Crânio foi achado às margens da Rodovia dos Imigrantes, em Cubatão (Reprodução e g1 Santos) O crânio humano que foi encontrado e estava junto a uma carta deixada em um acesso à Rodovia dos Imigrantes, em Cubatão, na Baixada Santista, é de uma mulher. A informação foi confirmada após análise pericial da especialista em medicina legal e perícia médica Caroline Daitx. As investigações seguem para esclarecer a identidade da vítima e as circunstâncias da ocorrência. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! O crânio humano foi encontrado no dia 2 de maio, acompanhado de uma carta assinada por "Sr. Caveira". A polícia também busca entender as circunstâncias que levaram à presença dessa carta no local. De acordo com Caroline, a identificação do sexo por meio de um crânio é possível com base na avaliação de características morfológicas específicas. “A perícia pode determinar o sexo a partir de um crânio baseando-se na análise de diferenças estruturais entre os sexos. Entre os principais critérios estão o formato do arco supraorbital, geralmente mais discreto e arredondado em mulheres, enquanto nos homens tende a ser mais pronunciado e saliente. A mandíbula feminina costuma ter ângulos mais suavizados, ao passo que a masculina é mais robusta e marcada. Também são analisadas a glabela, o contorno das órbitas oculares e a projeção da protuberância occipital externa”, explica. A médica ressalta, no entanto, que esse tipo de análise segue padrões probabilísticos. “A confirmação definitiva pode ocorrer por meio de exames complementares, como a análise genética (DNA), que garante precisão científica em contextos investigativos”, completa. Dificuldades Caroline também destaca os principais desafios enfrentados pela perícia ao analisar um crânio encontrado em condições adversas. “A degradação ambiental, incluindo exposição ao sol, chuva, variações de temperatura e ação de animais, pode comprometer a integridade do crânio. A ausência de dados comparativos, como registros odontológicos, médicos ou genéticos, é outro obstáculo. Fragmentações ósseas ou contaminações por solo e vegetação dificultam a extração de DNA, especialmente com o passar do tempo”. Embora não seja o método que será utilizado no caso em questão, a médica explica que, a depender da situação, outros exames podem ser feitos, como o odontolegal, realizado pela comparação da arcada dentária com prontuários odontológicos, sendo extremamente eficaz na identificação, especialmente quando há tratamentos dentários prévios. Além desses, outro recurso disponível é a reconstrução facial forense. “Trata-se de uma técnica que permite criar uma imagem aproximada do rosto da pessoa a partir do crânio, ajudando na identificação por familiares ou por reconhecimento público. A análise radiológica compara imagens radiográficas antemortem, quando disponíveis, com o crânio encontrado. Já o exame de marcas e traumas avalia fraturas, cicatrizações e intervenções cirúrgicas que podem ser compatíveis com históricos médicos do possível indivíduo”, explica a especialista. A investigação do caso do crânio e da carta está em andamento, e a perícia médica trabalha para identificar o crânio e esclarecer as circunstâncias de sua descoberta. Relembre o caso Segundo o boletim de ocorrência, ao qual A Tribuna teve acesso, o crânio foi encontrado por policiais militares manhã do dia 2 de maio. Junto dele, havia uma carta e uma caixa com duas velas, uma vermelha e outra preta, com a inscrição “Exu Caveira”. A carta deixada junto ao crânio encontrado em um acesso à Rodovia dos Imigrantes, em Cubatão, oferecia proteção e fazia pedidos para quem encontrasse a oferenda. A Tribuna teve acesso à íntegra da carta (leia abaixo). "Não descarte essa oportunidade. Você acaba de se encontrar com uma força extraordinária. Seus caminhos serão de luz e amor. Eu sou Exu Caveira. Aqui está tudo de que precisa. Não mostre para ninguém Seja seu segredo Deixa que eu te protejo. Só peço acenda uma vela preta ou vermelha e deixe uma bebida Estamos juntos a partir de agora Sr Caveira”.