[[legacy_image_247502]] O homem que foi preso acusado de tentar sequestrar uma criança em Praia Grande é um turista da capital, de 35 anos, que sofre de transtornos mentais e estava em surto psicótico. A família acredita que ele tenha confundido a vítima com o filho dele e luta para que o homem receba tratamento ambulatorial adequado. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A Tribuna teve acesso ao laudo médico e à decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) que solicitou a transferência do preso do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Praia Grande para “estabelecimento ou ala adequados à patologia” do acusado – que terá a identidade preservada. O documento foi assinado pelo Juiz de Direito da 2º Vara Criminal de Praia Grande nesta quarta-feira (15), quatro dias após a prisão. Irmã do homem, a enfermeira Karolina Cunha da Conceição, de 23 anos, diz que apesar da decisão, a família segue angustiada, pois além de não ter um prazo para o homem ser transferido, a própria transferência causa dúvidas. “Não estamos aliviados, pois não sabemos quais são as condições que ele estará em uma cadeia psiquiatra”, diz. Segundo ela, os familiares não podem visitar o homem e, por isso, não conseguiram vê-lo desde o surto. “A única informação que tivemos no CDP de Praia Grande é que ele continua surtado”, afirma, lembrando que o tempo sem tratamento correto “pode piorar cada vez mais o caso clínico”. Karolina ainda conta que o irmão é servidor público e atua como técnico de enfermagem. “Trabalha na saúde ajudando diretamente pessoas e tem o convênio Iamspe que já cuida do caso dele. Sabemos que ele precisa de um tratamento contínuo e apenas o hospital que ele já vem fazendo acompanhamento conhece muito bem o caso”. Desta forma, a expectativa da família é que ele seja tratado em uma clínica psiquiatra do convênio. Suposta tentativa de sequestroA enfermeira conta que o irmão chegou a ser internado em julho do ano passado e retornou ao trabalho após se recuperar. No último fim de semana, ele estava no litoral paulista de férias. “Ele tinha alugado um apartamento (em Praia Grande) por uma semana de uma colega do serviço”, ressalta. Empolgado com a viagem, ele queria que o filho também fosse ao local. “Estava muito ansioso esperando a ida desse filho, só que não deu para o menino ir e ele teve esse surto. Talvez quisesse muito que o filho fosse e não foi”. Segundo a irmã, a síndica do condomínio relatou que ele já tinha alugado o imóvel por outra vez e nunca tinha dado trabalho, mas teve um surto e começou a gritar na noite de quinta-feira (9), quando a Polícia Militar (PM) foi acionada e o homem foi levado para receber atendimento de saúde. [[legacy_image_247527]] No mesmo dia, a proprietária do apartamento tentou entrar em contato com os parentes para relatar o ocorrido. “Já era de tarde na quinta e o ocorrido da tentativa de sequestro que ele está sendo acusado foi 6h da manhã (de sexta)”, afirma Karolina. “Então, ele saiu do hospital de alguma forma e nesse surto que estava, não sei se viu o filho dele que é a cara da criança que ele pegou no braço”, diz sobre o momento em que o técnico em enfermagem foi flagrado e preso. O vídeo da prisão foi divulgado nas redes sociais e mostra o homem, sentado na grama, afirmando estar sob o efeito de drogas. No entanto, Karolina diz que o irmão não usou entorpecentes. Segundo ela, a dona do apartamento em que ele estava foi até o local e não encontrou “nenhum resquício de bebida ou droga”. Em nota, o advogado Charles Cabral explica que o acusado “foi diagnosticado como portador de esquizofrenia, sensível a surtos psiquiátricos”. Ainda segundo Cabral, desde o ano passado o seu cliente vem sendo internado compulsoriamente em hospitais que acompanham a evolução do tratamento. “Atualmente vem sendo medicado e acompanhado pelo setor de psiquiatria do hospital do servidor público estadual”. Ainda segundo a nota, no dia dos fatos o acusado estava acometido por um surto psiquiátrico, provavelmente ocasionado pela falta da medicação que necessita tomar diariamente. “Conseguiu ir para a rua sem um acompanhante de sua família e por conta do estado de surto, provavelmente confundiu a criança (suposta vítima) com seu filho, já que tem um filho da mesma idade e ao que tudo indica, tentava levar o mesmo para a praia. Portanto, todas as acusações que lhe foram imputadas são totalmente descabidas e serão cabalmente demonstradas no decorrer do processo”. A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou, em nota, que a determinação judicial foi recebida na quarta-feira (16) e seu cumprimento "está sendo providenciado". Além disso reforçou que, neste momento,o preso em questão está internado na ala psiquiátrica de hospital na Baixada Santista.