[[legacy_image_285487]] O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) entende que a operação policial iniciada em Guarujá após a morte do policial da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) é uma chacina. Em entrevista para A Tribuna, o presidente do Condepe, Dimitri Sales, conta que há denúncias de tortura, execução sumária e abuso de autoridade por parte dos policiais envolvidos na ação. Até a noite desta terça-feira (1º), o número de mortos chegou a 14. “Pelos relatos que tivemos e recebemos, nosso entendimento é que sim, houve uma prática de chacina no Guarujá e que permanece ainda, já que ontem (1º agosto) aconteceram outras mortes”, afirma. Dimitri contou que todas as denúncias já foram enviadas ao procurador-geral de Justiça de São Paulo, Mário Sarrubbo, que deve criar um grupo especial para apurar a suposta ocorrência de chacina. Ele que esteve em Guarujá na segunda-feira (31), pede que o governador do estado finalize essa operação. “O governador antes de tomar conhecimento de laudos periciais, se posicionou favorável aos policiais dizendo que não houve nenhum tipo de ilegalidade. Ele não poderia tomar uma decisão tão precipitada que serve tão somente para respaldar atos de violência, há denúncias que precisam ser apuradas, há denúncias de tortura, de execução sumária”, aponta. Conter a violênciaAinda segundo Dimitri, a luta é contra qualquer tipo de violência. Ele explica que atos como os que estão sendo feitos, prejudicam toda a sociedade, principalmente pela maneira em que a operação seguindo. “Nós repudiamos toda violência contra agentes de segurança, não desejamos que policiais possam ser alvejados. Mas o que a gente tem colhido dessa operação é a morte. É inaceitável que uma operação da polícia resulte na execução das pessoas. Ou a polícia está agindo errado ou essa atuação é de forma proposital e nós queremos evitar que pessoas morram, qualquer pessoa”, afirma. Em nota, A Secretaria de Segurança Pública (SSP) esclareceu que as forças de segurança atuam em absoluta observância à legislação vigente e que desde o início da operação Escudo 32 suspeitos já foram presos e 20,3 quilos de drogas e 11 armas apreendidas. Todas as ocorrências com morte durante a operação resultaram da ação dos criminosos que optam pelo confronto, colocando em risco tanto vítimas quanto os participantes da ação. Por determinação da própria SSP, todos os casos desse tipo são minuciosamente investigados pela Divisão Especializada de Investigações Criminais (DEIC) de Santos e pela Polícia Militar, por meio de Inquérito Policial Militar (IPM). As imagens das câmeras corporais serão anexadas aos inquéritos em curso e estão disponíveis para consulta irrestrita pelo Ministério Público, Poder Judiciário e a Corregedoria da PM. Finalizou dizendo que é importante ressaltar que mesmo com o reforço no patrulhamento ostensivo, somente nesta terça-feira (1), dois PMs foram atacados a tiros, o que comprova a necessidade de manter em curso a Operação Escudo na região. A Secretaria de Segurança Pública reforça que o Estado de São Paulo não terá nenhuma região dominada pela criminalidade.