[[legacy_image_120111]] O pai do universitário Lucas Martins de Paula, morto em 2018 após ser espancado na casa noturna Baccará, em Santos, recebeu com revolta a notícia da morte de um dos acusados pelo crime, o chefe de segurança Anderson Luiz Pereira Brito. Para Isaías de Paula, de 55 anos, que conversou com A Tribuna na quinta-feira (4), a petição anexada ao processo do caso para informar o óbito representa uma inversão de valores. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Anderson tinha 50 anos e era um dos envolvidos no homicídio de Lucas. Estava foragido desde a época do crime e morreu em uma casa em Itapetininga, no Interior de São Paulo, em 11 de outubro. O fato foi comunicado ao Poder Judiciário pelo advogado Eduardo Dias Durante, que representa o acusado, em um texto que indignou Isaías. “O Sr. Anderson sempre se manteve íntegro em suas ações e suas palavras, sabia de sua inocência e agora acompanha agora o grande arquiteto do universo em seu sono eterno. Deixa uma família que sempre esteve orgulhosa de seus atos, sendo pessoa honesta e trabalhadora, garantindo a boa vivência de sua família com o trabalho honesto e árduo”, destacou a defesa. Para Isaías, o chefe de segurança foi um dos principais responsáveis pela morte de Lucas, justamente por conta do cargo que ocupava na casa noturna. “A gente não aceita de jeito nenhum que, de repente, uma pessoa que estava foragida há três anos agora seja boa e íntegra. A família está indignada, é uma inversão de valores”. Na opinião dele, se Anderson fosse inocente, deveria ter se apresentado à polícia. “Com toda sinceridade, eu não queria que ele tivesse morrido. Eu sou pai do Lucas e mataram meu filho. O que eu queria é que ele (Anderson) estivesse preso e condenado, tudo direitinho”. [[legacy_image_120369]] Agora, a família luta por justiça em relação aos outros três acusados que cumprem prisão preventiva, mas ainda não foram julgados: o dono da casa noturna, Vitor Alves Karam, e os seguranças Thiago Ozarias Souza e Sammy Barreto Callender. “Eles entram com um recurso atrás do outro para tentar fazer com que a sociedade esqueça do caso. Eu não vou aceitar isso e lutarei até o fim. Tinha que haver prisão perpetua, mas infelizmente nosso País não tem isso”, afirma. Em seguida, Isaías frisa que nenhum dos envolvidos demonstrou arrependimento pelo crime. Em contrapartida, ele e a esposa choram todos os dias pela falta de Lucas, que os torna os “verdadeiros condenados”. “Estamos condenados desde o dia que meu filho foi agredido, ficou 22 dias internado em estado grave e não suportou. Estamos condenados a viver com esse sentimento de perda pelo resto da vida. É horrível perder um filho. Não desejo para ninguém, nem mesmo para eles (os acusados). (...) Tem o atestado de óbito (da morte de Anderson), mas para mim é como se nada tivesse acontecido com ele, nós não vimos. Já eu enterrei meu filho”. Relembre o caso Lucas foi espancado por seguranças no dia 7 de julho de 2018, no Baccará, após se manifestar sobre a cobrança de R\$ 15,00 a mais em sua conta por uma cerveja que não teria consumido. O universitário morreu após ficar 22 dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Santos. [[legacy_image_120370]]