[[legacy_image_302176]] “Tinha uma professora que pegava as crianças e levava para esse quarto. Elas entravam agitadas e saiam totalmente diferentes. Era o quartinho da tortura”. Esse é o relato de uma ex-funcionária, que não quer ser identificada, sobre situações de agressão e maus-tratos que teriam ocorrido na Creche Nilton de Oliveira Mello, localizada na Avenida Arpoador, no bairro Balneário Jussara, em Mongaguá, litoral de São Paulo. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A ex-funcionária conta que era auxiliar de sala na creche e observou diversas situações contra os alunos. “Eu via quando levavam as crianças para esse ‘quartinho’. Algumas funcionárias dando comida quente na boca delas, outras xingavam os pequenos com vários palavrões”, relata. Ela conta que por diversas vezes observou que as professoram davam empurrões nos alunos. “Tinha uma professora que fechava a mão e empurrava o peito da criança para trás, além das constantes ameaças de ir para o tal ‘quartinho’. As crianças não queriam comer, tinha algumas que vomitavam e eles [funcionários] enfiavam tudo de volta na boca delas”, afirma. A mulher explica que presenciou essa situação durante três meses e relatou tudo para a diretora. Ela acredita que isso fez com que fosse mandava embora depois desse período. “Ela [diretora] tinha me orientado que tudo que acontecesse em sala de aula, eu deveria contar para ela. Um dia eu vi uma das professoras maltratando e falei, mas acredito que ela não gostou de eu falar que aquilo era errado e depois de um tempo me mandaram embora”, conta. A ex-funcionária fala que contou para as mães que conhecia tudo que ela via acontecer com os alunos, pois ficou horrorizada e sentiu que precisa alertar de alguma forma. “Eu ficava muto revoltada quando via aquilo tudo. Eu tenho uma filha de três anos e me coloquei no lugar das mães. Elas até foram reclamar na creche, mas não deu em nada”. Questionada pela Reportagem se um dia conseguiu registrar imagem de tudo que ela via, ela disse que nunca conseguiu, pois todos os funcionários eram obrigados a deixar os celulares na secretaria da escola quando começavam o expediente. “Todo mundo ia ficar de cabelo em pé se visse o que eu vi”. Boletim de ocorrênciaOutra que reclama do local é a faxineira Daisylene Maia Marques da Silva, de 29 anos, tem um filho na unidade e registrou um boletim de ocorrência contra a escola por maus-tratos. A criança, de 4 anos, estuda na creche e também relatou para a mãe que estava sendo agredido por uma professora. A faxineira conta que no início do ano essa mesma pessoa já havia chamado o garoto de ‘ladrão’, por ele ter pegado um brinquedo de outro colega durante a brincadeira. Passada essa situação, tudo voltou ao normal, mas recentemente o menino voltou a relatar as agressões. “Ele falou que não queria mais ir para a escola, pois estava com medo. Aí eu fiquei dois dias de folga e não levei ele pra lá. Depois eu mandei um bilhete reclamando do que aconteceu e eles me responderam com quatro páginas dizendo que meu filho batia nos adultos, era desobediente e que enquanto estudasse na unidade, eles iam continuar repreendendo ele”, relata. [[legacy_image_302177]] [[legacy_image_302178]] Diante do ocorrido, Daisylene resolveu ir até a escola para entender o que estava acontecendo. Chegando lá, conversou com a diretora, vice-diretora e outras professoras da sala do filho. De acordo com a mãe, as funcionárias disseram que “não era bem aquilo”, e que “nunca fariam isso”, pois o menino era “bonzinho e obediente”. Mesmo refutando o que as professoras tinham dito e o que elas haviam mandado no bilhete, a situação ficou sem conclusão. Diante do caso, Daisylene registrou um boletim de ocorrência eletrônico de maus-tratos no dia 30 de setembro. O caso segue sendo investigado pelo 1º Distrito Policial de Mongaguá. Daisylene ainda afirma que entrou em contato com a Secretaria de Educação de Mongaguá, mas não teve retorno. “O meu filho não está indo mais para a escola. A única coisa que eu quero é que isso pare, pois ele não é a única criança que relata que apanha. Conversei com outras mães que os filhos também relataram as mesmas situações”, desabafa Daisylene. Nota da PrefeituraA Reportagem entrou em contato com a Prefeitura, que informou, por meio de nota, que “até o momento, os supostos fatos não foram oficializados a nenhum órgão da Administração Municipal” e “que a sala de aula da creche conta com uma professora, duas babás e uma psicóloga, que constantemente prestam os cuidados necessários às crianças”. O Município ainda informou que “a Administração de Mongaguá destaca que repudia qualquer prática de atos de violência e zela com afinco pelo bem-estar de crianças e adolescentes” e “ressalta que está sendo aberto um processo administrativo para apuração dos fatos”.