Mario foi trazido para DIG de Praia Grande na tarde desta terça (17) (TV Tribuna) Depois de duas semanas foragido, Mario Vitorino da Silva Neto, de 23 anos, foi apresentado na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Praia Grande, durante a tarde desta terça-feira (17). Na sequência, ele foi levado à cadeia anexa do 5º Distrito Policial (DP) de Santos. Preso pela morte do amigo e cunhado Igor Peretto, de 27, a defesa do acusado revelou que ele fugiu por medo de ameaças de morte e orientação de outros advogados. Vídeos da TV Tribuna mostram Mario sendo retirado da viatura da Polícia Civil por policiais da DIG de Praia Grande por volta das 14h20 desta terça (17). Ele é levado para dentro da unidade policial escoltado pelos agentes. Mais de duas horas e meia depois de se apresentar, é possível ver o acusado saindo do local com uma blusa no rosto. -vídeo facebook (1.434483) Mario será levado agora para o 5° DP de Santos onde deve seguir preso. O acusado passou por audiência de custódia nesta segunda-feira (16) em Rio Claro, Interior de São Paulo, onde passou a noite. Em entrevista à TV Tribuna, Badures disse que por mais que não tenha tido acesso ao caderno de investigação, os elementos de convicção mostram uma ‘questão efervescente’, entre Igor e Mário. “Eles passaram a madrugada toda numa festa e nos primeiros horários, no raiar do dia, sobreveio uma mensagem no WhatsApp de Mario vinda de Rafaela, que é ex-esposa de Igor. Isso faz com que ele (Igor) obrigue Mario a tirar satisfações, inclusive de um apartamento que ele não mais frequentava”. Ainda, segundo o advogado, Mario queria resolver isso de uma maneira mais ‘tranquila’ no dia seguinte. “Mas assim não foi feito então o que acontece naquele apartamento é o que praticamente todos sabem. Um cenário de luta. A investigação afirma que realmente tava tudo quebrado, tudo fora do lugar tudo jogado. A Marcelly que estava lá diz que o Igor Peretto inclusive se municiou de um pedaço de um vidro que foi quebrado de um espelho do guarda-roupa investiu contra o trabalho e Mario se utilizou de uma faca para se defender” afirma. Fuga A Defesa disse que Mario fugiu por orientação de outros advogados, que não fazem parte da equipe de Badures. “Principalmente pelo risco inerente às ameaças de morte que desde ali do momento do fato até ontem, 16 dias, elas acabam perdurando nesse cenário das mídias sociais da internet”, conta. Essas ameaças de morte teriam vido de vários perfis de redes sociais, “Isso contribuiu para que ele não ficasse aqui (Praia Grande) e lamentavelmente não pudesse se apresentar espontaneamente, que foi o que eu mais disse para ele ontem, é um equívoco, assim gravíssimo, até porque ele ostenta lesões”. Sobre a demora de ter ido para Praia Grande, isso aconteceu por conta de orientação de outros advogados, além da questão aliada a integridade física dele. Marcas pelo corpo De acordo com o advogado, Mario tem lesões de defesa na face e em outras regiões do corpo. “Foi severamente agredido. Na coxa. Marcas de um instrumento cortantes na mão então todos esses elementos esses quebra-cabeças, essas peças, vão ser juntadas e aí sim, nós vamos ter uma elucidação do que houve de fato ali e qual é a participação de cada autor”. Mesmo tendo passado 16 dias do ocorrido, o advogado reforça que eles têm marcas de violência pelo corpo. “Ele ostentava diversas lesões. São 16 dias então ele ainda está com o olho roxo inchado existe um corte na mão dele que foi provocado por um golpe de Igor existe um arroxeado na coxa dele que demonstra que eles Dois Entraram Em luta corporal agora o contexto pelo Qual a dinâmica que houve os golpes de fato isso após o exame microscópio apontar a sede dessas lesões”, conta Facadas Sobre a quantidade de facadas, Badures conta que isso varia de versão para versão. “Mário se utilizou de meios de defesa inerentes ao ataque de Igor. Óbvio que nós temos a família da vítima que é acometida por essa tragédia de todos eles. A perda prematura de Igor Peretto tem o nosso respeito, mas o papel da Defesa que é técnico, é trazer luzes para a investigação. Corroborar e colaborar o máximo possível para que tudo fique muito bem elucidado e fique demonstrado isso. inerente à legítima defesa. Vamos discutir se houve um excesso ou não”. Legítima defesa Tanto para Defesa quanto para o acusado, eles alegam que não existe crime. “Não existe crime, ele se defende. Quem se defende, nos exatos termos da nossa legislação penal, não comete crime. Agora a versão dele o que ele vai dizer vai ser após a Defesa ter acesso aos autos”, comenta. Marcelly não foi forçada por Mario Em relação a Marcelly ter sido forçada a sair com Mario após o crime, a defesa nega. "Isso é uma versão que já foi inclusive refutada, ele não obriga nada. Ela vai por livre e bom grado. Isso as imagens de monitoramento que são vinculadas pela imprensa rotineiramente sobre esses fatos demonstram que ele não a obrigou a nada. Nem a Marcelly e muito menos a Rafaela”. Estopim Segundo o advogado, Rafaela ter um enlace amoroso com Mario foi o estopim para que isso tudo acontecesse “Lamentavelmente registramos aqui o nosso pesar. E, infelizmente, nós temos um quadro deste. Uma vida se foi, mas aquele que se defendeu disse que se não agisse dessa maneira que quem estaria em óbito seria ele”, explica. Badures, conta que a Defesa ‘irá promover todos os atos inerentes à defesa técnica, inclusive corroborando o máximo pra que essa investigação chegue ao final e ele seja posto em liberdade e assim responda o eventual processo com tranquilidade é inerente à conduta que ele praticou e não aquilo que se promove’. Separados Apesar de não ter acesso aos autos, a Defesa aponta que a irmã Marcelly estava separada de Mário. “Estava até em apartamento separados. Isso tudo aconteceu num apartamento de Mário, mas o qual ele já tinha deixado até mesmo para que o Marcelly ficasse ali na separação de corpos deles. Agora a Rafaela, ao que se sabe até mesmo, prestou um depoimento para a polícia em um fato análogo à essa investigação e já se dizia solteira, já se dizia na verdade com rompimento do relacionamento para com o Igor”, enfatiza. Prisão Mario foi preso após ser encontrado por volta de 8h15 deste domingo (15) na casa do tio de Rafaela Costa da Silva (amante dele e esposa de Igor), na Rua Teresinha Andrade Godói, no bairro Jardim Novo Mundo. O acusado foi achado após o vereador Tiago Peretto (União Brasil) acionar o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), informando que a localização do celular de Igor estava apontado para o endereço. No momento da prisão, a polícia encontrou R\$ 8,1 mil em dinheiro, sendo 81 notas de R\$ 100,00 na posse de Mario. Foram apreendidos três iPhone 15 Pro Max que também estavam com o acusado. Durante a abordagem, Mario foi algemado por receio dos policiais de que ele fugisse porque, conforme o boletim de ocorrência (BO) obtido por A Tribuna, ele estava agitado e nervoso. Após ser capturado, o acusado passou por atendimento médico no Hospital Padre Nicanor Merino, em Torrinha. O suspeito era cunhado da vítima e procurado pela Justiça desde o dia 2 de setembro, quando foi decretado o mandado de prisão temporária contra ele e a viúva de Igor, Rafaela Costa da Silva, com quem Mário mantinha um relacionamento extraconjugal. Segundo o advogado Felipe Pires de Campos, que representa a família Peretto, os familiares da vítima conduziram uma investigação particular que levou à captura do suspeito no interior de São Paulo. Tiago Peretto, irmão da vítima, usou as redes sociais para divulgar a captura do cunhado. A esposa de Igor Peretto, Rafaela, e a irmã, Marcelly Marlene Delfino Peretto, estão presas desde sexta-feira (6). Ambas são suspeitas de terem envolvimento no crime. Conforme apurado por A Tribuna, as mulheres tinham uma relação próxima e o advogado de defesa de Marcelly, Leandro Weissman, confirmou que as duas se beijaram antes do assassinato e a cliente aponta o então marido como o autor das facadas no comerciante. Rafaela também teria uma relação extraconjugal com Mário, marido de Marcelly. De acordo com o advogado Marcelo Cruz, que defende a viúva, Igor teria descoberto a traição da esposa quando Rafaela ligou para Mário e ambos estavam juntos. “A vítima estava ao lado do Mário na hora da ligação. Ele ficou nervoso, tirou satisfação com ela e com a irmã, mas a Rafaela ficou assustada e saiu do apartamento. Quando ela saiu, eles subiram”. O advogado Marcelo Cruz, responsável pela defesa de Rafaela, afirmou que o fato de Mário ter sido encontrado em casa de familiares da viúva não altera a situação da cliente. “A defesa pensa com muita tranquilidade que não altera o quadro jurídico em relação ao crime de homicídio. Isso não relaciona, ainda, a Rafaela ao crime de homicídio em si. Uma outra tipificação penal ficaria a cargo da autoridade policial. Porém, no que diz respeito ao crime doloso contra a vida em apuração, não nos preocupa em nada a casa ser ou não do tio dela”, esclarece. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o capturado foi encaminhado ao Setor Carcerário da Delegacia Seccional de Polícia de Rio Claro, onde permanece à disposição da Justiça. O caso foi registrado como captura de procurado no Plantão da Delegacia Seccional de Rio Claro. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) informou que a audiência de custódia virtual foi realizada na tarde desta segunda (16). Segundo eles, trata-se de cumprimento de mandado de prisão, ou seja, a audiência foi apenas para verificar se alguma ilegalidade foi cometida no ato da prisão. O assassinato Igor Peretto, de 27 anos, foi assassinado a facadas dentro do apartamento da irmã (Marcelly), que fica na Avenida Paris, no Bairro Canto do Forte, em Praia Grande, no dia 31 de agosto. A Polícia Civil ainda não confirma quem matou Igor. Dentro do imóvel onde aconteceu o crime, estiveram Igor, Rafaela, Marcelly e Mario. De acordo com o BO, a cena aponta para luta corporal. Uma faca que teria sido usada no crime também foi achada no apartamento, perto de uma porta. O documento diz que após serem chamados e chegarem ao prédio, policiais militares foram atendidos pela síndica. Ela relatou aos PMs que, durante a madrugada, ouviu barulho e gritaria vindos do apartamento, no quarto andar. Os vizinhos foram até a porta do apartamento, tocaram a campainha e bateram à porta, mas não foram atendidos. A síndica contou aos agentes que viu, por câmeras de monitoramento do prédio, que Marcelly e Rafaela chegaram ao edifício e entraram no apartamento. Era por volta de 4h35. Quase uma hora depois, Mário e Igor apareceram e pediram ao porteiro para entrar. A irmã de Igor só permitiu que subissem caso os dois fossem juntos ao apartamento. Ainda com base nas câmeras, por volta de 6h, Mário e Marcelly deixaram o apartamento, desceram pela escadaria e foram à rua pelo estacionamento. Conforme os PMs, havia a impressão de que Igor e Rafaela poderiam estar no imóvel, em cujo corredor de acesso havia sangue. Rafaela, porém, não estava lá. O apartamento foi aberto com ajuda de um chaveiro. Policiais acharam o corpo de Igor caído no quarto, perto da janela.