Um assalto sofrido por um casal enquanto passeava com o cachorro na orla da Praia do José Menino, em Santos, no litoral de São Paulo, reacendeu as reclamações de moradores sobre a sensação de insegurança na região. O ataque ocorreu na noite de quarta-feira (17), por volta das 19h30, próximo aos edifícios Praiamar e Samburá, na faixa interna da calçada da praia da cidade da Baixada Santista. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo relato, o casal foi abordado por três homens em bicicletas. Durante cerca de três minutos, os criminosos fizeram ameaças e obrigaram as vítimas a entregar celulares, alianças, bolsa, cartões bancários e outros pertences. Além do prejuízo material, os bandidos utilizaram os celulares roubados para tentar aplicar golpes nos contatos do casal. De acordo com moradora da área, que é próxima das vítimas e teve a identidade preservada, por questão de segurança, os criminosos permaneceram com os aparelhos por quase 24 horas e enviaram mensagens pedindo dinheiro a amigos e familiares por meio do WhatsApp. "Agora estamos bem, mas as imagens não saem da minha cabeça", afirma uma das vítimas. O casal registrou boletim de ocorrência e aguarda imagens de câmeras de monitoramento instaladas em prédios vizinhos para auxiliar na identificação dos ladrões. Segundo moradores, uma das gravações já permitiu visualizar a ação do trio. Aumento da insegurança A advogada e educadora física Viviane Lancelloti, de 51 anos, acompanha de perto as reclamações de moradores do José Menino. Ela morou no bairro entre 2008 e 2022 e mantém um apartamento na região, onde atua como síndica, frequentando o José Menino de três a quatro vezes por semana. A realidade do bairro mudou significativamente nos últimos anos, segundo a advogada. "O José Menino era um bairro calmo, onde a vizinhança se conhecia e se respeitava. De dois anos para cá, está virando um caos", afirma. Viviane conta que tomou conhecimento do assalto por meio de uma colaboradora de sua página nas redes sociais, que recebeu as imagens e relatos diretamente de pessoas ligadas às vítimas. "Uma munícipe me encaminhou os vídeos e as fotos das câmeras de vigilância dos prédios pé na areia para que eu divulgasse o caso e ajudasse a chamar atenção para a necessidade de mais segurança na região. As vítimas são pessoas de meia-idade e ainda estão em choque com tudo o que aconteceu", relata. Assaltos frequentes Após a divulgação do caso, dezenas de moradores passaram a compartilhar relatos semelhantes nas redes sociais e em grupos de mensagens. Segundo Viviane, as ocorrências têm se tornado cada vez mais frequentes. "Quase diariamente recebo relatos de roubos e furtos na região da orla e da ciclovia. Os moradores comentam que esses três indivíduos vêm agindo há algum tempo no bairro", afirma. A advogada e síndica também destaca que, embora os casos costumassem ocorrer principalmente durante a noite, os criminosos estariam ampliando seus horários de atuação. "A noite sempre foi considerada mais perigosa, mas eles estão agindo cada vez mais cedo", diz. Bairro não aparece em registros Outro ponto levantado pelos moradores diz respeito ao registro das ocorrências policiais. Segundo a vítima, ao fazer o boletim de ocorrência, ela constatou que o bairro José Menino não aparecia como opção no sistema, sendo necessário registrar o caso em bairros vizinhos, como Gonzaga ou Pompéia. A situação, segundo moradores, pode dificultar a elaboração de estatísticas específicas sobre a criminalidade na região e comprometer o planejamento de ações de segurança pública. Cobrança por mais segurança Viviane Lancelloti defende o reforço do policiamento ostensivo, a ampliação das rondas e melhorias nos sistemas de monitoramento da orla, especialmente no trecho próximo à divisa entre Santos e São Vicente. Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), o 6º Batalhão de Polícia Militar do Interior informou que, até o presente momento, não há registros de ocorrências na data e local mencionados. "Reforçamos que qualquer situação suspeita ou de perigo deve ser comunicada imediatamente às autoridades competentes. A população pode colaborar por meio do Disque Denúncia 181, anônimo, ou pelo telefone de emergência 190, canal direto com a Polícia Militar", concluiu, em nota.