Homem afirma que guarda agiu com truculência desde o início da abordagem (Arquivo Pessoal) Uma confusão no Pronto-Socorro (PS) Central de São Vicente terminou com um morador sendo agredido por um agente da Guarda Civil Municipal (GCM) na noite de quarta-feira (12). O estoquista Erick Renan de Oliveira, de 23 anos, alega que o guarda agiu com truculência desde o início da abordagem, que culminou em socos e agarrões sofridos por ele. A Prefeitura, por outro lado, afirma que foi necessário o uso da força para “controlar a situação”. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o estoquista, ele e a esposa haviam levado o filho, de 6 meses de idade, para passar pelo pediatra depois de o menino apresentar um mal-estar. A confusão começou quando a família tentava retornar ao setor de pediatria, localizado no primeiro andar, após a criança passar por um exame de raio X no piso térreo. Na tentativa de voltar ao pediatra, um controlador de acesso negou a passagem do homem, visto que apenas um acompanhante é permitido. A ordem, contudo, foi questionada pelo estoquista, que alegou que estava há cerca de duas horas na unidade de saúde e já havia acompanhado a esposa e o filho na sala do médico. “Quando esse controlador de acesso me questionou, falei que já estava lá há duas horas e que não estava a passeio, estava lá porque era a vida do meu filho (em risco) e que a mãe dele também precisava de ajuda por ser pequeno”, conta Erick. Momentos antes, na sala do raio X, segundo o estoquista, não houve restrições para que ele pudesse entrar junto à esposa para segurar o filho, que ainda não consegue ficar de pé. -Veja o vídeo (1.422914) Por isso, ele resolveu acessar o primeiro andar, ainda que o controlador tivesse alertado que acionaria a GCM caso ele descumprisse a ordem. Minutos depois, um agente da guarda chegou ao PS e abordou Erick. Segundo ele, o oficial agiu com truculência. “Ele chegou apontando na minha cara e falando para que descesse”, diz. Em seguida, o estoquista voltou a questionar a ordem e explicou que apenas estava dando assistência para sua esposa e o filho. A partir daí, as agressões se iniciaram. “(O guarda) falou o seguinte: ‘Se você não descer, vou te ensinar como se desce”. Logo na sequência, o agente agarrou o estoquista pelo pescoço e o pressionou contra a parede, só soltando após uma enfermeira intervir. Ao soltar o homem, contudo, o GCM desferiu um soco contra o rosto dele. Erick então, entrelaçou sua perna em um banco da unidade de saúde, de modo que conseguisse se equilibrar e impedir que fosse derrubado no chão. A cena foi gravada por pacientes do PS, indignados com o episódio. Nas imagens, é possível ver Erick com a perna presa ao banco enquanto o guarda tenta puxá-lo. Momentos depois, uma funcionária intervém e leva o GCM para uma sala, o afastando do estoquista. Nesta quinta-feira (13), Erick registrou um boletim de ocorrência contra o agente no 1º Distrito Policial (DP) de São Vicente, com a denúncia do crime de lesão corporal. Prefeitura se defende Em nota, a Prefeitura de São Vicente disse que o casal seguiu até o primeiro andar do PS com a criança, o que não é permitido pelas normas da unidade, que autoriza “a presença de até um acompanhante no local, medida que visa zelar pelo bem-estar dos pacientes”. Ainda segundo a Administração Municipal, o controlador de acesso orientou o casal sobre a regra da unidade de saúde, mas a recomendação não foi respeitada. A Guarda Civil Municipal de São Vicente alega que, após ser orientado, o estoquista passou a “propagar ofensas e, até mesmo, ameaças aos profissionais”. A GCM afirma, também, que o agente acionado tentou intervir “buscando orientar e conscientizar o cidadão sobre a necessidade do respeito à norma em prol do bem-estar dos pacientes”. A corporação acrescenta que o pedido mais uma vez não foi acatado por Erick, que teria proferido xingamentos e gestos contra o guarda, o que fez com que fosse necessário “o uso moderado da força para controlar a situação”. As alegações, entretanto, são negadas pelo estoquista, que afirma não ter feito qualquer xingamento ou ameaça. “Somente pedi para que (o guarda) tirasse a mão de mim e não me agredisse”, declara. Por fim, a Prefeitura informou que o caso foi encaminhado ao 1º DP de São Vicente e que o incidente não prejudicou a consulta. “A criança passou por atendimento com pediatra e coletou exames laboratoriais”, esclarece o Município.