Uma casa no bairro Jardim Coronel, em Itanhaém, no litoral de São Paulo, foi apontada como base de um esquema de golpes por telefone que, segundo a Polícia Militar (PM), chegava a movimentar entre R\$ 5 mil e R\$ 10 mil por dia. No imóvel, policiais militares chegaram a encontrar uma BMW X1, além de outro automóvel e acessórios voltados à prática de golpes. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com a PM, equipes da 2ª Companhia do 29º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPMI) foram acionadas via Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) para verificar a informação de que havia indivíduos no imóvel, na Rua Maceió, com armas, drogas e diversos celulares, além da suspeita de funcionamento de uma central de telemarketing voltada à prática de estelionato. Ao chegarem ao local, os policiais encontraram o portão aberto e visualizaram, no interior da residência, um veículo BMW X1 2024 com portas e porta-malas abertos, além de um Honda Fit estacionado. Diante da situação, as equipes entraram no imóvel e abordaram seis pessoas. Durante a abordagem, segundo a PM, os envolvidos confessaram informalmente a prática de golpes e detalharam o funcionamento do esquema. A ocorrência foi registrada na manhã do último dia 17, sexta-feira, após denúncia anônima. Estrutura organizada e divisão de funções Ainda conforme a polícia, o grupo atuava de forma estruturada. Parte dos integrantes era responsável por obter contas bancárias de terceiros, conhecidas como “contas laranja”, geralmente adquiridas de pessoas em situação de vulnerabilidade mediante pagamento. Outros atuavam diretamente nas ligações às vítimas, enquanto havia quem preparasse os aparelhos celulares, ativando chips e configurando aplicativos, principalmente o WhatsApp, para viabilizar a comunicação entre os integrantes e os contatos externos. Segundo relato dos abordados à PM, dois integrantes comandavam o esquema e realizavam as ligações, enquanto outros davam suporte operacional. Golpe simulava programa de televisão A dinâmica criminosa, de acordo com a ocorrência, consistia em entrar em contato com pessoas que já haviam demonstrado interesse em rifas online. Esses dados, ainda segundo os suspeitos, eram adquiridos de outros golpistas. Nas ligações, o grupo se passava por integrantes do programa “Viva Sorte”, informando falsamente que a vítima havia sido contemplada com prêmios. Para liberar o suposto prêmio, era exigido um pagamento antecipado, geralmente entre R\$ 500 e R\$ 1 mil, via Pix. Os valores eram direcionados por meio de QR Codes vinculados a plataformas de apostas online, o que, segundo a PM, dificultava o rastreamento imediato do dinheiro. Equipamentos apreendidos Durante vistoria no imóvel, os policiais localizaram 11 celulares, quatro notebooks e quatro headsets. Segundo os próprios abordados, os equipamentos eram utilizados para dar aparência de profissionalismo às ligações. Também foi encontrada uma arma de pressão, tipo chumbinho, que pode ter motivado a denúncia inicial sobre a presença de arma de fogo. Objetos relacionados ao uso de drogas, como sedas e dichavadores, também estavam no local, mas nenhuma substância ilícita foi apreendida. Menor entre os envolvidos Os seis indivíduos foram conduzidos ao Distrito Policial. De acordo com a PM, um deles é menor de idade. Segundo relato apresentado à equipe, ele estaria no local “a passeio”, auxiliando pontualmente, sem pleno conhecimento da atividade criminosa. A ocorrência foi registrada como associação criminosa, estelionato qualificado e corrupção de menores. Todos permaneceram à disposição da autoridade policial. As chaves do imóvel ficaram sob responsabilidade de um responsável indicado, e advogados compareceram ao plantão para acompanhar o caso.