[[legacy_image_351342]] A defesa do jornalista Marcelo Carrião, preso por tráfico de drogas em fevereiro, entrou com pedido de habeas corpus (HC) junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília (DF). O advogado Marcelo Cruz protocolou o pedido de soltura do ex-apresentador na última quinta-feira (18), após a negativa do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) em ao menos três ocasiões. O advogado Marcelo Cruz defende que o jornalista responda ao processo em liberdade, justificando entre outras coisas que ele é réu primário, tem residência fixa e que a prisão preventiva foi cumprida antes da análise concreta do caso. “Sustento que, além da primariedade, os bons antecedentes, residência fixa, família constituída e labor lícito, a prisão preventiva foi baseada somente nos aspectos abstratos do crime, sem analisar as circunstâncias concretas e específicas”. O advogado explicou ainda que recorreu ao STJ com base em “fundamento legal” em “precedentes dos Tribunais Superiores que já decidiram em diversos casos que a prisão cautelar deve se sustentar nos fatos concretos e não na gravidade abstrata do crime”. Ainda de acordo com Cruz, “o habeas corpus será de relatoria do ministro Ribeiro Dantas, que analisará a liminar e, em seguida, haverá julgamento do mérito pelos demais ministros da 5ª Turma do Tribunal”. “A liminar deve ser julgada até a próxima semana. Contudo, adianto que a maior chance será no julgamento do mérito, ou seja, por toda a turma (o mérito demanda mais tempo)”, complementou. Pedidos negadosPara a desembargadora Fátima Vilas Boas Cruz, da 4ª Câmara de Direito Criminal do TJ-SP, não há dúvida quanto ao envolvimento de Carrião na prática dos crimes de tráfico de drogas e associação ao tráfico. Ela avaliou se tratar de um “crime de extrema gravidade”. De acordo com a magistrada, ser primário e ter residência fixa não passam da obrigação de qualquer cidadão. Para ela, a soltura também fomentaria o incentivo à impunidade e aumentaria a chance de reincidência do crime de tráfico. Operação 'Domo de Ferro'Marcelo Carrião e mais suspeitos de tráfico de drogas foram presos durante a operação 'Domo de Ferro', da Polícia Civil, em 28 de fevereiro. Os policiais encontraram três estufas de plantação de maconha em uma casa localizada na Rua Joaquim Nabuco, no bairro Vila Matias, em Santos. O jornalista é citado nas investigações como 'fornecedor' dos entorpecentes. Com Carrião, foram apreendidos aproximadamente 1 kg de maconha, uma balança de precisão, um celular e utensílios para embalar os entorpecentes. De acordo com o delegado Fabiano Barbeiro, da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), a operação foi deflagrada com o objetivo de prender o grupo, identificado em uma investigação que começou após a prisão de duas mulheres em Santos, no início de fevereiro. A dupla, ainda de acordo com a corporação, era responsável por um 'disk drogas' na Cidade. Os nove presos, incluindo Carrião, segundo o delegado Leonardo Rivau, da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), eram os fornecedores de entorpecentes para o 'disk drogas', comandado pelas mulheres. Os suspeitos foram identificados a partir da apreensão de um celular encontrado com elas. "Marcelo, cujo apelido é 'Vovozinho', seria o principal articulador e fornecedor de drogas para esse pessoal", afirmou o delegado Barbeiro. "Estamos apurando, agora, as fontes de quem o Marcelo comprava esses entorpecentes". Nesse aparelho, ainda de acordo com o delegado Rivau, foram encontradas diversas conversas de Carrião com uma das mulheres. "Ele ofereceu a droga, ela fez o pedido e combinou a entrega para que pudesse comprar e revender no Gonzaga", explicou. CarreiraCarrião se formou em jornalismo na Universidade Católica de Santos, em 1995. Ele trabalhou como produtor e repórter na TV Mar, afiliada à TV Manchete, entre 1993 e 2005, e repórter da Rede Record, entre 2005 e 2011. Conforme divulgado por ele na internet, o último trabalho foi no SBT, como repórter e apresentador de telejornal, entre 2012 e 2024.