Mario Vitorino da Silva Neto, Marcelly Marlene Delfino Peretto e Rafaela Costa da Silva que estão presos preventivamente, são suspeitos de matar Igor Peretto (Reprodução) O comerciante Igor Peretto, morto aos 27 anos, teria ficado tetraplégico caso sobrevivesse aos 40 ferimentos corto-perfurantes sofridos em um apartamento no bairro Canto do Forte, em Praia Grande. Isso é o indica um laudo do Núcleo de Perícias Médico Legais de Santos colocado no processo. A irmã da vítima, o ex-cunhado e a esposa estão presos preventivamente. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Tribuna teve acesso ao documento, que descreve os ferimentos e explica que um deles estava na região torácica posterior, próximo à linha média, de transição do tórax com a cervical. Com base no laudo, esse corte poderia ter levado Igor a uma tetraplegia, a paralisia dos quatro membros (braços e pernas). De acordo com o laudo, a secção medular cervical alta pode comprometer o nervo frênico, que é fundamentalmente para a respiração, além do aspecto motor e sensitivo. Deste modo, não levaria a morte pela questão respiratória, mas poderia deixar o comerciante tetraplégico. O mesmo documento aponta que há ferimentos no corpo de Igor que indicam a autodefesa contra as agressões. O comerciante foi morto pelo ex-cunhado, Mário Vitorino, que alegou ter se defendido após a vítima pegar um caco de vidro para atingi-lo. De acordo com o documento, não foi descrito no laudo necroscópico ferimentos na mão de Igor Peretto que comprovem a versão de Mário Vitorino. Questionado se os ferimentos e cortes causados na vítima foram desferidos pela mesma pessoa ou se houve envolvimento de terceiros, o legista apontou que não é possível avaliar apenas pela análise dos ferimentos. Também não foram descritos no laudo pericial lesões, hematomas ou arranhões, oriundos de briga ou luta corporal. Suspeitos Mario Vitorino da Silva Neto, Marcelly Marlene Delfino Peretto e Rafaela Costa da Silva, suspeitos por matarem o comerciante Igor Peretto, em Praia Grande, cometeram o crime de forma premeditada. É o que aponta o Ministério Público de São Paulo (MP-SP). O órgão denunciou o trio como um ‘verdadeiro triângulo amoroso’ e a viúva teria, inclusive, pesquisado no seu celular ‘quanto tempo o corpo demora a feder’. O MP-SP pediu a prisão preventiva dos três no último dia 29, terça-feira. A solicitação foi acolhida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) na quinta-feira (31). O caso aconteceu no apartamento de Marcelly, irmã de Igor, que fica na Avenida Paris, no bairro Canto do Forte, durante a madrugada de 31 de agosto. A vítima teria morrido após ter sofrido 40 ferimentos. A Tribuna teve acesso à denúncia do Ministério Público. O órgão se manifestou pela decretação da prisão preventiva dos três, porque, segundo o MP, o "crime de homicídio praticado pelos denunciados é gravíssimo, hediondo, importando em grande risco ao meio social a mantença em liberdade dos criminosos". “A vítima foi morta com diversas facadas desferidas por Mario e com incentivo e apoio moral de Marcelly e Rafaela, que inclusive foram as responsáveis por atrair a vítima para o local do crime. Além disso, depois de consumado o delito, os três fugiram juntos. Não bastasse, tentaram apagar os vestígios do crime e simular uma falsa luta corporal para invocar legítima defesa. Soma-se a isso que Rafaela apagou conteúdo de mensagens trocadas com os comparsas no dia do crime. Há elementos, portanto, a demonstrar que os três denunciados agiram em conluio para a morte da vítima. Além disso, a brutalidade do crime gerou repercussão nacional e clamor social, sendo certo que eventual soltura nesta fase reforçaria a sensação de impunidade no país”, diz a denúncia. Além disso, segundo o documento, consta nos autos que no dia 31 de agosto, por volta das 7h37, na Avenida Paris, Canto do Forte, "Mario Vitorino da Silva Neto, por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa do ofendido, matou Igor Peretto, conforme laudo necroscópico, crime para o qual concorreram Marcelly Marlene Delfino Peretto, qualificada, e Rafaela Costa Da Silva , qualificada, mediante prévio ajuste de vontades, incentivo e apoio moral. Segundo se apurou, a denunciada Marcelly e Igor eram irmãos. Marcelly era casada com o denunciado Mario e Igor casado com terceira denunciada, Rafaela. Os quatro conviviam e mantinham relação muito próxima. Além dos momentos de lazer compartilhados, Mario e Igor eram sócios em uma empresa (loja de motocicletas)”. Ainda de acordo com a denúncia, Rafaela passou a ter um relacionamento extraconjugal com Mario e também iniciou relacionamento amoroso com a cunhada, Marcelly. “Havia, portanto, relacionamento de natureza íntima e/ou sexual entre Rafaela, Mario e Marcelly, sem ciência e participação da vítima, Igor. Assim, nesse verdadeiro triângulo amoroso, Igor tornou-se um empecilho. Por isso, Rafaela, Marcelly e Mario, em conluio, decidiram matar Igor”, aponta o documento. Como foi o crime Segundo consta no documento, na noite que antecedeu o crime, os quatro envolvidos foram a uma festa. “Colocando o plano mortal em prática, já durante a madrugada, Rafaela e Marcelly saíram mais cedo do evento e foram juntas para o apartamento de Marcelly, onde trocaram beijos e carícias. Pouco tempo depois, Igor e Mario também saíram juntos da festa, no carro de Mario, e acabaram indo para o apartamento de Marcelly, atraídos por Rafaela, que efetuou ligações e enviou mensagens para seu amante, Mario, mesmo sabendo que este estava acompanhado de seu marido, Igor”. Mario e Igor se dirigiram ao apartamento de Marcelly - segundo o MP, Mario estava momentaneamente morando em outro imóvel. “Pouquíssimos momentos antes da chegada dos dois rapazes ao apartamento, e já certa de ter atraído o marido para a morte, Rafaela deixou o local e permaneceu em seu veículo nas proximidades, aguardando o desfecho do homicídio e a fuga dos comparsas. Enquanto aguardava, Rafaela realizou pesquisas no aplicativo de buscas no sentido: 'pesquisas de destinos, supostamente a serem considerados, no aplicativo Waze, tais como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Campo Grande, Bahia, Salvador, entre outros'. Ainda, enquanto fugia com os comparsas, pesquisou: 'quanto tempo o corpo demora a feder'”. Em seguida, de acordo com a denúncia do MP, Igor entrou no apartamento desconfiado de estar sendo traído, manifestando decepção com aqueles que estavam próximo, dizendo: "Do que adiantou eu fazer tudo, eu me esforço tanto, eu fiz isso sempre por todos, seus traíras, p****". “Neste momento, com o prévio ajuste, incentivo e apoio moral de Rafaela, que já saíra do apartamento, e com o prévio ajuste, incentivo e apoio moral de Marcelly, que a tudo presenciava no local, Mario atacou Igor com diversos golpes de faca”. Com isso, ele teria provocado cerca de 40 ferimentos em Igor. A vítima morreu no apartamento. Marcelly e Mario fugiram juntos no carro dele. “Num primeiro momento, ambos vão ao apartamento de Mario, também em Praia Grande. Sobem rapidamente no apartamento dele, pegam alguns pertencentes e, depois, prosseguem para a tentativa de fuga definitiva. Nessa fuga, combinam local e se encontram com Rafaela. A partir de então, Rafaela abandona seu carro, junta-se aos comparsas e o trio foge junto no carro de Mario, em direção ao interior do estado”. Também segundo o documento, nesse período, o trio conseguiu apagar todo o conteúdo do celular de Rafaela referente à madrugada do crime. “A morte de Igor traria grande vantagem financeira ao trio denunciado, pois Mario poderia assumir a liderança da empresa que tinha com a vítima, sendo esse empresário de sucesso. Rafaela, viúva, receberia sua herança/meação. E Marcelly, que se relacionava com os dois beneficiários diretos, igualmente teria os benefícios financeiros. Marcelly e Rafaela, dias depois do crime, ante a repercussão na imprensa, se apresentaram à Polícia e acabaram sendo presas. Mario conseguiu ficar escondido por mais alguns dias, na casa do tio de Rafaela, mas também foi localizado e preso, na cidade de Torrinha. O crime foi cometido por motivo torpe, pois Mario, Rafaela e Marcelly consideraram Igor um empecilho para os relacionamentos íntimos e sexuais dos três denunciados". De acordo com a denúncia, o crime foi praticado por meio cruel, com diversos golpes de faca contra a vítima, causando-lhe intenso sofrimento. O crime também foi praticado mediante recurso que dificultou a defesa do ofendido, que estava desarmado e foi atacado por pessoa de seu relacionamento próximo, de quem não esperava mal algum, sendo que apenas um dos golpes pelas costas já era capaz de gerar tetraplegia, conforme o documento. "Segundo o perito, Marcelly e Rafaela concorreram diretamente para a prática do crime, em todas as suas etapas, dando incentivo e apoio moral para Mario, com quem estavam previamente ajustadas, inclusive sobre a motivação (torpe) e os meios de execução do delito (com crueldade e recurso que dificultou a defesa da vítima). Diante do exposto, o Ministério Público denuncia a Vossa Excelência Mario Vitorino da Silva Neto, Marcelly Marlene Delfino Peretto e Rafaela Costa Da Silva como incursos no artigo 121, § 2º, I (torpe), III (meio cruel), IV (recurso que dificultou do Código Penal, aplicando-se o artigo 29, caput. do Código Penal em relação às duas denunciadas. Recebida e autuada esta, seja instaurado o devido processo penal, adotando-se o rito especial”. A denúncia pede o julgamento perante o ‘Egrégio Tribunal Popular’. “Para finalizar, postula a fixação de valor mínimo de R\$ 300.000,00 (trezentos mil reais), para reparação dos danos morais causados pelo crime, a serem destinados aos herdeiros da vítima, nos termos do artigo 387, inciso IV, do Código de Processo Penal e da Resolução n. 243 do Conselho Nacional do Ministério Público”. O que diz o advogado de Mario? O advogado de Mario Vitorino, Mário Badures, disse que a investigações apresentou inconsistências e até erros. “A investigação se mostrou confusa ao apontar um viés econômico, ignorando inúmeras provas que indicam o crime de ímpeto, tragédia essa originária de uma inegável luta entre Mario Vitorino e Igor Peretto. Há farta prova testemunhal e até mesmo pericial, malgrado a defesa ter como imprestável laudo pericial da reconstituição simulada dos fatos”. O defensor diz ainda que a Defesa deixa "desde logo registrado o equívoco da acusação para a motivação do crime, afinal de contas, Mario Vitorino não era dependente econômico de Igor e em nada lucraria com a sua morte. Ademais, inexiste qualquer evidência da existência de uma relação amorosa conjunta entre os acusados, sendo nítido que o Ministério Público se apoia em ilações e acaba por confundir moral com Direito”. O advogado reiterou a linha argumentativa que sustentou desde quando assumiu a causa: "lamenta-se a perda da vítima, mas seremos intransigentes no que tange ao caso seja julgado de forma imparcial, de acordo com a lei e longe das especulações que em nada contribuem para a Justiça. Portanto, repudia-se não só a acusação apresentada, mas especialmente os contínuos, desprezíveis e infelizes ataques daqueles que ignoram que a atuação é técnica e profissional, de busca ao respeito ao direito, e nada mais”. O que diz o advogado de Marcelly? Leandro Weissman, que defende Marcelly, disse que vê com muita reserva a denúncia ofertada e determinação da prisão preventiva. “A denúncia é vaga, não individualiza conduta dos envolvidos e tampouco traz qual o efetivo delito cometido pela cliente. Demais disso, a decisão pela prisão preventiva é absolutamente genérica, não trazendo qualquer fato concreto para o seu ensejamento, parecendo que isso ocorreu apenas para conter eventual clamor público, mas não através de real embasamento jurídico/legal”. O que diz o advogado Rafaela? O advogado de Rafaela, Marcelo Cruz, disse que está começando a preparar um habeas corpus. "Em que pese todo respeito à Autoridade Judicial, entendo ser descessária a custódia cautelar da Rafaela, motivo pelo qual, se necessário, levaremos os pedidos de soltura até as cortes superiores (STJ e STF). Antes, impetraremos o pedido no TJ-SP", explicou. 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