[[legacy_image_257467]] Uma rotina dividida entre curativos, cirurgias e a esperança de voltar à vida normal o quanto antes. Mais de quatro meses após ser atropelado em Bertioga, litoral de São Paulo, o autônomo Caio Aparecido de Melo Silva, de 32 anos, segue sem poder trabalhar e amparado por familiares. O carro que provocou o acidente era conduzido por Vanessa Mennitti Matheus, ex-esposa do prefeito Caio Matheus e ex-primeira-dama da cidade. (Relembre o acidente no vídeo mais abaixo) Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em entrevista para A Tribuna, Caio Aparecido contou o que lembra do momento do acidente, bem como a rotina nos últimos meses, marcada por cirurgias e idas constantes ao hospital. No dia do acidente, o autônomo saia de uma pousada onde trabalhava e estava de bicicleta em uma calçada, quando o veículo conduzido por Vanessa invadiu a calçada e o atropelou, arremessando o ciclista contra o asfalto. Ele sofreu múltiplas fraturas na tíbia (osso da perna) e no pé esquerdo. "Hoje está num estágio final da recuperação do meu pé. A perna, como ela tá com suporte fixador, vou ter que fazer uma operação para colocar uma platina por tempo indeterminado, até o osso colar. O pé é mais complicado. Ele ainda não se recuperou, os ossos não colaram. Tive lesão no fêmur, na tíbia e em dois ou três metatarsos do pé. Também tive infecção, então o processo de cura foi mais lento", conta Caio. Ele relembra que, no momento do acidente, não percebeu muita coisa, e quando acordou já estava no chão. Foi quando Caio ligou para familiares e pediu ajuda ao Samu. O autônomo foi socorrido ao Hospital Municipal de Bertioga, e posteriormente levado ao Hospital Santo Amaro, em Guarujá. "Desde o acidente estou sem trabalhar, não tenho como. Eu realmente não consigo andar. Não consigo nem colocar o pé no chão. Ou é de muleta, ou não da pra andar. Espero que eu não fique com sequelas e consiga voltar a trabalhar normal, levando a minha vida da mesma maneira que levava antes", afirma. Na Justiça Além da recuperação das fraturas, Caio Aparecido está de olho em duas ações judiciais que correm contra a ex-primeira-dama de Bertioga. Em uma delas, a vítima cobra danos morais e físicos, além de auxílio financeiro durante o tratamento. O outro processo corre na esfera criminal. O advogado Edmilson Pinto Cardozo, que representa o ciclista, explica que foi solicitada uma pensão vitalícia, devido as graves lesões que Caio sofreu no acidente e a incerteza sobre o retorno ao trabalho. "Nós pedimos uma indenização de danos morais, pelo acidente como um todo, pelo fato da condutora não ter prestado socorro. Danos estéticos também, pelos danos que ele têm sofrido, e as consolidações das lesões do Caio, que a gente ainda não sabe até quanto vai chegar. A gente pede danos morais, danos estéticos e a pensão vitalícia", comentou. O pedido foi acolhido parcialmente em uma liminar publicada nesta semana. O juiz Daniel Leite Seiffert Simões, da 1ª Vaga de Bertioga, determinou que Vanessa pague R\$ 98 de pensão por mês, correspondendo a diferença entre os ganhos comprovados do ciclista e o benefício que ele recebe atualmente. Edmilson Cardozo disse que vai recorrer da decisão, já que o valor é considerado irrisório e insuficiente para suprir das despesas de Caio. "Ele definiu a liminar parcialmente porque não fixou a faixa de valor que nós pleiteamos. Ele pleiteou um valor menor. Vamos juntar novos comprovantes no processo para demonstrar que o Caio tinha uma renda superior, e portanto, esse valor deve ser alterado", afirma o advogado. [[legacy_image_257474]] Relembre o caso Caio Aparecido foi atropelado por Vanessa Matheus no dia 9 de dezembro do ano passado, na Rua João Ramalho, bairro Maitinga, em Bertioga. A Prefeitura informou, na época, que Vanessa, presidente do Fundo Social de Solidariedade (FSS) do município, voltava para casa com a filha quando perdeu o controle do veículo ao passar por um trecho de curva fechada. Depois de atropelar o ciclista, a condutora ainda bateu em um caminhão e na guarita de um prédio. Ela e a filha tiveram ferimentos leves. Carro de empresa O veículo usado por Vanessa no dia do acidente estava registrado pela empresa Matheus Construtora e Incorporadora de Imóveis Ltda, com nome fantasia de Caio Matheus Construtora. A companhia que leva o nome do prefeito de Bertioga também foi citada no processo. O automóvel acumulou sete multas que, somadas, chegam a R\$ 1,7 mil. Grande parte das infrações foram por excesso de velocidade. [[legacy_image_257475]] Investigação Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) disse que o atropelamento segue sendo investigado por inquérito na Polícia Civil. "A autoridade policial realiza as diligências cabíveis para total esclarecimento dos fatos". Outro lado A Tribuna conversou com o advogado João Fernando Lopes de Carvalho, que representa Vanessa Matheus no caso. Segundo ele, a presidente do FSS ainda não tomou conhecimento da decisão liminar. "Ainda não tomamos conhecimento dos termos da ação. A Vanessa vai se manifestar no processo para se apresentar. O acidente realmente aconteceu. A Vanessa, desde o começo, tem se colocado ou tem tentado se colocar à disposição do rapaz e da família para prestar assistência", declarou. João Fernando afirmou ainda que Vanessa "vai prestar o auxílio necessário dentro daquilo que for fixado com Justiça", e que a ex-primeira-dama de Bertioga vai pagar a pensão determinada na liminar. A Prefeitura de Bertioga preferiu não se manifestar por se tratar de assunto pessoal. A Reportagem não conseguiu contato com a construtora. [[legacy_image_257476]]