[[legacy_image_274739]] A compra de uma fritadeira Air Fryer virou caso de polícia em Praia Grande. Um casal foi acusado por um funcionário de furtar o eletrodoméstico das Lojas Americanas, que fica no Litoral Plaza Shopping, mas ele havia acabado de ser adquirido em outro estabelecimento, o Assaí Atacadista - que está no mesmo local. Foi registrado boletim de ocorrência na CPJ (Central de Polícia Judiciária) da cidade. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A advogada do casal, Ana Paula Marques, irá entrar com ação cível de indenização por danos morais e também na esfera criminal. "O delegado de plantão, após ouvir os fatos, me disse ter entendido que não houve crime por parte do funcionário, o que consta no boletim. Mas é nítido que houve. Ainda que não entendessem como racismo (os dois são negros), deveriam entender como crime de Calúnia, previsto no Artigo 138 do Código Penal, visto que o funcionário das Lojas Americanas imputou falsamente um fato definido como crime", explica a advogada. Tudo aconteceu na noite do dia 8. O casal de comerciantes Angela da Silva Soares, de 23 anos, e Marcos Antõnio Batista dos Santos, de 24, ganhou dos sogros a chance de ganhar uma Air Fryer. Eles emprestaram um cartão para a compra e a nota fiscal ficou no nome de Marcos. "Fomos em algumas lojas para pesquisar preços, casos da Havan, Americanas e Assaí. O Assaí apresentava o preço mais atrativo e compramos", conta Angela. Eles, inclusive, postaram fotos e vídeos na rede social de seu estabelecimento mostrando a alegria, com a Air Fryer nas mãos. Logo depois, o casal voltou até as Lojas Americanas - ainda em posse da fritadeira - para comprar uma sanduicheira. No entanto, Angela e Marcos foram informados na loja que o valor que tinham visto era referente a outro eletrodoméstico e não o que eles procuravam. Por isso, saíram sem comprar nada. "Seguimos, então, até o estacionamento, onde meu marido foi guardar a Air Fryer", completa Angela. No retorno ao Litoral Plaza Shopping, os dois foram até outra loja e Marcos comentou com a mulher que um empregado das Lojas Americanas olhava para eles, mas Angela achou que era só impressão dele. "Quando estávamos seguindo em direção ao acesso dois para pegar o carro no estacionamento e retornarmos para casa, vimos o mesmo funcionário olhando torto para a gente. Seguimos adiante e fomos surpreendidos com uma abordagem de dois funcionários das Americanas com um dos seguranças do shopping. Quando viramos para trás, um dos empregados das Americanas disse: 'Você pegou uma Air Fryer da minha loja. Tem como você devolver?'", relembra Angela. Com a repetição da frase por parte do funcionário, a mulher começou a chorar, tamanho o nervosismo. "Ainda falei: 'Moço, você viu a gente saindo da loja com a Air Fryer, mas não viu a gente entrando?'". Marcos, então, pegou a nota fiscal do bolso e mostrou à outra funcionária das Americanas presente na abordagem. Algumas pessoas ficaram olhando e outras tentavam acalmar Angela. Ela ligou para a amiga Ana Paula Marques, que também é advogada e rumou até o local. A orientação foi a de chamar a polícia e registrar boletim de ocorrência, o que foi feito. "Quando começamos a contar o que tinha acontecido, fomos questionados do porquê de não termos pago R\$ 0,20 em uma sacola do Assaí (para colocar a fritadeira e não carregá-la nas mãos), como se nós tivéssemos provocado propositalmente toda essa situação", conta Angela. "E ainda disseram que se não havia acontecido xingamento por parte do funcionário não era racismo ou discriminação. Indignada, questionei o policial, dizendo a ele que quem deveria dizer se era ou não racismo ou discriminação era o Ministério Público e o juiz através de sentença e não ele, que fez gestos faciais como se não tivesse gostado do que ouviu", emenda a advogada. Outro ladoEm nota, a Americanas disse repudia qualquer abordagem que não esteja de acordo com seu Código de Ética e Conduta e informou que está apurando o ocorrido para tomar as devidas providências. A companhia realiza constantemente treinamentos com foco na capacitação de seus associados e prestadores de serviço, de forma a reforçar as melhores práticas e comportamentos adequados para todos os tipos de situações.