[[legacy_image_326302]] O comerciante Gustavo Breno Cunha, de 27 anos, foi abordado por policiais militares (PMs) no momento em que pagava sua conta no caixa, e levado com violência à delegacia de Iguape, no litoral de SP, na tarde da última sexta-feira (12). Ele estava em um hortifrúti que fica na Rua Francisco Marques de Aguiar, no bairro Rocio, quando a viatura passou e o abordou. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Tudo aconteceu porque uma viatura fazia ronda na região e, ao olhar para o interior do estabelecimento, os agentes avistaram Gustavo com capacete colocado na cabeça, e levando uma das mãos à região da cintura. Possivelmente confundido com um assaltante, os PMs agiram de imediato e fizeram a abordagem. As imagens de câmeras de segurança do hortifrúti mostram a abordagem. De acordo com o boletim de ocorrência (BO), Gustavo se negou a mostrar as mãos e teria dito ao agente que 'sua carreira acabou, vou chamar meu advogado', momento em que foi levado à viatura e passou a dar chutes na porta da viatura tentando impedir que a porta traseira fosse fechada e resistindo à detenção, negando aos policiais que fosse revistado. "Populares também tentaram impedir que o indivíduo fosse levado pela viatura", consta ainda no BO. Em entrevista à reportagem de A Tribuna, Gustavo, que mora com toda a família em Iguape, explicou que estava indo ao hortifrúti como de costume. "Tenho uma pastelaria e vendo açaí a uma quadra dali, e vou todos os dias buscar algo. A cidade é pequena, e todos se conhecem. Nesse dia estava indo buscar repolho, tomates, abacaxi e uvas para o meu avô", conta. Segundo ele, após as compras, na hora de fazer o pagamento, colocou o capacete na cabeca (aberto) para liberar as mãos, e estava pegando a carteira justamente na hora em que os policiais o viram. "O que você tem na cintura?", perguntou o policial. E Gustavo respondeu que não havia nada. Ele diz que o policial ordenou que ele tirasse o capacete, e ele obedeceu, levantou as mãos e não fez qualquer menção de resistência. Ainda de acordo com o comerciante, mesmo não tendo encontrado nada com Gustavo, o policial o levou até a viatura, e passou a empurrá-lo contra a viatura. "Chegou a quebrar até meus óculos, ao bater minha cabeça", diz. Quanto à porta da viatura, o comerciante disse que sofre de claustrofobia, e entrou em desespero ao ver que seria trancado na parte traseira, e, instintivamente, tentava impedir que ela fosse fechada enquanto chorava e pedia para não ser levado. DelegaciaUma outra viatura chegou ao local. "Conheço todos os policiais de Iguape, e são todos amigos meus e clientes, até vão na pastelaria com a famíla, mas essas duas viaturas eram com policiais de fora", conta Gustavo. Ele foi levado algemado à delegacia da cidade. Cerca de três horas depois de ser abordado, Gustavo conseguiu deixar a delegacia. Ele disse que ali só não conhecia o delegado, pois todos os outros sabiam quem ele era. "Sou delegado, e como policial devo preservar o cidadão de bem. Peço desculpas a você, em nome da Polícia Militar", disse a ele o delegado de plantão.Ao ser liberado, o comerciante foi registrar um boletim de ocorrência na Polícia Militar, para que o documento seja encaminhado à corregedoria da PM. RepercussãoEm uma publicação, o prefeito da cidade, Wilson Almeida Lima (PSDB), publicou: " Não! Definitivamente assim, não, senhores! Abordagem é uma coisa, mas isso é exorbitar e representa um completo absurdo. Agem numa cidade pequena e em geral pacata como se estivessem na periferia conflagrada das grandes cidades". A reportagem de A Tribuna entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) e também com a Polícia Militar, mas até o fechamento desta matéria não houve resposta.