a todo cidadão o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e, sobretudo, a presunção de inocência". O defensor acrescenta que a defesa não medirá esforços e confia que, ao final da apuração, os fatos serão devidamente esclarecidos e a inocência de Diego Lameiro será reconhecida, motivo pelo qual não fará comentários sobre o mérito da investigação neste momento, "em respeito ao sigilo processual e à regularidade das diligências em curso". Por fim, o advogado afirmou que trabalha para que seu cliente possa prestar depoimento às autoridades da forma "mais justa e segura". Já Yuri Cruz, advogado de Victor Henrique de Oliveira Shimada, informou que tomou conhecimento da decisão que decretou a prisão preventiva do cliente e que, embora já tenha acesso ao teor da medida, ela ainda será analisada de forma criteriosa, especialmente quanto aos fundamentos que embasaram sua decretação. "Concluída essa análise, a defesa adotará todas as medidas jurídicas e processuais que entender cabíveis, inclusive visando a revogação da prisão preventiva". O advogado acrescentou que reafirma seu compromisso com o devido processo legal e adotará todas as providências necessárias para assegurar o pleno exercício do direito de defesa, sempre pelos meios juridicamente adequados. Alho argentino Na representação, a Polícia Federal afirma ter identificado conversas nas quais Shimada solicita a Diego fotos e vídeos da produção de alho na qual ele trabalha, na Argentina, informando que teria uma reunião com um possível comprador. O documento também registra que a investigação identificou diversos casos de entrada ilegal de alho argentino no Brasil e cita outras negociações envolvendo o produto, com troca de imagens e detalhes da comercialização. A representação, no entanto, contextualiza essas conversas no âmbito da investigação e não afirma que Diego tenha participado diretamente do contrabando. Para a PF, esse tipo de atividade pode ter sido utilizado para movimentar recursos da organização criminosa. Operação Exchange A Operação Exchange foi deflagrada pela Polícia Federal no último dia 3 para desarticular uma organização criminosa acusada de lavar dinheiro oriundo do tráfico internacional de drogas. A investigação resultou no cumprimento de mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em cidades da Baixada Santista e da Grande São Paulo. Ao todo, a Justiça expediu 11 mandados de prisão preventiva e 13 de busca e apreensão. Três investigados continuam foragidos: Victor Henrique de Oliveira Shimada, Romany Cutolo Bonente, conhecido como "Roma", e Diego Lameiro Diz. Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira foi presa durante a operação. Shimada e Stella também foram alvo de sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos nesta semana por suposta ligação com o PCC. Segundo a PF, o grupo utilizava um sistema estruturado para movimentar recursos por meio de transferências ilícitas de criptoativos, transporte de dinheiro em espécie, operações bancárias de alto valor e repasses entre pessoas físicas e jurídicas. Os investigados poderão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Conforme noticiado por A Tribuna, a operação cumpriu mandados em Santos, Praia Grande, na capital paulista e em Santana de Parnaíba. As ordens foram expedidas pela 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo. A Polícia Federal antecipou a deflagração da operação após o governo dos Estados Unidos aplicar sanções contra investigados por suposto envolvimento com o PCC. Segundo o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, a medida adotada pelas autoridades norte-americanas exigiu a antecipação da ação, alterando o planejamento inicial da operação.