Polícia suspeita que o comprador atue de forma reiterada na receptação de produtos químicos desviados (Polícia Civil) A Polícia Civil cumpriu mandado de busca e apreensão em Jundiaí, no interior de São Paulo, em uma investigação que apura o furto de 1.500 litros de solvente (aguarrás) de uma empresa química, com sede em Santos. A investigação, realizada por agentes do 3º Distrito Policial (DP) de Santos, resultou na apreensão de tonéis com produtos químicos, dezenas de folhas de cheque, um celular e documentos comerciais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O caso aconteceu no último dia 25, uma quinta-feira. De acordo com o boletim de ocorrência, os policiais estiveram em um imóvel localizado na Rua Irmã Maria de São Luiz, na Vila Josefina. No local, foram apreendidos 48 tonéis de barrilha de cloro (com 50 kg cada), um barril de 200 litros de silicone, um barril de 50 litros de essência para desinfetante, 74 folhas de cheques em nome de diversos titulares e bancos, um caderno com anotações contábeis e um aparelho celular. A perícia coletou três amostras dos materiais químicos para análise laboratorial. A Tribuna teve acesso a um termo de representação da Polícia Civil, que diz que a apreensão tem relação com uma investigação iniciada em Santos, a qual identificou o furto de solvente da empresa química. O crime teria sido praticado por um ex-funcionário da companhia, que confessou a subtração do material e apontou como comprador da carga um empresário, morador de Jundiaí e responsável por uma outra empresa química. Ainda conforme o termo, o suspeito teria adquirido os 1.500 litros de aguarrás por R\$ 5 mil, parte via transferência bancária e parte em espécie. A empresa atribuída ao investigado está atualmente inativa na Receita Federal, o que, segundo os investigadores, pode indicar o uso do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) como fachada para atividades ilícitas. Mensagens trocadas entre os dois homens revelariam a intenção do empresário de realizar novas aquisições de material de origem criminosa. A Polícia Civil suspeita que o comprador atue de forma reiterada na receptação de produtos químicos desviados, podendo inclusive integrar uma estrutura criminosa voltada à reintrodução irregular desses insumos no mercado, tanto formal quanto informal. A corporação também apura possíveis crimes contra a ordem tributária e lavagem de dinheiro. Segundo a corporação, a análise do conteúdo extraído do celular apreendido e os demais elementos recolhidos devem embasar novas buscas e investigações, que podem chegar no indiciamento por receptação qualificada (artigo 180, §1º do Código Penal) e outros crimes previstos na Lei 8.137/90 (ordem tributária) e na Lei 9.613/98 (lavagem de capitais).