Irmãos de 27 e 28 anos foram mortos em marina do litoral de SP (Reprodução/Facebook) Elias Félix, de 58 anos, dono de uma marina que confessou ter matado dois irmãos a tiros em Itanhaém, no litoral de São Paulo, passou a ser considerado foragido da Justiça após não comparecer ao próprio julgamento. Ele foi condenado pelo Tribunal do Júri a 46 anos e oito meses de prisão em regime fechado pelo crime. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com a sentença proferida na última quinta-feira (12), o réu foi condenado por duplo homicídio qualificado por motivo torpe e pelo recurso que impossibilitou a defesa das vítimas. Como respondia ao processo em liberdade e não compareceu à sessão do júri, foi expedido um mandado de prisão. Crime aconteceu em marina O caso ocorreu em fevereiro de 2022, no bairro Coronel, em Itanhaém. As vítimas foram os irmãos Maycon Oliveira Pereira de Andrade, de 27 anos, e Everton Oliveira Pereira de Andrade, de 28. Segundo as investigações, os dois estavam na marina para andar de moto aquática quando se envolveram em uma discussão com o proprietário do local. De acordo com a sentença, Maycon foi atingido de forma repentina enquanto conduzia a moto aquática, o que reduziu qualquer possibilidade de reação. Após os primeiros disparos, Everton pulou na água e tentou fugir nadando. Ainda assim, foi perseguido pelo acusado, que o alcançou, o segurou pelo braço e efetuou um disparo à curta distância na região da cabeça. “A dinâmica da ação evidencia que a vítima se encontrava em situação de extrema vulnerabilidade”, escreveu o juiz na decisão. Impacto na família Na sentença, o magistrado destacou o impacto causado pelo crime na família das vítimas. “A perda simultânea de dois integrantes do mesmo núcleo familiar produziu impacto profundamente devastador na esfera familiar das vítimas, atingindo diretamente pais, irmã, esposas e filhos”, registrou. O juiz também mencionou que a esposa de Maycon estava grávida de cinco meses na época do crime. “A criança sequer teve a oportunidade de conhecer o próprio pai, tampouco o tio”, acrescentou. Defesa alegou ameaças Na época do crime, Elias Félix se apresentou à polícia e confessou os disparos. Ele alegou que vinha sofrendo ameaças dos irmãos desde 2015 e afirmou que atirou durante a discussão após acreditar que uma das vítimas tentava pegar um revólver dentro da moto aquática. A defesa do réu não foi localizada pela reportagem até a última atualização desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação. Julgamento durou mais de 12 horas Em nota assinada pelas advogadas Ana Carolina Lopes da Silva Badaró e Heloyse Massola Cavalcante da Costa, que atuaram como assistentes de acusação, elas destacaram que o processo durou mais de quatro anos até a realização do julgamento e a sessão do júri teve duração superior a 12 horas. "No tribunal do Júri não há que se falar em vencedores ou perdedores, mas hoje a família de Maycon e Éverton podem dizer que a justiça foi feita", ressaltaram as advogadas, na nota. Com a expedição do mandado de prisão, Ana e Heloyse pedem que informações sobre o paradeiro do condenado sejam comunicadas às autoridades por meio da Polícia Militar pelo telefone 190 ou pelo Disque Denúncia, no número 181.