[[legacy_image_258930]] Duas estudantes da Escola Técnica (ETEC) Escolástica Rosa denunciaram que foram ofendidas, agredidas e chamadas de ‘negrinhas’ por alunos da Faculdade de Tecnologia (Fatec) Baixada Santista Rubens Lara, na última segunda-feira (3). O caso teria ocorrido dentro do elevador do prédio que abriga as duas instituições de ensino, na Vila Mathias, em Santos. Um boletim de ocorrência por ameaça e injúria racial foi registrado pelas mães das adolescentes no 2º Distrito Policial de Santos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Alunas do terceiro ano do Ensino Médio Técnico de Logística, Suewa Portugal e Maria Eduarda Lopes Chaves alegam que foram vítimas de agressões verbais e empurrões assim que entraram no elevador. “Eles começaram, imediatamente, com várias agressões verbais, dizendo para a gente voltar porque, no elevador, cabia, no máximo, 15 pessoas. Eles estavam fazendo um paredão na frente, aparentando que estava cheio, só que atrás estava vazio. Então, eu e a minha amiga decidimos entrar. Até o quinto andar, que é o andar deles, eles fizeram uma sequência de agressão verbal com a gente, chamando de ‘idiota’, ‘imbecil’, ‘sem noção’, além de chamarem a gente de ‘negrinhas’”, contou Suewa. A estudante Maria Eduarda Lopes Chaves disse que ambas, com receio de mais agressões, permaneceram caladas dentro do elevador. “Eu e a Suewa estávamos ignorando a situação, mexendo no celular, para evitar coisa pior. A mulher disse a Suewa para ela continuar mexendo no celular mesmo para não acontecer coisa pior. Isso é uma ameaça. Além de nós e dos dois que nos agrediram, havia um pessoal da Fatec. Quando as portas se abriram, um homem me empurrou. Eu estava de salto alto porque era um dia descontraído, meio que um trote, e eu quase torci o meu tornozelo. Ele ainda seguiu a Suewa e bateu nela com a mochila, e, chamaram a gente de ‘negrinhas’”, afirmou. Mãe de Maria Eduarda, Eucilene Chaves tomou a iniciativa de registrar um boletim de ocorrência contra os agressores e ressaltou que isso é inadmissível dentro uma “escola, que deveria ser um lugar seguro e ensinar que isso não é correto”. O B.O. foi registrado na segunda-feira (3), no 2º Distrito Policial de Santos. No mesmo dia, as mães foram até a instituição de ensino para falar com os diretores da Etec e da Fatec. “O diretor da Etec nos acolheu e garantiu para a minha filha que está cuidando da segurança dela, porém, infelizmente, da parte da Fatec, nós não tivemos nenhuma resposta. Nós não tivemos nenhuma manifestação. Só ficamos sabendo que as pessoas que fizeram isso falaram com outras pessoas, se apresentaram, mas ninguém veio falar com a mãe da Maria Eduarda e com a mãe da Suewa. Não vieram se explicar. Isso não tem explicação, mas não vieram mostrar o rosto para a gente saber quem é”, disse a Eucilene. A mãe de Suewa, Eliana Portugal dos Santos, complementou que foi informado a elas apenas que serão tomadas as devidas providências num prazo de 30 dias. “Já sabem quem eles são, mas não chamam a gente, ninguém se apresenta”, criticou. Protesto Um protesto pacífico mobilizado pelo Grêmio Estudantil João Octávio dos Santos foi realizado na última quarta-feira (5), nas dependências da instituição. Alunos do Ensino Médio deram as mãos e permaneceram três minutos em silêncio. O presidente do Grêmio Estudantil, Pedro Henrique Costa Cavalcanti, lançou uma nota de repúdio nas redes sociais do grêmio. “O ato perpetrado por esses agressores, para nós, foi de uma baixeza indescritível e isso não pode ser esquecido”, declarou. Vítimas abaladas Os ataques sofridos deixaram marcas nas duas estudantes. “Eu voltei a usar o elevador, mas sempre acompanhada de uma terceira pessoa. Sozinha, eu não quero ir de elevador de jeito nenhum porque me traz a lembrança da situação que eu sofri”, disse Suewa. Já Maria Eduarda contou que “tanto os alunos da Fatec e os alunos da Etec me asseguraram que eu e a Suewa estaremos seguras porque os alunos da Fatec também não compactuam com esse tipo de atitude”. “Eu penso na segurança da minha filha, das duas meninas. E a vida da gente como é que fica? Para? Eu quero respostas”, cobrou Eliana Portugal, mãe de Suewa. A mãe de Maria Eduarda observou que o caso das duas alunas é o primeiro a ser denunciado, apesar de relatos de episódios anteriores contra estudantes na instituição. SSP A Secretaria de Segurança Pública do Governo do Estado de São Paulo (SSP) disse que quando foi registrado o boletim de ocorrência para dar prosseguimento às investigações, “as responsáveis pelas adolescentes foram orientadas sobre o prazo para representar criminalmente contra os autores”. Centro Paula Souza Mantenedor da Etec e da Fatec Baixada Santista, o Centro Paula Souza (CPS) informou que “apura o caso e que se forem comprovadas as denúncias serão tomadas as providências pertinentes. E que as agressões podem ser comunicadas por toda a comunidade acadêmica pelos e-mails copams@cps.sp.gov.br e ouvidoria@cps.sp.gov.br”. O CPS destacou ainda que “não compactua com nenhuma forma de discriminação, desrespeito e assédio e que há uma comissão permanente que promove diversas ações para orientar e prevenir atitudes contrárias aos direitos civis”.