O lounge bar fica na Avenida Conselheiro Nébias, em Santos (Rogerio Bomfim/ PMS/ Arquivo) Uma moradora do bairro Boqueirão, em Santos, no litoral de São Paulo, afirma estar enfrentando noites sem dormir por causa do movimento e do barulho gerado por um lounge bar localizado na Avenida Conselheiro Nébias. Sem querer ser identificada, por receio de represálias, a mulher relata que o problema ocorre principalmente nas madrugadas de quinta para sexta-feira, quando o estabelecimento promove eventos que atraem grande número de frequentadores. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a moradora, a movimentação começa por volta das 2 horas da manhã e se estende até o amanhecer. “É um lugar muito sossegado, com casas e poucos prédios. A perturbação começa quando os carros chegam com o som alto. Dá a impressão de que a caixa de som está dentro do meu quarto”, relata. A mulher afirma que o incômodo não se limita ao som vindo do estabelecimento. De acordo com a moradora, o problema também existe por conta do comportamento de parte dos frequentadores. “Teve um dia em que chegaram sete carros. Parecia um baile funk. As pessoas ficam alteradas, conversando alto, gritando, fazendo xixi na rua. No dia seguinte, você não consegue nem deixar a porta aberta”, diz. A situação, segundo a moradora, tem impactado diretamente a rotina da família. “Na última sexta-feira (29), um parente meu não foi à escola porque nós não dormimos. Quem trabalha cedo e precisa descansar já fica preocupado quando chega a quinta-feira. A gente sabe que vai passar a noite acordado”. A moradora também relata episódios de violência nas proximidades do estabelecimento. Um dos casos teria ocorrido recentemente durante a madrugada. “Teve uma briga enorme. As pessoas batiam nos capôs dos carros, gritavam, pararam a Conselheiro Nébias. Foi uma confusão muito assustadora”. Chamadas para forças de segurança Outro ponto apontado pela mulher é a suposta demora no atendimento das chamadas feitas às forças de segurança. Segundo o relato, moradores teriam acionado a polícia diversas vezes durante uma das ocorrências. “Eu liguei e me disseram que já tinham recebido outros chamados e que uma viatura estava a caminho. Mas o tempo passou e não apareceu ninguém. As pessoas continuavam andando de um lado para o outro e a confusão prosseguia”. Medo predomina A moradora afirma que nunca procurou diretamente os responsáveis pelo estabelecimento por receio de ser identificada. “Tenho medo de fazer uma reclamação pessoalmente e depois acontecer alguma maldade com eles ou comigo. Hoje em dia, a gente fica inseguro”. Apesar de reconhecer que o lounge bar funciona em outros dias da semana, a mulher afirma que os maiores transtornos acontecem nas quintas-feiras, quando há eventos de funk. “Não sou contra as pessoas se divertirem. Mas acho que uma área residencial não comporta uma movimentação desse tipo durante toda a madrugada. O problema não é só o som da casa noturna, mas tudo o que acontece na rua depois que as pessoas chegam”. Sensação de impotência Para a moradora, a situação tem se tornado cada vez mais difícil para quem vive na região. “É uma sensação de impotência. Você quer descansar, trabalhar no dia seguinte, seu parente precisa estudar, mas simplesmente a gente não consegue dormir e fica sem saber o que fazer”. Posicionamentos A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), por meio de nota, informou que a Polícia Militar atua em apoio aos órgãos municipais sempre que é acionada para ocorrências relacionadas à fiscalização de perturbação de sossego em estabelecimentos comerciais, cuja responsabilidade primária é da Administração Municipal. Segundo a pasta, nessas situações, as equipes policiais comparecem ao local para garantir a ordem pública, orientar as partes envolvidas e prevenir eventuais conflitos. Quando necessário, e havendo interesse dos moradores ou demais envolvidos, as partes podem ser conduzidas à unidade policial para o registro da ocorrência e adoção das providências cabíveis. A corporação afirma que a Polícia Civil permanece à disposição para o registro formal das ocorrências e a devida apuração dos fatos. A reportagem procurou a Prefeitura de Santos, mas não obteve um retorno até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para posicionamentos. A Tribuna também entrou em contato com o estabelecimento comercial para um posicionamento, mas não obteve retorno. O texto pode ser atualizado a qualquer momento.