Betinho havia sido resgatado do 1° DP de Guarujá em janeiro de 2022 (Reprodução e Arquivo/ TV Tribuna) Roberto Prieto Filho, conhecido como Betinho e apontado como uma das lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC), chegou a ter uma certidão de óbito falsa apresentada à Justiça enquanto estava foragido. O detalhe consta em documentos judiciais obtidos por A Tribuna e vem à tona após a prisão dele na Bolívia, anunciada nesta semana. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Betinho estava foragido desde janeiro de 2022, quando foi resgatado por criminosos armados na cadeia anexa ao 1º Distrito Policial (DP) de Guarujá. Durante esse período, segundo manifestação do Ministério Público, foi juntada ao processo uma certidão informando que Roberto Prieto Filho teria morrido em outro estado. A informação, porém, era falsa. O Ministério Público registrou que, após a condenação de Betinho, “foi apresentada uma certidão de óbito falsa nos autos”, dando conta da suposta morte do réu. O episódio também foi mencionado posteriormente pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Ao analisar um habeas corpus apresentado pela defesa, a Justiça afirmou que Betinho já havia utilizado diferentes recursos processuais e chegou a tentar forjar a própria morte durante a tramitação do caso. Condenação de mais de 20 anos Betinho foi condenado em janeiro de 2023 a 20 anos, dois meses e 20 dias de prisão, em regime inicial fechado, pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Além da pena de prisão, ele foi condenado ao pagamento de 2.346 dias-multa. A sentença foi mantida pelo TJ-SP em setembro de 2025. Segundo os autos, Betinho e Pablo Ribeiro Lopes Santos se associaram a outros homens para praticar o tráfico de drogas de forma reiterada. No processo que resultou na condenação, ambos foram responsabilizados pela guarda de cocaína. A Justiça também atribuiu a Betinho a ocultação e dissimulação da propriedade de um imóvel e de um veículo. Apontado como distribuidor de drogas na Baixada Santista As investigações contra Betinho começaram antes da fuga. Em janeiro de 2022, a Polícia Civil informou à Justiça que ele seria o “braço direito” de uma organização criminosa investigada após a prisão de Fernando Almeida Lima, conhecido como Feu. A apuração inicial chegou a levantar a suspeita de que o grupo estivesse envolvido na remessa de drogas ao exterior pelo Porto de Santos. Policiais acompanharam a movimentação de Betinho em diferentes imóveis em Guarujá e identificaram um dos endereços como possível local de reunião entre integrantes do grupo. No decorrer do processo, no entanto, a Justiça concluiu que não havia provas suficientes de que a cocaína apreendida tivesse como destino o tráfico internacional. Segundo decisão da 13ª Câmara de Direito Criminal do TJ-SP, Betinho era apontado pela Polícia Civil como responsável pelo abastecimento de pontos de venda de drogas em diferentes locais da Baixada Santista. O acórdão também afirma que a investigação revelou a participação dele em uma célula do crime organizado ligada a Guarujá e responsável pela distribuição de entorpecentes na região. Fuga cinematográfica Betinho escapou da cadeia anexa ao 1º DP de Guarujá em 14 de janeiro de 2022. Criminosos armados acessaram o pátio interno da unidade pelo alto e utilizaram escadas para resgatar Betinho e Pablo Ribeiro Lopes Santos. Um terceiro preso também aproveitou a ação para fugir. Os dois seriam encaminhados naquele mesmo dia para audiência de custódia e, posteriormente, ao sistema prisional. Documentos do Ministério Público classificaram posteriormente o resgate como uma ação “cinematográfica”. Depois de mais de quatro anos foragido — período em que chegou até a ser declarado falsamente como morto —, Betinho foi localizado em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, pela Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (Felcn), após troca de informações com autoridades brasileiras.