[[legacy_image_340120]] Alvo de agressões e homofobia, o instrutor de dança Flávio Arcangeletti, de 29 anos, foi agredido por cerca de seis homens enquanto trabalhava em um bar de São Vicente, na noite do último sábado (2). Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A família procurou A Tribuna para denunciar o caso, entretanto alegou que a vítima não estava em condições de dar entrevistas. À reportagem, o pai de Flávio disse que o filho não é homossexual, mas que sofreu preconceito por estar dançando e que, durante as agressões, os agressores diziam que ele era “viadinho” pois estava rebolando. “Não precisa ser gay para existir homofobia, né?”, conta. DinâmicaDe acordo com o boletim de ocorrência recebido pela reportagem, Flávio estava trabalhando como dançarino na casa de shows, quando durante uma pausa na apresentação, dois homens, até então desconhecidos, o levaram para um local na parte externa do bar. No local, os agressores teriam dito que ali não era lugar para “viadinho estar rebolando” e que “aquilo era um desrespeito com as crianças que estavam ali presentes”. Após essas palavras, os homens teriam começado a dar socos, chutes, cotoveladas e garrafadas. Um deles tentou arrancar seus ‘piercings’, o que ocasionou mais ferimentos. Posteriormente, outros homens teriam chegado e participado das agressões. Ainda, segundo o registro policial, Flávio “apenas tentava se defender sem sequer saber o que havia causado tamanho ódio nos agressores”. O boletim ainda diz que os seguranças do estabelecimento foram acionados e apartaram a briga, e orientaram que Flávio deixasse o local para que a situação não evoluísse. AmeaçasApós as agressões, Arcangeletti foi até uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), para verificar os ferimentos derivados das agressões. Enquanto estava sendo atendido, o irmão mais novo da vítima pegou o seu celular, e em mensagens, começou a receber ameaças. Um dos autores das agressões teria dito que tinha parceria com o crime organizado e que iria “levá-los para as ideias”, ou seja, o tribunal do crime. Além disso, ameaçou outras vezes, dizendo que iria atrás de Flávio e o irmão. HomofobiaFlávio Arcangeletti faz apresentações de entretenimento como instrutor de dança, mas nunca sofreu agressões por isso. Esta seria a primeira vez. Neste dia, ele teria trabalhado desde às 17 horas e o crime ocorreu por volta da meia noite. “Ele desceu do palco, foi ao banheiro e retornou. Foi pegar água para ele e para a mulher dele. Quando ele saiu com os dois copos na mão, encostou um cidadão”, conta o pai. Arcangeletti foi chamado para ‘trocar uma ideia’. “E (o agressor) pegou ele pela nuca e soltou (...) (Ele) Disse que ‘aqui não é lugar para viadinho ficar dançando’”. No vídeo abaixo, editado e enviado pela família, é possível ver momentos da ocorrência. Assista: SSPEm nota, a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP), confirmou as informações: Um homem, de 29 anos, foi agredido na madrugada deste domingo (3), na Alameda Paulo Gonçalves, no bairro Itararé, em São Vicente. A vítima alega que estava em uma casa de show, quando foi abordado por dois homens, um de 40 anos e outro não identificado, que o conduziram para fora do local. Após, iniciaram as agressões, sendo acompanhados de mais pessoas, não identificadas, que se juntaram à ação. A vítima foi à UPA, onde foi medicada e liberada. O irmão da vítima estava com o celular do mesmo, quando viu uma ameaça do autor. O homem representou criminalmente. O caso foi registrado como ameaça, lesão corporal e injúria, no 1º Distrito Policial de São Vicente, e encaminhado à Delegacia de São Vicente, que prossegue com as diligências. PosicionamentoO Manguete, em nota, informou que não compactua com nenhum ato de homofobia e que é contra qualquer ato de preconceito, que inclusive é crime. Apesar disso, o estabelecimento desconhece a origem das agressões, nem tampouco, tem ciência do real motivo das agressões e nem tem conhecimento da identidade dos agressores. O estabelecimento ainda disse que “assim que o tumulto começou e os seguranças avistaram, prontamente foram apartar a confusão. A casa de imediato terminou essa festa, expulsando todos os envolvidos da casa. Na sequência, o rapaz agredido foi embora, amparado pelos seguranças e por pessoas conhecidas dele”. Ainda em nota, a casa ressaltou que toma todas as precauções devidas e age conforme determinado em lei para poder proporcionar o que tem de melhor para os clientes. "Todas as medidas de segurança são adotadas, em quase dois anos de funcionamento nenhum registro de violência ocorreu desde então". Assim, ao identificar os agressores, o restaurante garantiu que irá tomar as medidas cabíveis a seu alcance.