Os detentos que fugiram do CPP de Mongaguá (Reprodução/Sifuspesp) O Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp) considera o Centro de Progressão Penitenciária (CPP) Doutor Rubens Aleixo Sendin de Mongaguá, no Litoral de São Paulo, uma das unidades mais perigosas do estado de São Paulo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Cinco detentos fugiram do CPP na última quarta-feira (31) e forças policiais se mobilizam para encontrá-los. Porém, a associação sindical considera que o problema está em um histórico de problemas que a unidade enfrenta, como a superlotação e um déficit de cerca de 30% de profissionais penais. De acordo com o Sifuspesp, a unidade em questão tem capacidade para receber 1.640 presos, mas atualmente abriga 2.154. O número tem como base dados da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). “A superlotação, o baixo efetivo e a proximidade com a mata tornam o CPP de Mongaguá uma das unidades mais arriscadas do sistema prisional paulista. Em abril, a unidade tinha 109 policiais penais divididos em quatro turnos para cuidar de mais de 2 mil detentos. A segurança é insuficiente para garantir a ordem na unidade. Além disso, faltam torres com guarda armada e condições de segurança mais aprimoradas”, destacou a associação. Em março de 2020, a entidade destacou que mais de 500 detentos fugiram do CPP após o cancelamento das 'saidinhas' devido à pandemia de covid-19. Na época, presos fizeram uma rebelião e mantiveram funcionários reféns antes de uma fuga em massa. Posteriormente, oito reféns foram liberados. O sindicato ainda afirmou que os profissionais do local trabalham sob constante risco de ataques, sendo que, em 2021, o sindicato chegou a solicitar o fechamento da unidade devido à insegurança. Também relembrou que, em fevereiro deste ano, policiais penais da unidade foram alvo de tiros por criminosos que tentaram invadir o CPP. Por sorte, nenhum policial foi ferido. Porém, ressaltou que, em maio, dois homens que invadiram o centro foram mortos por PMs durante buscas na cidade. “Eles tentaram arremessar mochilas com celulares e um revólver para os detentos, mas fugiram sem concluir a missão. Houve troca de tiros com os policiais penais e a dupla escapou por uma área de mata e acabou localizada e confrontada pela Polícia Militar na mesma noite”, relatou. De acordo com o Sifuspesp, os criminosos usam drones para arremessar itens proibidos -como celulares e drogas- para dentro da unidade, o que dificulta a detecção pelos policiais penais. Destacando uma recente interceptação, a associação informou que dois pacotes contendo seis celulares foram apreendidos. Outro lado Questionada pela reportagem, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) rebateu, em nota, que o Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de Mongaguá é um estabelecimento para a custódia de presos beneficiados ao regime semiaberto. Atualmente, 201 custodiados possuem autorização para trabalhar fora do CPP. Destes, sete atuam em duas empresas privadas da região e 194 prestam serviços à Prefeitura de Praia Grande por meio de convênio. "Trabalham nas dependências do presídio 461 sentenciados, que atuam na manutenção interna e externa do CPP e na cozinha industrial. Além disso, há 176 reeducandos/alunos frequentando o ensino regular, do fundamental, a partir da alfabetização ao ensino médio, por meio da parceria com a Secretaria de Educação do Estado. No CPP há 210 custodiados inscritos na 19ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas", ressalta em nota. No presídio, a SAP informou que funciona o Programa de Educação para o Trabalho e Cidadania (Proet), que fomenta ações educacionais de formação complementar às pessoas privadas de liberdade por meio de oferta de curso técnico-profissionalizante. A iniciativa é promovida pela Fundação Professor Doutor Manoel Pedro Pimentel (Funap) que contempla 50 reeducandos. A instalação no presídio da Sala da Liberdade também foi uma parceria com a Funap, onde fica disponível acervo literário aos privados de liberdade por livre demanda. "Em parceria com a Coordenadoria de Reintegração Social e Cidadania da Pasta, houve a inauguração da Oficina de Panificação e Confeitaria Industrial (Procap) para capacitação dos internos. Com essa parceria, no primeiro semestre, o CPP realizou a Jornada de Cidadania, Trabalho e Renda, com 792 atendimentos de reeducandos. Nessa jornada, entre as diversas ações realizadas, os custodiados receberam orientações sobre como reiniciar a vida após a concessão de liberdade pela Justiça", conclui.