[[legacy_image_270166]] Falso empréstimo consignado, inserção de dados e compras fraudulentas. Essas são algumas das ocorrências mais comuns contra idosos em meios digitais. Especialistas orientam atenção redobrada em pagamentos on-line, ao acessar links e responder a mensagens. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O delegado Francisco Wenceslau, da 1ª Delegacia do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), que atua no combate a estelionato eletrônico, destaca que a maioria dos crimes acontece por desatenção da vítima. “Muitas vezes, o estelionatário ilude a vítima com uma promessa de grande vantagem que poderá ser obtida em uma compra, em um empréstimo que parece ser muito bom”, exemplifica o delegado. Wenceslau cita como exemplo o envio de mensagens por SMS ou Whats-App contendo um link em que, ao clicar, a vítima deve informar dados pessoais para participar de uma promoção ou concurso. “O estelionatário utiliza tais dados para abertura de contas, solicitação de cartões de crédito etc. No final, a vítima fica obrigada a solucionar uma dívida que não contraiu”. Outra forma de atuação dos criminosos consiste em se passar por uma pessoa próxima da vítima, como filho ou companheiro, usando a foto de perfil dessa pessoa em aplicativos de mensagens. VulnerabilidadeO advogado Matheus de Ávila Rodrigues, da Comissão de Direito Digital da Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Santos, ressalta que os bandidos se aproveitam da vulnerabilidade dos idosos em meios tecnológicos. “A prevenção é a instrução, ter bastante cuidado com o que se vê na internet. Muitas vezes, o nome e os dados pessoais (da vítima) estão sendo usados para aplicar golpes em terceiros”, alerta. Os prejuízos podem ser financeiros e psicológicos. E o vazamento de dados também pode, inclusive, dar margem a outros golpes. A pessoa afetada deve registrar um boletim de ocorrência imediatamente e procurar a instituição bancária da qual é cliente para informar o ocorrido. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) ressalta que os criminosos se usam de táticas de engenharia social, que envolvem a manipulação psicológica da vítima para que informações pessoais e senhas sejam fornecidas. A Febraban cita, ainda, uma série de golpes que são aplicados nos meios digitais. Conheça cada um. Falso leilão O criminoso envia um link para a vítima e simula que acontecerá um leilão de um bem, pedindo que dados pessoais e financeiros sejam fornecidos, ou ainda que um valor seja depositado na conta do fraudador. Para evitá-lo, o usuário nunca deve enviar qualquer dado, além de verificar a origem dos links recebidos antes de clicar, investigando a veracidade do devido site Falso motoboy Uma pessoa se passa por um funcionário de banco e liga para a vítima dizendo que o cartão dela foi clonado, e que por isso é preciso bloqueá-lo. Na sequência, o golpista informa que basta cortar o cartão ao meio e pedir um novo pelo atendimento eletrônico. O criminoso pede ainda que a senha do cartão seja digitada no telefone e diz que um motoboy vai buscar o cartão para uma perícia. Mesmo com o cartão cortado ao meio, o chip permanece intacto, sendo possível fazer transações bancárias. A Febraban alerta que nenhum banco pede o cartão de volta ou envia qualquer pessoa para retirar o cartão em casa. A orientação é desligar o telefone e, depois, ligar para o banco e checar se houve qualquer irregularidade. Phishing (pescaria digital) Uma fraude que envolve o envio de mensagens e e-mails falsos para obter dados pessoais do usuário. Há também páginas falsas na internet que induzem as vítimas a informarem seus dados. A federação alerta que é importante verificar se o endereço da página é o correto e, por precaução, não clicar em links enviados, mas se for o caso, digitar o endereço no navegador. Também é importante manter um antivírus no aparelho, assim como ter um sistema operacional atualizado. Delivery Ao entregar um pedido feito por aplicativo de comida, o entregador mostra uma maquininha com o visor danificado, ou de forma que impossibilite a visualização do preço cobrado na tela, sendo, na prática, um valor acima do real cobrado. Só depois de um tempo a vítima percebe que fez um pagamento elevado. O cliente deve sempre checar o preço no visor da maquininha e nunca aceitar pagamentos em máquinas onde os visores não estejam visíveis. Deve-se, preferencialmente, fazer o pagamento via aplicativo, e não no ato de entrega. Falso empréstimo consignado O criminoso se passa por um funcionário de uma instituição financeira e oferece empréstimos com condições vantajosas. Para que o consumidor garanta a oferta, ele pede que um depósito bancário seja feito em uma conta, referente a taxas de cadastro, ou antecipação de parcela. A Febraban ressalta que "não existe nenhum empréstimo em que a pessoa precise fazer qualquer tipo de pagamento antecipado", e que os bancos "nunca ligam para o cliente pedindo senha, número do cartão ou transferência". Ao receber uma ligação suspeita, o cliente deve desligar, pegar o número de telefone que está no cartão bancário e ligar de outro aparelho para o banco. Nunca deve-se depositar dinheiro em qualquer conta com a finalidade de 'garantir o negócio'.