Rafaela Costa da Silva, presa por envolvimento na morte de Igor Peretto, ligou para a irmã pedindo ajuda horas após o crime (Reprodução) Rafaela Costa da Silva, a viúva presa por envolvimento na morte do comerciante e marido, Igor Peretto, mandou mensagens e ligou para a irmã pedindo ajuda após o crime em Praia Grande. Além disso, na conversa com a irmã, ela deu mais detalhes da participação de Mario Vitorino da Silva Neto, cunhado preso, e da irmã da vítima presa, Marcelly Marlene Delfino Peretto, no dia do assassinato. Segundo ela, Mario teria ficado em ‘choque’ depois do homicídio e Marcelly o ajudou a se recompor. Todas essas informações estão no relatório de investigação parcial do processo obtido por A Tribuna. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O caso aconteceu no apartamento de Marcelly, que fica na Avenida Paris, no Canto do Forte, durante a madrugada e manhã do dia 31 de agosto. A vítima foi assassinada a facadas e teria morrido após sofrer 40 ferimentos. No documento obtido por A Tribuna, consta que foram recuperadas ‘inúmeras’ mensagens apagadas dentre as enviadas. Nele, é apontado que as mensagens excluídas indicavam uma conversa entre Rafaela e sua irmã por volta das 12h40 de 31 de agosto. “Nas mensagens, Rafaela pede para a irmã não abandoná-la e a irmã a orienta a se entregar para a Polícia, juntamente com Mário, pois iriam achá-los de qualquer maneira”, diz o relatório. Rafaela, em sua defesa, conta que não estava no local, e que saiu antes que eles chegassem. Além disso, afirmou que as câmeras poderiam comprovar isso. Entretanto, a irmã de Rafaela continuou incentivando-a a se entregar e contar tudo, caso contrário iriam matá-la. “Rafaela chega a pensar em se matar e a irmã fala que o problema foi ela ter ido até o prédio e fugido com o Mário e Rafaela fala que só o encontrou em São Paulo, que a Marcelly sim fez parte disso, que Mário caiu no chão em choque e que Marcelly o tirou de lá”, diz no documento. Rafaela também relembra a dinâmica do ocorrido. Ela contou que estava na casa de Marcelly e que saiu. Depois, Igor começou a ligar nervoso e disse que estava junto com Mário. Diante disso, Rafaela acelerou o carro e, quando estava chegando na divisa, Mário ligou para encontrá-los em São Paulo. “A investigada ainda diz para a irmã que precisava desse dinheiro para a advogada e a irmã teme por sua família, pergunta de onde é a advogada e diz que o dinheiro não está lá e não dá para pegar de final de semana. As duas terminam a conversa de 7 minutos por ligação de áudio”, consta no documento. As mensagens As conversas se iniciam às 12h46 de 31 de agosto, dia que Igor Peretto foi assassinado. Confira na integra: A irmã diz primeiro “Pelo amor de Deus" "Rafaela fala que é mentira" "Por favor" "Fala que é uma pegadinha" "Meu Deus" Em resposta, Rafaela diz: "Irmã" "Eu só tenho vc" "Abre a boca aí" "As câmeras prova tudo" "Tudo!" "O Mario que caiu no chão em choque e ela (Marcelly) que tirou ele de lá" "Irmã cuida do (meu filho), por favor" "Foi isso" "Eu estava na Marcelly" "Ai são" "Sai" "Quando entrei no carro" "O Igor começou a me ligar nervoso" "E estava c o Mario" "Eu ja sai acelerando" "Pra Santos" "Quando eu estava na Divisa" "No Pier" "O Mario ligou mandando encontrar os dois em São Paulo" "Só me falaram quando eu entrei no carro deles" "10 da manhã" A irmã perguntou: "Os dois quem" "Marcelly e Mário?" Após isso, no documento, não há mais partes da conversa. O que diz o advogado de Rafaela? Segundo Marcelo Cruz, advogado que defende Rafaela, esse é mais um 'ponto figadal que demonstra que Rafaela só não voltou antes porque realmente temia pela sua vida'. "Rafaela já demonstrava não estar no local, que as câmeras demonstrariam", fala o defensor. Na conversa extraída do celular, o advogado contou que isso demonstra que Rafaela não teve participação no crime em apuração. "Seu problema foi ter ido ao apartamento antes do crime e ter fugido com Mário, contudo, sem ter tido o chamado Animus Necandi (vontade de matar)". Em uma "análise aprontada dessas conversas e de outras que não passarão ao descortino da banca" de defesa de Rafaela, de acordo com Marcelo Cruz, ao final, tudo será explorado em julgamento. Denúncia e ‘triângulo amoroso’ O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou o trio e apontou os suspeitos como um ‘verdadeiro triângulo amoroso’. Além disso, o órgão acredita que o crime foi premeditado. A viúva Rafaela Costa teria, inclusive, pesquisado em seu celular ‘quanto tempo o corpo demora a feder’. Suspeitos e crime premeditado Mario Vitorino da Silva Neto, Marcelly Marlene Delfino Peretto e Rafaela Costa da Silva, suspeitos por matarem o comerciante Igor Peretto, em Praia Grande, cometeram o crime de forma premeditada. É o que aponta o Ministério Público de São Paulo (MP-SP). O MP-SP pediu a prisão preventiva dos três no último dia 29. A solicitação foi acolhida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) na quinta-feira (31). A Tribuna teve acesso à denúncia do MP-SP. O órgão se manifestou pela decretação da prisão preventiva dos três, porque, segundo o MP, o "crime de homicídio praticado pelos denunciados é gravíssimo, hediondo, importando em grande risco ao meio social a mantença em liberdade dos criminosos". “A vítima foi morta com diversas facadas desferidas por Mario e com incentivo e apoio moral de Marcelly e Rafaela, que inclusive foram as responsáveis por atrair a vítima para o local do crime. Além disso, depois de consumado o delito, os três fugiram juntos. Não bastasse, tentaram apagar os vestígios do crime e simular uma falsa luta corporal para invocar legítima defesa. Soma-se a isso que Rafaela apagou conteúdo de mensagens trocadas com os comparsas no dia do crime. Há elementos, portanto, a demonstrar que os três denunciados agiram em conluio para a morte da vítima. Além disso, a brutalidade do crime gerou repercussão nacional e clamor social, sendo certo que eventual soltura nesta fase reforçaria a sensação de impunidade no país”, diz a denúncia. Além disso, segundo o documento, consta nos autos que no dia 31 de agosto, por volta das 7h37, na Avenida Paris, Canto do Forte, "Mario Vitorino da Silva Neto, por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa do ofendido, matou Igor Peretto, conforme laudo necroscópico, crime para o qual concorreram Marcelly Marlene Delfino Peretto, qualificada, e Rafaela Costa Da Silva, qualificada, mediante prévio ajuste de vontades, incentivo e apoio moral. Segundo se apurou, a denunciada Marcelly e Igor eram irmãos. Marcelly era casada com o denunciado Mario e Igor casado com terceira denunciada, Rafaela. Os quatro conviviam e mantinham relação muito próxima. Além dos momentos de lazer compartilhados, Mario e Igor eram sócios em uma empresa (loja de motocicletas)”. Ainda de acordo com a denúncia, Rafaela passou a ter um relacionamento extraconjugal com Mario e também iniciou relacionamento amoroso com a cunhada, Marcelly. “Havia, portanto, relacionamento de natureza íntima e/ou sexual entre Rafaela, Mario e Marcelly, sem ciência e participação da vítima, Igor. Assim, nesse verdadeiro triângulo amoroso, Igor tornou-se um empecilho. Por isso, Rafaela, Marcelly e Mario, em conluio, decidiram matar Igor”, aponta o documento. Como foi o crime Segundo consta no documento, na noite que antecedeu o crime, os quatro envolvidos foram a uma festa. “Colocando o plano mortal em prática, já durante a madrugada, Rafaela e Marcelly saíram mais cedo do evento e foram juntas para o apartamento de Marcelly, onde trocaram beijos e carícias. Pouco tempo depois, Igor e Mario também saíram juntos da festa, no carro de Mario, e acabaram indo para o apartamento de Marcelly, atraídos por Rafaela, que efetuou ligações e enviou mensagens para seu amante, Mario, mesmo sabendo que este estava acompanhado de seu marido, Igor”. Mario e Igor se dirigiram ao apartamento de Marcelly - segundo o MP, Mario estava momentaneamente morando em outro imóvel. “Pouquíssimos momentos antes da chegada dos dois rapazes ao apartamento, e já certa de ter atraído o marido para a morte, Rafaela deixou o local e permaneceu em seu veículo nas proximidades, aguardando o desfecho do homicídio e a fuga dos comparsas. Enquanto aguardava, Rafaela realizou pesquisas no aplicativo de buscas no sentido: 'pesquisas de destinos, supostamente a serem considerados, no aplicativo Waze, tais como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Campo Grande, Bahia, Salvador, entre outros'. Ainda, enquanto fugia com os comparsas, pesquisou: 'quanto tempo o corpo demora a feder'. Em seguida, de acordo com a denúncia do MP, Igor entrou no apartamento desconfiado de estar sendo traído, manifestando decepção com aqueles que estavam próximos, dizendo: "Do que adiantou eu fazer tudo, eu me esforço tanto, eu fiz isso sempre por todos, seus traíras, p****".“Neste momento, com o prévio ajuste, incentivo e apoio moral de Rafaela, que já saíra do apartamento, e com o prévio ajuste, incentivo e apoio moral de Marcelly, que a tudo presenciava no local, Mario atacou Igor com diversos golpes de faca”. Com isso, ele teria provocado cerca de 40 ferimentos em Igor. A vítima morreu no apartamento. Marcelly e Mario fugiram juntos no carro dele. “Num primeiro momento, ambos vão ao apartamento de Mario, também em Praia Grande. Sobem rapidamente no apartamento dele, pegam alguns pertences e, depois, prosseguem para a tentativa de fuga definitiva. Nessa fuga, combinam local e se encontram com Rafaela. A partir de então, Rafaela abandona seu carro, junta-se aos comparsas e o trio foge junto no carro de Mario, em direção ao interior do estado”. Também segundo o documento, nesse período, o trio conseguiu apagar todo o conteúdo do celular de Rafaela referente à madrugada do crime. “A morte de Igor traria grande vantagem financeira ao trio denunciado, pois Mario poderia assumir a liderança da empresa que tinha com a vítima, sendo esse empresário de sucesso. Rafaela, viúva, receberia sua herança/meação. E Marcelly, que se relacionava com os dois beneficiários diretos, igualmente teria os benefícios financeiros", alega o MP-SP. De acordo com a denúncia, o crime foi praticado por meio cruel, com diversos golpes de faca contra a vítima, causando-lhe intenso sofrimento. O crime também foi praticado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, que estava desarmada e foi atacada por pessoa de seu relacionamento próximo, de quem não esperava mal algum, sendo que apenas um dos golpes pelas costas já era capaz de gerar tetraplegia, conforme o documento. "Segundo o perito, Marcelly e Rafaela concorreram diretamente para a prática do crime, em todas as suas etapas, dando incentivo e apoio moral para Mario, com quem estavam previamente ajustadas, inclusive sobre a motivação (torpe) e os meios de execução do delito (com crueldade e recurso que dificultou a defesa da vítima)”, cita o documento. A denúncia pede que o trio vá a juri popular. “Para finalizar, postula a fixação de valor mínimo de R\$ 300.000,00 (trezentos mil reais), para reparação dos danos morais causados pelo crime, a serem destinados aos herdeiros da vítima, nos termos do artigo 387, inciso IV, do Código de Processo Penal e da Resolução n. 243 do Conselho Nacional do Ministério Público”. Leia mais sobre este caso: Caso Igor Peretto: MP pede que trio preso pague R\$ 300 mil a herdeiros de comerciante morto em Praia Grande Caso Igor Peretto: Em nova revelação, testemunha diz que ouviu últimas palavras de comerciante morto em Praia Grande Caso Igor Peretto: comerciante morto em Praia Grande teria ficado tetraplégico se sobrevivesse ao crime Caso Igor Peretto: muda tipo de prisão do trio envolvido no assassinato e família do comerciante encontra conforto Caso Igor Peretto: MP aponta que trio suspeito de matar comerciante vivia triângulo amoroso e agiu de forma premeditada Caso Igor Peretto: Laudo aponta que comerciante morto sofreu 40 ferimentos no quarto do apartamento em Praia Grande Caso Igor Peretto: Suspeito de matar comerciante teria enviado carta à viúva da vítima após o crime em Praia Grande Justiça nega liberdade à viúva envolvida no caso de comerciante morto a facadas em Praia Grande Entenda o que se sabe até agora sobre o caso do comerciante morto em apartamento de Praia Grande Irmão de vereador é esfaqueado e morto em apartamento de Praia Grande Cunhado preso por morte de comerciante se apresenta em Praia Grande; fuga teria sido por medo de ameaças Irmã e esposa de comerciante assassinado em Praia Grande são presas Agiu em legítima defesa, diz advogado do cunhado preso por morte de comerciante em Praia Grande Advogado de acusado de matar comerciante a facadas em Praia Grande sofre ameaças Cunhado de comerciante morto em apartamento de Praia Grande é preso no interior de SP Cunhado de comerciante morto em Praia Grande se escondeu em casa de parente da amante Irmã de comerciante morto em Praia Grande teve 'caso' com cunhada horas antes do crime, diz defesa Irmã de comerciante morto em Praia Grande estava bêbada e sob efeito de droga durante assassinato, diz advogado