O comerciante foi reconhecido pelos olhos verdes (Arquivo Pessoal e Reprodução) Há mais de três anos, um morador de Guarujá, no Litoral de São Paulo, luta na Justiça para provar sua inocência por um crime que garante não ter cometido. O comerciante Alexsandro Cantuária de Souza, de 37 anos, ficou seis meses preso, afirmando ter sido confundido com um criminoso que furtou a casa de um promotor de Justiça por uma característica em comum: os olhos verdes. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Alexsandro foi acusado de associação criminosa por supostamente ter se agrupado com outros três suspeitos para cometer crimes patrimoniais em Bertioga. O crime que culminou em sua prisão aconteceu na manhã de 10 de junho de 2020, época da pandemia do covid-19 e do isolamento social. Pela área rural de Bertioga, os quatro estavam com uma arma semiautomática e um facão quando pegaram as vítimas e roubaram diversos itens de valor. Os criminosos usavam máscaras cirúrgicas, acessório de uso comum naqueles tempos de pandemia. O comerciante entrou no caso após o delegado de Bertioga da época, José Aparecido Cardia, mostrar Alexsandro para as vítimas e uma delas tê-lo reconhecido pelos olhos verdes e acne na pele, mas sem dar total certeza. A denúncia feita pelo Ministério Público (MP-SP) acusa Alexsandro e outros três de praticarem o crime e outros do tipo pela cidade. Duas instâncias já julgaram o caso do comerciante, sendo que ele foi considerado inocente em primeira instância e culpado em segunda. Agora, o caso será avaliado pela terceira instância para decidir se ele cumprirá ou não a pena de 25 anos. A perícia coletou mais de 100 impressões digitais dos supostos criminosos pela casa e, segundo o laudo de papiloscopia, não há registro da digital de Alexsandro no local do crime. Existe, sim, de outro homem que também possui olhos verdes e estava solto na época do crime. Esse documento foi entregue à Polícia Civil, mas o comerciante afirmou não ter sido juntado ao Inquérito Criminal. “Foi bem difícil porque estava na época de pandemia e não tinha visita, foi muito sofrido mesmo. Tenho duas filhas pequenas, então foram seis meses sem ver minhas filhas, minha mãe e minha esposa. Foi um momento bem complicado mesmo. Peguei até uma sarna, que me deu uma coceira naquela água suja”, comenta Alexsandro. O comerciante comenta que pagou pelos pecados durante os seis meses preso e, agora, pretende comprovar a inocência. “Chorei muito no primeiro dia, mas depois vi que não resolvia e falei: ‘Não, eu vou ser forte e vou lutar até o final porque eu sou inocente’”. O advogado de defesa Henrique Perez cita que a geolocalização do celular de Alexsandro comprova que ele estava em Guarujá no momento do crime e que há testemunhas que estiveram com ele na data dos fatos. “Não é uma prova (da inocência), são várias. Não é só a digital, são as testemunhas, os álibis são e a geolocalização”. “A prova das digitais é muito contundente, porque ela não só exclui o Alexsandro, como fala quem fez o crime”, destaca o advogado, citando que o verdadeiro culpado pelo assalto ainda está sem pagar pelo que fez. A reportagem de A Tribuna tentou contato com o Ministério Público (MP), a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) para um posicionamento sobre o caso, mas não obteve sucesso até a publicação desta matéria.