Completa-se nesta segunda-feira (31) dois anos do assassinato do comerciante Igor Peretto, de 27 anos, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. O crime, ocorrido em 31 de agosto de 2024, teve grande repercussão na Baixada Santista e ainda aguarda julgamento pelo Tribunal do Júri. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Mario Vitorino da Silva Neto, cunhado da vítima e apontado como autor das facadas, e Marcelly Marlene Delfino Peretto, irmã de Igor, permanecem presos. Rafaela Costa da Silva, viúva do comerciante, responde ao processo em liberdade. A Tribuna conversou com os advogados dos réus e da família de Igor para saber o que esperam do desfecho do processo dois anos após o crime. A reportagem também relembra, em uma linha do tempo, os principais acontecimentos do caso. Igor foi morto a facadas na madrugada de 31 de agosto de 2024, dentro do apartamento de Marcelly, na Avenida Paris, no Canto do Forte. Os três réus foram denunciados pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que sustenta que o crime foi premeditado e teria motivações passionais e financeiras. Mario e Marcelly estão presos preventivamente desde 2024. O desdobramento mais recente do processo foi a definição da data do júri popular de Marcelly. O julgamento está marcado para as 9 horas de 26 de novembro, no Fórum de Praia Grande. Viúva solta Rafaela também deverá ser julgada pelo Tribunal do Júri. A decisão foi tomada no último dia 13 pela 5ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Apesar de determinar que ela seja submetida ao júri, o colegiado negou o pedido do MP-SP para decretar novamente sua prisão preventiva. Com isso, Rafaela poderá permanecer em liberdade enquanto o processo tramita. A defesa informou que pretende recorrer. A viúva está solta desde 17 de outubro de 2025. Na ocasião, o juiz Felipe Esmanhoto Mateo desclassificou a acusação contra ela por entender que Rafaela não estava no apartamento no momento do homicídio e que as provas eram insuficientes para demonstrar sua participação. O magistrado também apontou não haver elementos suficientes para sustentar a tese de premeditação segundo a qual Rafaela teria ligado para Mario enquanto ele estava com Igor com o objetivo de provocar ciúmes e atraí-lo ao apartamento. A decisão ainda considerou que não foram encontrados indícios de que Rafaela, Marcelly e Mario mantivessem um relacionamento a três, mas apontou a existência de relações amorosas cruzadas. A hipótese de motivação econômica também não teria sido comprovada. O que dizem as defesas O advogado Mario Badures, que representa Mario Vitorino, afirmou confiar no julgamento pelo Tribunal do Júri e sustentou que as provas reunidas no processo apresentam um cenário diferente daquele divulgado nas redes sociais. Segundo ele, a defesa aponta supostas nulidades relacionadas, entre outros aspectos, ao vazamento de dados, à reconstituição do crime, aos laudos periciais, à cadeia de custódia das provas digitais e às qualificadoras atribuídas ao homicídio. A defesa também sustenta que as provas produzidas judicialmente afastaram as teses de relacionamento a três e de premeditação. Badures destacou ainda que o Tribunal de Justiça afastou a qualificadora de recurso que teria dificultado ou impossibilitado a defesa da vítima. “A defesa de Mário Vitorino requereu a sua pronúncia, pois confia e não teme o julgamento no Plenário do Júri”, afirmou. O advogado Alex Ochsendorf, que representa Marcelly Peretto, disse aguardar com tranquilidade o julgamento marcado para novembro. Segundo ele, será a primeira oportunidade para que Marcelly apresente aos jurados sua versão completa sobre a dinâmica dos fatos. A defesa espera que o Conselho de Sentença reconheça a não responsabilidade da acusada. Já Yuri Cruz, advogado de Rafaela, afirmou que a defesa mantém a convicção de que as provas não demonstram a participação dela no homicídio. “Passados dois anos, a Defesa de Rafaela Costa mantém a convicção de que as provas produzidas não demonstram sua participação no crime doloso contra a vida”, declarou. Embora respeite a decisão do TJ-SP que determinou a submissão de Rafaela ao Tribunal do Júri, a defesa afirma confiar que os Tribunais Superiores restabelecerão a decisão de primeira instância que havia desclassificado a acusação. Ela permanece em liberdade enquanto aguarda o julgamento dos recursos. O que diz a acusação O advogado Felipe Pires de Campos, que representa a família de Igor, afirmou que os familiares continuam aguardando uma resposta definitiva da Justiça. Segundo ele, o processo avançou ao longo dos últimos dois anos, as provas foram produzidas e as questões levantadas pelas partes vêm sendo analisadas dentro do devido processo legal. Como assistentes de acusação, os advogados consideram o Tribunal do Júri o espaço adequado para a apresentação das provas e para que os jurados decidam sobre a responsabilidade de cada acusado. “O tempo transcorrido não diminui a gravidade dos fatos, tampouco o sofrimento causado pela perda de Igor”, afirmou. A representação da família diz confiar na análise do conjunto de provas pelo Conselho de Sentença e reforça que cada envolvido deverá responder de acordo com a responsabilidade que vier a ser reconhecida. “A família não busca vingança. Busca Justiça, esclarecimento e uma resposta definitiva para um crime que marcou profundamente a vida de todos que conviviam com Igor.” A madrugada do crime Segundo o boletim de ocorrência e documentos do processo aos quais A Tribuna teve acesso, policiais militares foram chamados ao prédio após a síndica relatar ter ouvido barulho e gritos vindos de um apartamento no quarto andar. Vizinhos chegaram a tocar a campainha e bater à porta, mas não foram atendidos. Imagens das câmeras de segurança mostraram Marcelly e Rafaela chegando ao prédio por volta das 4h35. Rafaela deixou o local às 5h40. Dois minutos depois, Igor e Mario chegaram juntos e subiram ao apartamento. Por volta das 6 horas, Mario e Marcelly deixaram o imóvel pela escadaria e saíram pelo estacionamento. Havia marcas de sangue no corredor. O apartamento foi aberto com a ajuda de um chaveiro e Igor foi encontrado morto no quarto, próximo à janela. O imóvel estava revirado, apresentava sinais de luta corporal e uma faca ensanguentada foi localizada perto da porta. Prisões e reconstituição Mario e Rafaela tiveram a prisão temporária decretada em 2 de setembro de 2024. Após quatro dias sem ser localizada, Rafaela se apresentou à polícia no dia 6, em Praia Grande. Na mesma data, Marcelly também foi presa por suspeita de envolvimento no crime. No dia 5 de setembro, o carro de Mario foi encontrado abandonado no estacionamento de um motel em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, com marcas de sangue. O veículo foi periciado e levado à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Praia Grande. Segundo a Polícia Civil, Mario e Marcelly permaneceram cerca de três horas no estabelecimento. Mario foi preso dez dias depois, em Torrinha, também no interior paulista, a cerca de 250 quilômetros da Baixada Santista. Segundo a investigação, ele mantinha um relacionamento extraconjugal com Rafaela. A localização ocorreu após uma investigação particular conduzida pela família Peretto, que ajudou a encontrá-lo em uma casa onde morava um tio de Rafaela. No dia 25 de setembro, os três investigados participaram da reconstituição do caso, acompanhados pelos respectivos advogados. Laudo apontou 40 ferimentos O laudo do homicídio apontou que Igor sofreu 40 ferimentos provocados por faca. O trio foi denunciado pelo MP-SP, que pediu a prisão preventiva dos acusados e uma indenização mínima de R\$ 300 mil aos herdeiros da vítima por danos morais. O Ministério Público também pediu que os três fossem submetidos ao Tribunal do Júri. Durante a investigação, mensagens e depoimentos indicaram que Rafaela e Mario planejavam passar a madrugada juntos. Antes do homicídio, Rafaela e Marcelly também teriam tido um envolvimento amoroso, com troca de beijos, segundo informações apuradas por A Tribuna. Agora, dois anos após a morte de Igor, o caso entra em uma nova etapa com a aproximação dos julgamentos, que deverão definir a responsabilidade de cada um dos acusados pelo crime.