[[legacy_image_302433]] “Minha vida vale menos do que um saco de lixo”. Esse é o sentimento do comerciante Luan Gonçalves de Souza, de 32 anos. Ele alega que foi agredido, na manhã da última quinta-feira (5), por agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) de Santos, depois que o pedal da bicicleta em que estava esbarrou em um saco de lixo no túnel do Veículos Leves sobre Trilhos (VLT), que liga a Cidade a São Vicente, no José Menino. O local estava passando por uma limpeza e os guardas prestavam apoio na ação. (Veja vídeo mais abaixo) Luan, que mora no Marapé, em Santos, conta que sempre utiliza o túnel para 'cortar caminho' quando vai e volta da casa da namorada, em São Vicente. Foi o que fez no dia dos fatos. “Quando eu passei, vi que estavam limpando. Quando isso acontece, normalmente não deixam passar e os guardas ficam ali. Mas como vi que várias pessoas estavam passando, pensei que dava pra ir e fui”. O comerciante relata que quando estava saindo, havia três sacos de lixo no caminho e por isso resolveu descer da bicicleta para passar com mais facilidade. Entretanto, um dos pedais do veículo enganchou em um dos sacos e a confusão começou. “Os guardas já começaram a me xingar. No primeiro momento eu pedi desculpa, mas eles continuaram, até que eu perguntei ‘O que que é?’ e eles começaram a xingar mais ainda”, relata. Luan rebateu e conta que foi aí que os agentes partiram para cima dele tentando imobilizá-lo. “Eles falaram que iam levar a minha bicicleta e eu falava que não tinha feito nada. Até que eles começaram a me enforcar. Eu quase apaguei e até falei pra eles ‘eu vou morrer’, aí eles pararam. Eu não estava nem lutando mais, achei que ia morrer”, detalha. [[legacy_image_302434]] Ele afirma que os guardas o levaram para o outro lado da rua, rasparam o rosto dele na parede e deram socos. Luan relata que as agressões só pararam quando um morador ameaçou filmar a ação. Com isso, o levaram para a viatura e o encaminharam para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Central, onde passou por atendimento e fez curativos. Depois, Luan foi apresentado no 7ª Distrito Policial (DP) de Santos, mas foi liberado. O comerciante diz estar indignado com a ação e conta que pretende prosseguir com o boletim de ocorrência contra os GCMs e deve acioná-los judicialmente. “Eu praticamente fui torturado por causa de um saco de lixo. Não dá para negar, está tudo filmado. Desejo justiça”, comenta. Posicionamento da GCMEm nota encaminhada pela assessoria de imprensa de Santos, o comando da GCM diz que “rechaça a acusação da suposta agressão relatada” e que a “ocorrência de desacato a uma equipe durante abordagem a um ciclista consta no BO lavrado no 7º DP de Santos, para onde o autor da infração foi encaminhado”. Em sua versão, a GCM relata que “na manhã da última quinta-feira, durante força-tarefa para limpeza do túnel do VLT, no José Menino, a equipe de guardas municipais que dava apoio à operação da BR Mobilidade flagrou um ciclista trafegando no interior do túnel, o que é proibido”, e que “além de circular com a bicicleta em local proibido, o homem passou com o veículo sobre o material, chutando e espalhando os sacos de lixo já recolhidos entre os trilhos do modal”. Na nota, a equipe ainda conta que “ao ser advertido, o ciclista proferiu xingamentos e ameaças verbais aos GCMs, que iniciaram a abordagem após o desacato” e que “houve resistência por parte do infrator, que foi conduzido dos trilhos para a lateral do túnel visando a segurança dele e da equipe”. No entanto, GCM informou que “o infrator continuou resistindo fortemente à abordagem e acabou batendo a face da parede do muro”. A equipe ainda esclareceu que “por resistir com violência à abordagem, o infrator foi imobilizado e algemado” e a “bicicleta foi recolhida pela GCM mediante à infração de circular em local proibido”. O veículo foi apreendido e levado a base da GCM, no Complexo Rebouças, na Ponta da Praia, de onde poderá ser liberado depois que o ciclista passe por um curso de reciclagem para condução de bicicleta, oferecido gratuitamente pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Santos). A nota ainda reitera que antes de ser levado para o 7º DP, Luan “foi primeiramente conduzido à UPA Central, onde passou por análise clínica, exames e curativo na escoriação da face” e afirma que “o laudo médico atesta que não houve ‘espancamento’ e/ou ‘enforcamento’”. Após a repercussão do caso, a Prefeitura ainda complementou a nota dizendo que “após tomar conhecimento da denúncia por meio da imprensa, a Corregedoria da GCM continuará apurando os fatos por meio de sindicância interna” e esclarece que “desde 2019, o local é monitorado 24h em apoio à Polícia Militar: uma equipe da GCM faz o monitoramento no local das 7h às 19h, e a PM responde pelo policiamento das 19h às 7h na área do túnel do VLT, que também é monitorada por câmeras do Centro de Controle Operacional (CCO)”. Por fim, o município informou que “a Secretaria de Segurança destaca que todo o efetivo da GCM passa por atualização profissional. A corporação tem como principal missão garantir o cumprimento do Código de Posturas do Município e dá apoio às abordagens sociais e às forças de seguranças”.