O Clubes dos Ingleses se disponibiliza para ajudar as pessoas em situação de rua (Reprodução) Com 135 anos de história, o Clube dos Ingleses, localizado no Bairro José Menino, é um dos lugares mais tradicionais em Santos. Porém, o que se tornou tradicional também em volta do local nos últimos anos, não é agradável. O clube tem sofrido com ações de pessoas em situação de rua, que chegam até mesmo a colocar fogo, preocupando Marcelo Oliveira, presidente do complexo de esportes e eventos. “Nós temos um departamento de reformas no clube, o departamento de patrimônio, e esse departamento tem um alto custo de reformas com muros, fios e câmeras que são roubadas. Não é um problema da segurança pública, pois a segurança pública está no entorno do clube”. Marcelo contou que o clube sempre teve o apoio do poder público de Santos, sendo atendido rapidamente quando há chamada para alguma ocorrência, mas que o verdadeiro problema está na quantidade de pessoas em situação de rua na região. “A questão é a quantidade exagerada de indivíduos que permanecem nas ruas. Esse é um grande problema mundial”. A frequência das ocorrências teve aumento há cerca de cinco anos, mas principalmente quando reformaram o túnel que conecta Santos e São Vicente, expulsando as pessoas que ocupavam seu interior. Desde então, dentro do túnel somente há espaço para a passagem do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). “Quando o túnel do VLT foi fechado, eles pararam de ocupar lá dentro e passaram a ocupar o entorno do clube”, disse Marcelo. O presidente do clube também contou que quando o policiamento é intensificado na área, essas pessoas em situação de rua se deslocam para outros bairros, como o Centro ou Ponta da Praia, fazendo com que o problema não se resolva adequadamente. Uma solução, segundo Marcelo, seria a implementação da internação compulsória obrigatória. “Enquanto o Governo Federal não aprovar a internação compulsória, a gente vai continuar convivendo com isso. Deixa de ser saúde pública e passa a ser um tema de crime e de segurança pública quando o indivíduo deixa de praticar um ato na rua de consumo de drogas, por exemplo, para destruir o patrimônio público ou privado, que é o que acontece no clube”, defendeu Oliveira. “O mais importante é que os munícipes não doem comida para eles na rua, porque os munícipes vão na porta do clube e levam um prato de comida para eles, sendo que o poder público oferece instalações com alimentação, banho, área para pet, mas eles querem ficar na rua”. De acordo com o presidente, o Clube dos Ingleses atende diversas entidades assistenciais, revertendo parte da renda de eventos realizados dentro da instituição. Pensando nisso, Marcelo disse que o clube também poderia ajudar as pessoas em situação de rua, desde que elas aceitassem realizar o tratamento de internação compulsória. “O clube já se ofereceu, por exemplo, para construir uma base comunitária na esquina da Rua Décio Stuart com a Santa Catarina, se for necessário. O clube se predispõe a ajudar a Guarda Civil Municipal (GCM) e a Polícia Militar (PM), dando apoio no que for necessário”. Outro lado A Secretaria de Segurança Pública (SSP) disse que monitora a variação dos índices criminais para desenvolver políticas de enfrentamento à criminalidade e reforçar o policiamento e as ações investigativas nos locais de maior incidência criminal. Assim, as ações investigativas da Polícia Civil seguem reforçadas com foco na identificação de receptadores de produtos roubados e furtados, combatendo, assim, a cadeia ilegal que alimenta os crimes patrimoniais. Com isso, os roubos e furtos em geral no 7° Distrito Policial (DP) de Santos, responsável pela área, apresentaram queda de 47,7% e 21,7%, respectivamente, nos primeiros nove meses de 2024, em comparação ao mesmo período de 2023. A Guarda Civil Municipal (GCM) informou que não foi acionada para ocorrências no Clube dos Ingleses, mas mantém patrulhamento preventivo na região 24 horas e conta com apoio de equipamentos de videomonitoramento no local. O 6° Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I) comunicou que além das operações diárias no bairro José Menino, a presença da Polícia Militar é constante no local e recebe os seguintes Programas de Policiamento: Rádio Patrulhamento Padrão, Rádio Patrulhamento com Motos, Ronda Escolar e Policiamento de Força Tática, Atividade Dejem e Delegada. Além disso, a Secretaria de Desenvolvimento Social (Seds) mantém equipes de abordagem no território, oferecendo acolhimento à população de rua no bairro. Ao aceitarem o auxílio, as pessoas em situação de vulnerabilidade são encaminhadas para o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop), localizado na Rua Amador Bueno, 446, Vila Nova. O equipamento funciona como um sistema de porta de entrada, para que o atendimento seja realizado conforme as necessidades apresentadas, com direito a guarda de pertences pessoais, canil, lavanderia, higienização, alimentação, assistência psicossocial e encaminhamento para acolhimento em abrigos. Por fim, informaram que as pessoas podem acionar a abordagem social pelo telefone 153, mesmo número da GCM.