[[legacy_image_298172]] Cinco anos após o caso assassinato no bar Baccará, em Santos, que ganhou repercussão em todo o Brasil, será julgado às 9 horas desta quarta-feira (20) Thiago Ozarias Souza, um dos seguranças envolvidos no espancamento e morte Lucas Martins de Paula, após uma confusão por causa de R\$ 15 a mais na conta do antigo bar, no Embaré. O julgamento acontece no Fórum de Santos. São quatro envolvidos no caso, sendo eles: dois seguranças da casa noturna, Thiago Ozarias Souza e Sammy Barreto Callender; o chefe da segurança Anderson Luiz Pereira Brito; e o dono do bar Baccará Vitor Alves Karam. Três estão presos e Anderson, que estava foragido, morreu antes de ser encontrado no interior de São Paulo. O advogado de acusação, Armando de Mattos Júnior, relembra o que considera um dos casos mais tristes em que já atuou em toda sua carreira. “Um garoto que perdeu a vida, no começo da dela, era um estudante de Engenharia com 21 anos de idade e, por conta de uma garrafa de cerveja, morreu. É um negócio inadmissível”. O especialista afirma que a pandemia atrasou um pouco o júri, que acontece nesta quarta, e que agora, cinco anos após o crime, será feita a justiça. Na ocasião, será ouvido o réu Thiago e outras 15 testemunhas. O advogado afirma que tentará fazer com que ele pegue a pena máxima de 30 anos de prisão. Segundo o inquérito policial, Thiago, de 35 anos, é praticante de jiu-jitsu e é visto nas imagens de câmeras aplicando na vítima 12 golpes, entre socos e joelhadas. “Quem deveria ter a obrigação de cuidar, que é o garantidor, que é a segurança, este deu causa à morte. É muito triste isso”, afirmou o advogado. Thiago será julgado separadamente dos demais porque houve recurso por parte das defesas até o Supremo Tribunal Federal (STF), porém a defesa dele desistiu de um desses recursos e o juiz marcou o julgamento dele na frente dos demais. Mattos explica que, neste meio tempo, o Supremo não concedeu a liberdade dos outros réus e o júri deles ficou marcado para a próxima terça-feira (26). Mattos afirma que Thiago participou de uma forma “bem severa” do espancamento do jovem Lucas. O sistema de monitoramento de uma escola flagrou a agressão que levou a vítima à morte. “Eles não tiveram mais saída, até o dono do bar, que foi omisso, estava lá e poderia ter dado a ordem para paralisar tudo. Ele aparece na imagem”. Para o acusador, a prova é muito bem constituída e contra fatos e argumentos. “Eles falaram que não foram eles na fase policial, quando a imagem não tinha sido encontrada, eles negaram a autoria. Depois eles tiveram que mudar a versão deles. Eles começaram a mentir”. Caso condenado, Thiago- que está preso desde agosto de 2018- terá o período em que já está encarcerado subtraído da pena final. “Nós vamos tentar buscar a condenação severa, porque esse tipo de episódio não pode acontecer. Não só na nossa Cidade, mas em qualquer lugar”. O promotor do júri Fabio Perez Fernandes, em entrevista para a TV Tribuna, afirmou que, para ele, todos os réus assumiram o risco de matar Lucas durante a agressão. “Da forma pela qual os acusados agiram, em especial o réu que será julgado neste primeiro momento, fica evidente que eles assumiram o risco real e concreto de causar o resultado morte. Não foi apenas uma agressão de menor gravidade, muito pelo contrário, foi um ato de extrema violência que acabou ensejando a morte da vítima”. Os seguranças Sammy e Thiago estão presos há cinco anos e o dono Victor Karam foi preso em 2019, um ano após o crime. Sammy, também segurança, aparece nas imagens obtidas pela polícia desferindo um soco no universitário após a sequência de golpes de Thiago. Como se fosse um “golpe de misericórdia”, este soco fez o jovem cair inconsciente em frente ao Baccará. Relembre o casoNo quarto ano de Engenharia Elétrica, Lucas contestou o lançamento de uma cerveja no valor de R\$ 15 em sua comanda e foi agredido em frente à casa noturna, na Rua Oswaldo Cochrane, no Embaré, na madrugada de 7 de julho de 2018. O universitário morreu após ficar 22 dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Santos.A Tribuna não conseguiu localizar o advogado do réu, mas o espaço está aberto para a manifestação da defesa.