Rafaela entregou o celular voluntariamente à polícia (Reprodução) Dados extraídos do celular de Rafaela Costa da Silva (acusada de envolvimento na morte do marido, Igor Peretto) mostram que a viúva ficou em ligação por cinco minutos com o telefone da vítima no período em que ele estava morto ou agonizando. Rafaela, Marcelly Peretto (irmã de Igor) e Mário Vitorino (cunhado e sócio) são acusados de matar o comerciante de forma premeditada em um apartamento de Praia Grande para viver um triângulo amoroso sem empecilhos, segundo o Ministério Público (MP). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Imagens de monitoramento mostram que Rafaela utilizava o celular dela, um iPhone 15 Pro Max, constantemente durante o período que antecedeu o crime. Entretanto, o relatório constatou que parte dos dados do aparelho - que foi entregue voluntariamente por ela à Polícia Civil - foram apagados manualmente, entre conversas e ligações. Alguns desses dados apagados manualmente foram recuperados e uma ligação telefônica chamou a atenção dos investigadores, pois a conversa de 5 minutos e 12 segundos feita às 6h02 do dia 31 de agosto de 2024 foi atendida por um aparelho de telefone da vítima Igor Peretto. Enquanto isso, câmeras de monitoramento mostram que Marcelly e Mário Vitorino desceram do apartamento às 06h04. Sendo assim, o relatório conclui que, durante este horário da ligação, a vítima já estava morta ou agonizando com cerca de 40 ferimentos pelo corpo. Com base nessa informação, o relatório feito pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Praia Grande ressalta que Rafaela disse que havia bloqueado o contato de Igor. Na sequência, foram encontradas chamadas seguidas para o celular de Mário. O advogado de Rafaela, Marcelo Cruz, alega que está analisando, tecnicamente, vários documentos que foram juntados nos autos, dentre tantos, a mencionada ligação, bem como cópias de um inquérito policial que foi anexado, que apura crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa, estelionato, tráfico ilícito de drogas e afins. "Diante desses fartos documentos, que citam várias pessoas, a defesa de Rafaela solicitou ao Juiz acesso integral dos autos para verificar quem são os envolvidos na investigação e estudar os elementos probatórios coligidos no inquérito supramencionado", explica o advogado criminalista. Cruz destaca, também, que a prova com campo do direito penal deve ser analisada como um todo, jamais isoladamente, pois, caso contrário, pode ser interpretada equivocadamente. Relembre o caso O caso aconteceu no apartamento de Marcelly, que fica na Avenida Paris, no Canto do Forte, durante a madrugada e manhã do dia 31 de agosto. A vítima foi assassinada a facadas e teria morrido após sofrer 40 ferimentos. O cunhado, Mario Vitorino da Silva Neto; a viúva, Rafaela Costa da Silva, e Marcelly Peretto, irmã de Igor, seguem presos pela morte do comerciante. Eles tiveram a prisão temporária convertida em preventiva após serem denunciados pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Denúncia e ‘triângulo amoroso’ O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou o trio e apontou os suspeitos como um ‘verdadeiro triângulo amoroso’. Além disso, o órgão acredita que o crime foi premeditado. A viúva teria, inclusive, pesquisado em seu celular ‘quanto tempo o corpo demora a feder’. Suspeitos e crime premeditado Mario Vitorino da Silva Neto, Marcelly Marlene Delfino Peretto e Rafaela Costa da Silva, suspeitos por matarem o comerciante Igor Peretto, em Praia Grande, cometeram o crime de forma premeditada. É o que aponta o Ministério Público de São Paulo (MP-SP). O MP-SP pediu a prisão preventiva dos três no último dia 29. A solicitação foi acolhida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) na quinta-feira (31). A Tribuna teve acesso à denúncia do MP-SP. O órgão se manifestou pela decretação da prisão preventiva dos três, porque, segundo o MP, o "crime de homicídio praticado pelos denunciados é gravíssimo, hediondo, importando em grande risco ao meio social a mantença em liberdade dos criminosos". “A vítima foi morta com diversas facadas desferidas por Mario e com incentivo e apoio moral de Marcelly e Rafaela, que inclusive foram as responsáveis por atrair a vítima para o local do crime. Além disso, depois de consumado o delito, os três fugiram juntos. Não bastasse, tentaram apagar os vestígios do crime e simular uma falsa luta corporal para invocar legítima defesa. Soma-se a isso que Rafaela apagou conteúdo de mensagens trocadas com os comparsas no dia do crime. Há elementos, portanto, a demonstrar que os três denunciados agiram em conluio para a morte da vítima. Além disso, a brutalidade do crime gerou repercussão nacional e clamor social, sendo certo que eventual soltura nesta fase reforçaria a sensação de impunidade no país”, diz a denúncia. Além disso, segundo o documento, consta nos autos que no dia 31 de agosto, por volta das 7h37, na Avenida Paris, Canto do Forte, "Mario Vitorino da Silva Neto, por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa do ofendido, matou Igor Peretto, conforme laudo necroscópico, crime para o qual concorreram Marcelly Marlene Delfino Peretto, qualificada, e Rafaela Costa Da Silva , qualificada, mediante prévio ajuste de vontades, incentivo e apoio moral. Segundo se apurou, a denunciada Marcelly e Igor eram irmãos. Marcelly era casada com o denunciado Mario e Igor casado com terceira denunciada, Rafaela. Os quatro conviviam e mantinham relação muito próxima. Além dos momentos de lazer compartilhados, Mario e Igor eram sócios em uma empresa (loja de motocicletas)”. Ainda de acordo com a denúncia, Rafaela passou a ter um relacionamento extraconjugal com Mario e também iniciou relacionamento amoroso com a cunhada, Marcelly. “Havia, portanto, relacionamento de natureza íntima e/ou sexual entre Rafaela, Mario e Marcelly, sem ciência e participação da vítima, Igor. Assim, nesse verdadeiro triângulo amoroso, Igor tornou-se um empecilho. Por isso, Rafaela, Marcelly e Mario, em conluio, decidiram matar Igor”, aponta o documento. Como foi o crime Segundo consta no documento, na noite que antecedeu o crime, os quatro envolvidos foram a uma festa. “Colocando o plano mortal em prática, já durante a madrugada, Rafaela e Marcelly saíram mais cedo do evento e foram juntas para o apartamento de Marcelly, onde trocaram beijos e carícias. Pouco tempo depois, Igor e Mario também saíram juntos da festa, no carro de Mario, e acabaram indo para o apartamento de Marcelly, atraídos por Rafaela, que efetuou ligações e enviou mensagens para seu amante, Mario, mesmo sabendo que este estava acompanhado de seu marido, Igor”. Mario e Igor se dirigiram ao apartamento de Marcelly - segundo o MP, Mario estava momentaneamente morando em outro imóvel. “Pouquíssimos momentos antes da chegada dos dois rapazes ao apartamento, e já certa de ter atraído o marido para a morte, Rafaela deixou o local e permaneceu em seu veículo nas proximidades, aguardando o desfecho do homicídio e a fuga dos comparsas. Enquanto aguardava, Rafaela realizou pesquisas no aplicativo de buscas no sentido: 'pesquisas de destinos, supostamente a serem considerados, no aplicativo Waze, tais como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Campo Grande, Bahia, Salvador, entre outros'. Ainda, enquanto fugia com os comparsas, pesquisou: 'quanto tempo o corpo demora a feder'. Em seguida, de acordo com a denúncia do MP, Igor entrou no apartamento desconfiado de estar sendo traído, manifestando decepção com aqueles que estavam próximo, dizendo: "Do que adiantou eu fazer tudo, eu me esforço tanto, eu fiz isso sempre por todos, seus traíras, p****".“Neste momento, com o prévio ajuste, incentivo e apoio moral de Rafaela, que já saíra do apartamento, e com o prévio ajuste, incentivo e apoio moral de Marcelly, que a tudo presenciava no local, Mario atacou Igor com diversos golpes de faca”. Com isso, ele teria provocado cerca de 40 ferimentos em Igor. A vítima morreu no apartamento. Marcelly e Mario fugiram juntos no carro dele. “Num primeiro momento, ambos vão ao apartamento de Mario, também em Praia Grande. Sobem rapidamente no apartamento dele, pegam alguns pertencentes e, depois, prosseguem para a tentativa de fuga definitiva. Nessa fuga, combinam local e se encontram com Rafaela. A partir de então, Rafaela abandona seu carro, junta-se aos comparsas e o trio foge junto no carro de Mario, em direção ao interior do estado”. Também segundo o documento, nesse período, o trio conseguiu apagar todo o conteúdo do celular de Rafaela referente à madrugada do crime. “A morte de Igor traria grande vantagem financeira ao trio denunciado, pois Mario poderia assumir a liderança da empresa que tinha com a vítima, sendo esse empresário de sucesso. Rafaela, viúva, receberia sua herança/meação. E Marcelly, que se relacionava com os dois beneficiários diretos, igualmente teria os benefícios financeiros. Marcelly e Rafaela, dias depois do crime, ante a repercussão na imprensa, se apresentaram à Polícia e acabaram sendo presas. Mario conseguiu ficar escondido por mais alguns dias, na casa do tio de Rafaela, mas também foi localizado e preso, na cidade de Torrinha. O crime foi cometido por motivo torpe, pois Mario, Rafaela e Marcelly consideraram Igor um empecilho para os relacionamentos íntimos e sexuais dos três denunciados". De acordo com a denúncia, o crime foi praticado por meio cruel, com diversos golpes de faca contra a vítima, causando-lhe intenso sofrimento. O crime também foi praticado mediante recurso que dificultou a defesa do ofendido, que estava desarmado e foi atacado por pessoa de seu relacionamento próximo, de quem não esperava mal algum, sendo que apenas um dos golpes pelas costas já era capaz de gerar tetraplegia, conforme o documento. "Segundo o perito, Marcelly e Rafaela concorreram diretamente para a prática do crime, em todas as suas etapas, dando incentivo e apoio moral para Mario, com quem estavam previamente ajustadas, inclusive sobre a motivação (torpe) e os meios de execução do delito (com crueldade e recurso que dificultou a defesa da vítima). Diante do exposto, o Ministério Público denuncia a Vossa Excelência Mario Vitorino da Silva Neto, Marcelly Marlene Delfino Peretto e Rafaela Costa Da Silva como incursos no artigo 121, § 2º, I (torpe), III (meio cruel), IV (recurso que dificultou do Código Penal, aplicando-se o artigo 29, caput. do Código Penal em relação às duas denunciadas. Recebida e autuada esta, seja instaurado o devido processo penal, adotando-se o rito especial”. A denúncia pede o julgamento perante o ‘Egrégio Tribunal Popular’. “Para finalizar, postula a fixação de valor mínimo de R\$ 300.000,00 (trezentos mil reais), para reparação dos danos morais causados pelo crime, a serem destinados aos herdeiros da vítima, nos termos do artigo 387, inciso IV, do Código de Processo Penal e da Resolução n. 243 do Conselho Nacional do Ministério Público”. O que diz o advogado de Mario? O advogado de Mario Vitorino, Mário Badures, disse que a investigações apresentou inconsistências e até erros. “A investigação se mostrou confusa ao apontar um viés econômico, ignorando inúmeras provas que indicam o crime de ímpeto, tragédia essa originária de uma inegável luta entre Mario Vitorino e Igor Peretto. Há farta prova testemunhal e até mesmo pericial, malgrado a defesa ter como imprestável laudo pericial da reconstituição simulada dos fatos”. O defensor diz ainda que a Defesa deixa "desde logo registrado o equívoco da acusação para a motivação do crime, afinal de contas, Mario Vitorino não era dependente econômico de Igor e em nada lucraria com a sua morte. Ademais, inexiste qualquer evidência da existência de uma relação amorosa conjunta entre os acusados, sendo nítido que o Ministério Público se apoia em ilações e acaba por confundir moral com Direito”. O advogado reiterou a linha argumentativa que sustentou desde quando assumiu a causa: "lamenta-se a perda da vítima, mas seremos intransigentes no que tange ao caso seja julgado de forma imparcial, de acordo com a lei e longe das especulações que em nada contribuem para a Justiça. Portanto, repudia-se não só a acusação apresentada, mas especialmente os contínuos, desprezíveis e infelizes ataques daqueles que ignoram que a atuação é técnica e profissional, de busca ao respeito ao direito, e nada mais”. O que diz o advogado de Marcelly sobre a denúncia? Leandro Weissman, que defende Marcelly, disse que vê com muita reserva a denúncia ofertada e determinação da prisão preventiva. “A denúncia é vaga, não individualiza conduta dos envolvidos e tampouco traz qual o efetivo delito cometido pela cliente. Demais disso, a decisão pela prisão preventiva é absolutamente genérica, não trazendo qualquer fato concreto para o seu ensejamento, parecendo que isso ocorreu apenas para conter eventual clamor público, mas não através de real embasamento jurídico/legal”. O que diz o advogado de Rafaela? O advogado de Rafaela, Marcelo Cruz, disse que está começando a preparar um habeas corpus. "Em que pese todo respeito à Autoridade Judicial, entendo ser desnecessária a custódia cautelar da Rafaela, motivo pelo qual, se necessário, levaremos os pedidos de soltura até as cortes superiores (STJ e STF). Antes, impetraremos o pedido no TJ-SP", explicou. 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