Detento invade Instagram de professora de Santos e aplica 'golpe do eletrodoméstico'

Seguidores transferiram dinheiro em Pix para o golpista

Por: Bruno Almeida  -  14/01/22  -  07:09
Para amigos de vítima, ela anunciava produtos vendidos na rede social
Para amigos de vítima, ela anunciava produtos vendidos na rede social   Foto: Arquivo pessoal

Uma professora de Santos teve a conta do Instagram hackeada por um golpista após clicar em um link enviado para confirmar uma suposta reserva em um hotel. Após invadir a rede social, o criminoso se passou pela vítima e fez publicações como se estivesse se desfazendo de eletrodomésticos e móveis. Pelo menos dois seguidores caíram no golpe e 'compraram' os supostos objetos - Somadas, as transferências chegaram a R$ 1.200. Nesta quinta-feira (13), a polícia informou ainda tentar identificar o criminoso.


Clique, assine A Tribuna por apenas R$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios!


A vítima, que preferiu se identificar, conta que mandou uma mensagem a uma página no Instagram que acreditava pertencer a um hotel localizado na cidade de Cunha, região Leste de São Paulo. O perfil continha fotos iguais às do site do estabelecimento - inclusive, possui mais seguidores do que a página verdadeira.


Na conversa, que durou quatro dias, o golpista pediu um sinal. A vítima transferiu R$ 340 e recebeu um link, que seria usado para garantir a reserva. O perfil do falso hotel já havia enviado fotos dos quartos e tabelas de preços com os serviços disponíveis.


"Devia ter desconfiado, mas a gente acaba fazendo as coisas um pouco no automático. E todo mundo resolve tudo pelo Instagram. Na hora em que eu cliquei no link minha conta do do Instagram foi hackeada e deslogou (saiu) do meu celular. Achei que era um bug e tentei logar (entrar) de novo. Aí, em menos de 30 segundos, já dizia que o meu telefone e o meu e-mail já não eram aqueles para recuperar a senha", contou a vítima à Reportagem.


Criminoso anunciou produtos como se fosse a vítima dona da conta
Criminoso anunciou produtos como se fosse a vítima dona da conta   Foto: Arquivo pessoal

Na sequência, alguns amigos da professora a enviaram mensagens e prints que mostravam a movimentação realizada em seu Instagram. "Nos meus stories, essa pessoa começou a postar produtos para serem vendidos. Colocou sofá para vender, cama, TV".


Por um outro Instagram, a vítima acompanhou o que era postado em suas redes. Mesmo avisando o maior número de amigos possível para que eles não caíssem no golpe, alguns conhecidos chegaram a transferir dinheiro para o criminoso, na tentativa de comprar produtos. Um deles pagou R$ 200 por uma suposta cama. "Um ex-aluno fez um Pix de R$ 1.000 para uma TV".


Além de postar nos stories, o golpista ainda enviou mensagens privadas se passando pela vítima. Numa conversa, é possível ver que que ele pediu para uma amiga da vítima clicar no mesmo link que havia usado para hackear a professora. Ela também teve a conta invadida ao clicar.


Uma outra amiga conversou com o bandido pelo Instagram. O criminoso ainda disse que aplicar golpes era o único jeito de sobreviver, porque estava preso há doze anos e tinha que alimentar as filhas.


Em conversa, criminoso tenta sensibilizar amiga da vítima
Em conversa, criminoso tenta sensibilizar amiga da vítima   Foto: Arquivo pessoal

A vítima registrou Boletim de Ocorrência pela Delegacia Eletrônica, no portal da Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), na última sexta-feira (7), quando o golpe ocorreu. A Polícia Civil confirmou para A Tribuna que investiga o caso como estelionato.


Hoje, sem esperança de recuperar o dinheiro, a professora alerta que já conseguiu ter o perfil de volta, seguindo algumas orientações de especialistas. No Instagram, há uma opção que permite os usuários que tiveram contas invadidas provarem que são os verdadeiros donos das páginas. Se o usuário tem uma foto dele no perfil, pode usar a função "Obtenha suporte" e comprovar a identidade enviando um videoselfie.


Orientação

Segundo o especialista em Tecnologia da Informação Cláudio Nunes, é importante lembrar de uma orientação antiga, "o não aceite doce de estranhos e atualizá-la para os tempos de internet". Links como o recebido pela vítima "sequestram" contas. É importante também sempre deixar a verificação em duas etapas ativa, para dificultar o trabalho do bandido.


"Quando suspeitar de ações golpistas, é recomendável fechar as sessões em todos os dispositivos, inclusive o que está em uso", completa.


Tudo sobre:
Logo A Tribuna