[[legacy_image_307342]] Após a divulgação de uma carta relatando anos de abusos sexuais sofridos pelo padrasto, um policial militar reformado de 51 anos, a vítima, de 16 anos, forneceu à polícia um áudio que seria de uma conversa entre os dois. A Tribuna teve acesso ao arquivo nesta sexta-feira (27), onde a pessoa, que seria o acusado, assume a autoria dos estupros e cita ‘permissão de Deus’. (Ouça o áudio mais abaixo) Os estupros teriam começado quando ela tinha 13 anos, em 2020, e durado até 2022. Depois de revelar os supostos crimes à mãe, ela escreveu uma carta relatando os abusos aos advogados que a representam. Segundo o texto, o acusado injetava testosterona nela para que ela ficasse com o corpo “mais bonito” para os abusos. O áudio de 13 minutos começa com o acusado falando sobre o uso de testosterona, onde ele dá broncas na adolescente por não ter usado regularmente o hormônio. Em seguida, ele começa a falar sobre os supostos abusos. “Um ano e meio saindo contigo, é difícil esquecer. A gente não quer, mas fica uma lembrança, não tem jeito. É um bagulho proibido, mas pô, caralho”. Depois ele também reforça que precisou se afastar dela por três a quatro meses. Na sequência, continua a conversa sobre o abuso. “Eu tinha sonhado que tu tava grávida. Que tu tava sentada no sofá lá com aquele barrigão e morando comigo. Porque tudo que acontece na nossa vida, neguinha, Deus permitiu. Se Deus permitiu que fosse teu primeiro homem, saísse contigo, foi porque Deus permitiu”. “Então quer dizer, uma hora, mano, o bagulho ia dar ‘zika’. Uma hora eu não ia aguentar, o bagulho ia acabar ficando mais forte. Ia ser um choque para todo mundo, tua mãe ia matar nós dois, acabar com a vida dela. E o bebê, depois que nascer bonitinho, a gente esquece, mas antes... Aí eu tive que fazer isso aí, não podia contar para ninguém”, continuou. Em determinados momentos, o homem fala que tinha ciúmes da vítima às vezes, enxergando a mãe como amiga e ela como mulher. “Eu fiz tudo com você como se fosse uma mulher real. Tu sabe muito bem disso. Tu tem meu DNA pra sempre no teu corpo”. O caso é investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Praia Grande e o acusado permanece solto, já que a prisão preventiva pedida pela delegada foi negada pela Justiça. O padrasto e a mãe da menina estavam juntos há 12 anos e teriam começado a morar na mesma casa em 2021. A mãe soube dos supostos abusos pouco após o Dia dos Pais deste ano, quando a vítima mostrou áudios que comprometiam o padrasto. A mulher, que também é policial militar, chegou a entrar em luta corporal com o marido. O homem saiu de casa e, agora, deve cumprir uma medida protetiva de afastamento. A defesa do policial militar reformado, o advogado Christiano Marcos, alega não reconhecer a voz do áudio. Ele também defende que “as acusações propostas pela suposta vítima e sua genitora são inverídicas, pois não passam de uma armação”. Diz ainda que o cliente é inocente e provará sua inocência no decorrer da instrução criminal. Em áudio, PM acusado de estuprar enteada em Praia Grande diz que ‘Deus permitiu’; OUÇA ==> https://t.co/SVnR3pThWi pic.twitter.com/9QKYkJn15s— Jornal A Tribuna (@atribunasantos) October 28, 2023